SUS vai oferecer três novos remédios para tratar câncer
Brigatinibe, gefitinibe e durvalumabe são indicados contra tumor no pulmão e estarão disponíveis a partir de outubro
O Brasil deu mais um passo para ampliar o acesso e qualificar o tratamento de pacientes com câncer de pulmão. A partir de outubro, o Sistema Único de Saúde (SUS) vai disponibilizar três novos medicamentos de alta tecnologia: brigatinibe, gefitinibe e durvalumabe.
As terapias são indicadas para grupos específicos de pacientes e o uso varia de acordo com as características do tumor e o estágio da doença. Para Juliana Alvarenga, oncologista clínica da Oncomédica, a incorporação desses medicamentos na rede pública representa um avanço importante, pois amplia o acesso do paciente à oncologia de precisão e imunoterapia.
“Hoje sabemos que câncer de pulmão não é uma doença única, tumores semelhantes podem ter características moleculares diferentes e exigir tratamentos distintos. Ter essas opções disponíveis permite oferecer uma terapia mais direcionada ao perfil da doença, algo que até então era muito mais restrito a quem conseguia acesso pela rede privada”, destaca.
Dois dos remédios que serão disponibilizados, o brigatinibe e o gefitinibe, são considerados terapias-alvo. O primeiro atua em tumores com alteração no gene ALK, enquanto o segundo bloqueia alterações relacionadas ao EGFR. “É como desligar um sinal que estimula a célula cancerosa a crescer”, explica Juliana.
Já o durvalumabe opera como uma imunoterapia, estimulando o sistema imunológico a combater o câncer, sendo indicado para pessoas com câncer de pulmão em estágio III que não podem ser tratadas com cirurgia.
“Ele é utilizado como consolidação aos pacientes submetidos a quimioterapia e radioterapia e que não tiveram progressão de doença após esse tratamento inicial”, afirma Lucas Medici, oncologista do Hospital Santa Rita de Cássia.
De acordo com o Ministério da Saúde, a distribuição dos medicamentos será gradual e poderá beneficiar cerca de 1,9 mil pessoas em todo o País.
“Estamos em diálogo contínuo com a indústria farmacêutica para viabilizar, da forma mais ágil possível, a oferta desses medicamentos no SUS”, disse a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri.
“A ampliação das opções de tratamento é fundamental para fortalecer o cuidado e representa um avanço na assistência oncológica, com potencial para beneficiar ainda mais pacientes”.
Opiniões
Esperança
“Para os pacientes que apresentam essas mutações e que não tinham expectativa, a disponibilização do brigatinibe e gefitinibe é uma esperança muito grande. O durvalumabe pode ser usado de forma mais ampla e, se oferecido para mais pacientes, pode trazer benefícios maiores”.
Melhor resposta
“Atualmente, o tratamento de câncer de pulmão deve estar relacionado à análise de genes do tumor. Essa análise pode evidenciar mutações no DNA do tumor que podem vir a ser alvos do tratamento, no caso do gefitinibe e brigatinibe, e com isso, gerar uma melhor resposta”.
Fique por dentro
Medicamentos
A partir de outubro, o SUS vai começar a disponibilizar três medicamentos de alta tecnologia para o tratamento de diferentes tipos e estágios do câncer de pulmão: brigatinibe, gefitinibe e durvalumabe.
Os medicamentos serão destinados a grupos específicos de pacientes, de acordo com as características clínicas e moleculares dos tumores e o estágio da doença, ampliando as opções de tratamento disponíveis na rede pública.
Segundo o Ministério da Saúde, a distribuição será gradual, conforme as tratativas de aquisição com os fornecedores e as características de cada tecnologia, e a previsão é de que cerca de 1,9 mil pacientes sejam beneficiados inicialmente em todo o País.
Brigatinibe e gefitinibe são terapias-alvo administradas por via oral. O brigatinibe atua em tumores com alteração no gene ALK, enquanto o gefitinibe bloqueia alterações relacionadas ao EGFR, interferindo nos sinais que estimulam o crescimento das células cancerígenas. Na rede privada, os dois medicamentos juntos podem ultrapassar R$ 604,2 mil por ano.
Já o durvalumabe é uma imunoterapia que potencializa a capacidade do sistema imunológico de combater as células cancerígenas. O medicamento será destinado a pacientes com câncer de pulmão em estágio III que não podem ser submetidos à cirurgia. Na rede privada, o medicamento pode custar mais de R$ 643 mil por ano.
No Espírito Santo, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que foram registrados 78 diagnósticos de neoplasia maligna dos brônquios e pulmões em 2026, dado que ajuda a dimensionar a presença da doença no ES.
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