Mudança nos critérios para identificar infarto
Diretriz internacional propõe três categorias ligadas à causa do problema e deve ajudar médicos a entenderem melhor o quadro
Uma nova definição internacional de infarto do miocárdio mudou a forma como os médicos devem identificar e classificar a doença.
A principal alteração é distinguir melhor os casos em que a elevação da troponina (proteína encontrada dentro das células do músculo do coração) no sangue indica um infarto daqueles em que o mesmo marcador aparece por outras condições que não envolvem o entupimento de uma artéria.
“A troponina continua sendo um indicador importante para diagnóstico de infarto. Mas é necessário que seja analisada junto de outros exames, como um eletrocardiograma ou ecocardiograma”, explicou o médico cardiologista Emilio Pereira Junior.
Pelos novos critérios, os infartos passam a ser classificados em três grandes grupos, de acordo com a origem do problema.
A mudança está na 5ª Definição Universal de Infarto do Miocárdio, publicada no periódico European Heart Journal.
“As novas definições foram feitas para simplificar o diagnóstico e melhorar o tratamento para o paciente. Agora, a troponina alta, por si só, não é sinônimo de infarto, uma vez que a quantidade dessa proteína pode aumentar com uma infecção, por exemplo, e não um infarto”, alertou Emilio Junior.
A nova classificação que separava os casos em tipos de um a cinco passa a agrupá-los conforme o mecanismo que desencadeou a lesão ou problema no coração.
O documento com as novidades foi elaborado por especialistas de 12 países e cinco continentes.
Diagnósticos
A adoção da nova definição para classificação de infarto pode corroborar para a redução de diagnósticos inadequados, destaca Augusto Neno, cardiologista da MedSênior.
“O principal benefício é reduzir diagnósticos inadequados, aumentar a precisão da identificação da origem do infarto e orientar melhor a conduta do médico devido à melhor compreensão do diagnóstico”, declarou o médico.
Nem todos os infartos acontecem devido aos mesmos mecanismos, e reconhecer as diferentes causas muda todo o tratamento, concluiu o cardiologista.
“Isso é importante porque a investigação, o tratamento e o acompanhamento do paciente podem ser diferentes em detrimento da causa do infarto”, concluiu.
Você sabia?
O infarto ocorre quando o fluxo de sangue para o coração é bloqueado. Sem sangue e oxigênio, o músculo cardíaco começa a sofrer danos, podendo levar à morte de parte do tecido do coração. Segundo o Ministério da Saúde, estima-se que 400 mil casos de infarto aconteçam por ano no Brasil.
Saiba Mais
Definição internacional
- Uma nova definição internacional de infarto do miocárdio mudou a forma como os médicos devem identificar e classificar a doença.
- A mudança está na 5ª Definição Universal de Infarto do Miocárdio, publicada no periódico European Heart Journal.
- O documento foi elaborado em conjunto pela Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), pelo American College of Cardiology (ACC), pela American Heart Association (AHA) e pela World Heart Federation (WHF), com especialistas de 12 países e cinco continentes.
Elevação de troponina
- A principal alteração é distinguir melhor os casos em que a elevação da troponina (proteína encontrada dentro das células do músculo do coração) no sangue indica um infarto daqueles em que o mesmo marcador aparece por outras condições que não envolvem o entupimento de uma artéria.
- Um mesmo resultado de troponina alta no sangue pode significar um infarto, ou uma entre mais de uma dezena de outras condições que não se relacionam com entupimento de artéria, como infecções.
Novas classificações
A nova definição aposenta a classificação que separava os casos em tipos 1, 2, 3, 4 e 5 e passa a agrupá-los em três grandes grupos, conforme o mecanismo que desencadeou a lesão no coração.
- Infarto primário: Ocorre devido a uma alteração aguda na própria artéria coronária.
- Infarto secundário: É provocado por outra condição que desequilibra a relação entre a quantidade de oxigênio que chega ao coração e a que o órgão necessita. Pode ser causado por anemia ou por infecção, dentre outros sintomas.
- Infarto terciário: É relacionado a um procedimento cirúrgico, e aparece como a complicação de uma intervenção cardíaca.
Exames associados
Além de não ser mais utilizada de forma isolada para a identificação de infarto, a análise da troponina deve ser feita junto de outros exames cardíacos associados.
Dentre os procedimentos indicados por médicos cardiologistas estão eletrocardiograma, ecocardiograma, análise do pulmão e de outros órgãos vitais do paciente e punção na artéria radial (braço) ou femoral (perna) com aplicação de contraste, sendo este último o procedimento mais complexo e delicado.
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