Surto de ebola pode se espalhar e chegar ao Brasil?
Especialistas avaliam que risco do vírus chegar ao País é baixo, já que há vigilância para identificar casos suspeitos
A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu alerta internacional após um novo surto de ebola na República Democrática do Congo, que já provocou dezenas de mortes e levantou preocupações sobre a disseminação da doença para outros países.
Apesar de existir, a chance do surto chegar ao Brasil, ou mesmo no Espírito Santo, é baixa, afirma João Gabriel de Moraes Pinheiro, pesquisador de epidemiologia e saúde coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
“Atualmente, o risco do ebola chegar ao Brasil e ao Espírito Santo é considerado muito baixo. Não existem casos confirmados no País, e o vírus não é transmitido facilmente como ocorre com doenças respiratórias, a exemplo da gripe ou da Covid-19”, afirmou.
Diferentemente da Covid-19, o vírus do ebola não é transmitido por vias aéreas, mas por contato direto com a pessoa infectada, explica Marcelino Na Blei, enfermeiro e pesquisador de doenças da Ufes.
“A transmissão do vírus acontece através de contato direto com a pessoa infectada, com matéria orgânica, roupas ou utensílios usados pela pessoa. Os sintomas são febre alta, dor de cabeça intensa, náusea, vômitos, erupção cutânea, sangramento, e outros”, explicou.
O risco do surto de ebola causar uma nova pandemia, como a de Covid-19, é nulo. É o que aponta Marcos Moura, médico infectologista e membro do comitê de saúde única da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
“Não há risco de uma pandemia global como a da Covid-19. O ebola não se espalha facilmente como o coronavírus, pois exige contato próximo com fluidos corporais. Se um caso chegasse ao País, seria rapidamente identificado, isolado e seus contatos monitorados”, disse.
O surto atual envolve a variante Bundibugyo, menos conhecida e ainda sem vacinas ou tratamentos específicos amplamente disponíveis. Isso dificulta o controle da doença, embora os sistemas de vigilância internacional estejam reforçados para identificar rapidamente casos suspeitos.
A OMS emitiu alerta devido ao histórico negativo que a doença tem na região onde o atual surto está acontecendo, destaca Rodrigo Ribeiro Rodrigues, diretor do Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen).
“Entre 2014 e 2016, os países da Guiné, Serra Leoa e Libéria passaram por um surto de ebola, com mais de 11 mil mortos. Por isso, ao perceber que a República Democrática do Congo estava com casos detectados, a organização emitiu o alerta internacional”, destacou.
Rapidez no aumento de casos preocupa OMS
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, expressou ontem, durante reunião do Comitê de Emergência da OMS, profunda preocupação com a velocidade e a escala do surto de ebola, à medida que o número de casos aumenta.
Houve 516 casos suspeitos e 33 casos confirmados no Congo, conforme um boletim diário publicado pelas autoridades de saúde, e dois casos em Uganda.
Tedros disse que “os números mudarão à medida que as operações de campo forem ampliadas, incluindo o fortalecimento da vigilância, do rastreamento de contatos e dos testes laboratoriais.
“Estou profundamente preocupado com a escala e a velocidade da epidemia”, declarou ele.
O comitê de emergência é composto por especialistas internacionais que fornecem aconselhamento técnico e recomendações ao diretor-geral da OMS.
Diversos fatores têm preocupado a OMS quanto ao potencial de maior disseminação, como os casos em áreas urbanas, incluindo Kampala, Uganda, e Goma, na República Democrática do Congo, bem como na província de Ituri, afetada por conflitos.
Os casos relatados entre profissionais de saúde também indicam transmissão associada à assistência médica, informou Tedros.
A OMS aprovou financiamento emergencial de US$ 3,9 milhões para apoiar as autoridades nacionais em sua resposta ao surto.
Fique por dentro
Surto de ebola
A variante Bundibugyo do vírus de ebola, menos conhecida e ainda sem vacinas ou tratamentos específicos disponíveis, é a causadora do surto atual.
O vírus teria matado 136 pessoas na República Democrática do Congo.
As autoridades do país relatam mais de 514 casos suspeitos e uma morte em Uganda, país da fronteira.
A organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que o surto na província de Ituri, no leste do Congo, constitui emergência de saúde internacional, sem preencher os critérios de uma pandemia.
Mortes no passado
Mais de 28.600 pessoas foram infectadas pelo ebola durante o período de 2014 a 2016, na África Ocidental, o maior surto do vírus desde a sua descoberta, em 1976.
Na época, a doença se alastrou por vários países, incluindo a Guiné, Serra Leoa, os Estados Unidos, o Reino Unidos e a Itália, provocando a morte de 11.325 pessoas.
Transmissão e sintomas
O Ebola é transmitido principalmente por meio do contato direto com sangue, suor, saliva, vômito, fezes e outros fluidos corporais de pessoas e animais infectados, além do contato com objetos contaminados.
Os sintomas iniciais incluem febre alta, dores no corpo, fraqueza intensa, dor de cabeça, vômitos e diarreia.
Nos casos mais graves podem ocorrer hemorragias e falência de órgãos.
Os sintomas iniciais podem ser confundidos com outras doenças infecciosas, como malária e dengue. Por isso , o histórico de viagem e do contato com áreas afetadas são importantes para o diagnóstico correto.
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