Procedimento permitiu gravidez após 15 abortos
Aline Barcelos, 41, conta como a embolização para tratar miomas fez parte do caminho até a chegada de Ester, hoje com seis meses
Durante anos, a empresária Aline Barcelos Coutinho Moreira sonhou em montar um quarto de bebê, mas precisou adiar esse plano depois de ter passado por 15 abortos. Ela chegou a duvidar que a maternidade pudesse fazer parte de sua história.
Foi nesse período que descobriu uma alternativa para tratar os miomas: a embolização das artérias uterinas. O procedimento preservou seu útero e integrou o tratamento que lhe permitiu continuar tentando engravidar. Hoje, aos 41 anos, ela celebra a chegada da pequena Ester, de seis meses.
A Tribuna — Em algum momento pensou que nunca conseguiria realizar o sonho de ser mãe?
Aline Barcelos — Foram anos de exames, tratamentos, tentativas, lágrimas e muitas perguntas sem resposta. Houve dias em que eu me perguntava por que aquilo estava acontecendo comigo. Mas eu nunca deixei de acreditar completamente. Mesmo quando a esperança parecia muito pequena, eu me agarrava a ela. Meu marido esteve ao meu lado em todos os momentos, e a fé me sustentou quando eu já não tinha forças.
Já havia escutado falar sobre a embolização?
Quando o médico apresentou a embolização como uma alternativa, minha primeira reação foi de surpresa. Eu conhecia muito pouco sobre o procedimento e, como acontece com a maioria das pessoas, a primeira coisa que fiz foi buscar informações e entender se realmente era uma opção segura e eficaz.
Conversei bastante com a equipe médica, esclareci todas as minhas dúvidas e entendi que aquela era a melhor opção para o meu caso.
Como foi descobrir que estava grávida depois de tantas perdas?
No dia 31 de maio de 2025, veio a notícia que mudou definitivamente a minha vida: descobri uma nova gravidez. Dessa vez era a nossa Ester. Ainda assim, eu vivi a gestação com muito respeito pela minha história. Em vez de fazer planos muito à frente, eu comemorava uma conquista de cada vez. Cada exame com boas notícias, cada ultrassom, cada semana completada era uma vitória.
O que sentiu ao segurá-la?
Quando finalmente pude segurar a Ester nos meus braços, senti que todos aqueles anos de luta, dor e perseverança encontravam um novo significado. Ela não apagou as perdas que vivi, mas trouxe uma alegria e uma esperança que eu jamais conseguirei descrever completamente.
A Ester é o maior presente da minha vida e a prova de que, mesmo depois dos momentos mais difíceis, a esperança pode florescer novamente e que a misericórdia de Deus floresce a todo amanhecer.
Mais opções para pacientes
Embora a cirurgia ainda seja o tratamento mais indicado para muitos casos de mioma e de próstata aumentada, ela deixou de ser a única alternativa. Em situações específicas, a embolização tem ampliado as possibilidades de tratamento sem a necessidade de grandes incisões.
Segundo o médico Murilo Pessanha Ferraz, diretor clínico e coordenador dos protocolos de infertilidade de baixa complexidade e trombofilias na Materlux, a técnica pode ser uma alternativa principalmente para mulheres que desejam engravidar no futuro, desde que a localização e as características do mioma sejam favoráveis.
Em alguns tipos de mioma, conforme explica o médico, uma cirurgia convencional exige cortes profundos na parede do útero, o que pode comprometer uma gestação futura. Nesses casos, a embolização pode preservar melhor o potencial reprodutivo.
Para o urologista Carlos Henrique Segall Júnior, a embolização também representa um avanço no tratamento da hiperplasia prostática benigna (HPB), condição que afeta cerca de 50% dos homens acima dos 50 anos.
O procedimento é indicado principalmente para pacientes com maior risco cirúrgico, homens que desejam preservar a ejaculação ou que preferem evitar cirurgias convencionais.
“Por meio de uma punção na veia, semelhante à realizada em um cateterismo, o médico radiologista intervencionista consegue ocluir as artérias da próstata. Com a redução do fluxo sanguíneo, a próstata vai diminuindo de tamanho e o paciente passa a ter alívio dos sintomas relacionados ao processo obstrutivo”.
Informação
Apesar dos benefícios das técnicas, o médico radiologista intervencionista Luiz Sérgio Pereira Grillo Júnior, diretor do Departamento de Intervenção Percutânea da Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (Sobrice), destaca que a população, em geral, não conhece essas alternativas, e muitos médicos generalistas ou de outras especialidades também desconhecem a disponibilidade dessas técnicas no Brasil.
“Grande parte dos procedimentos da Radiologia Intervencionista está contemplada no Rol de Cobertura Obrigatória da ANS (para planos de saúde) e no Rol de procedimentos do SUS”.
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