Primeira caneta emagrecedora genérica deve ser 35% mais barata
Medicamento deve ser até 35% mais barato nas farmácias, mas escolha da caneta exige decisão conjunta entre médico e paciente
O primeiro medicamento genérico à base de semaglutida foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Popularmente conhecida como “caneta emagrecedora”, a medicação foi aprovada para o tratamento do diabetes tipo 2, mas também é usada para a perda de peso.
Produzida pela farmacêutica EMS, a caneta genérica não possui nome comercial, conforme determina a regulamentação para medicamentos genéricos. Na prática, deve custar até 35% menos que o medicamento de referência.
Não havia, até então, uma versão genérica da semaglutida no Brasil. Isso porque a substância (princípio ativo do Ozempic, que teve sua patente expirada em março) é classificada como um medicamento biológico.
Essa versão genérica, segundo nota da EMS, tem como medicamento de referência o Ozivy, da própria EMS, que chegou ao mercado em junho de 2026. A versão genérica ainda precisa de definição de preço para chegar às farmácias.
Para a endocrinologista Maria Amélia Julião, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia no Espírito Santo (SBEM-ES), com a versão genérica, a expectativa é aumentar o acesso e trazer mais sustentabilidade ao tratamento.
“A chegada do genérico é um passo fundamental para os pacientes. O principal benefício prático é a concorrência no mercado, que tende a reduzir os custos e viabilizar a adesão a longo prazo, algo essencial para o controle de condições crônicas como diabetes tipo 2 e obesidade.”
Quanto à opção de uma versão genérica para o tratamento, a endocrinologista Priscila Pessanha explica que a escolha da caneta deve ser feita por meio de uma decisão compartilhada entre médico e paciente.
“Há uma série de fatores a serem considerados: se a molécula é biológica ou sintética, escalonamento da dose, forma de aplicação, modo de conservação e, claro, a possibilidade financeira do paciente na compra de uma medicação para tratamento de uma condição crônica.”
Sobre a comparação dos efeitos da caneta genérica com a versão de referência (o Ozivy), a endocrinologista Lusanere Cruz pontua que, com a nova aprovação, será possível observar os resultados na prática clínica. “Quem está usando, por exemplo, o Ozivy já está vendo efeitos”, afirma.
Novo remédio é aprovado
Um novo medicamento similar à base de semaglutida também foi registrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ontem para o tratamento do diabetes. Trata-se do Semaclique, do laboratório Germed.
O medicamento se junta a outros seis similares aprovados pela Anvisa, entre eles o Ozivy, da EMS.
Por nota, o Grupo EMS informou que o Semaclique será produzido sob o registro da Germed e comercializado pela Brace Pharma, unidade de prescrição médica da companhia.
“O consumidor que desejar adquirir este produto deverá pedir pelo Semaclique da Brace Pharma nas farmácias quando ele estiver disponível.”
O lançamento dos novos produtos no mercado ainda depende de definições de preço.
Saiba Mais
Medicamentos aprovados
- A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou ontem o registro de dois novos medicamentos injetáveis à base de semaglutida, um genérico e um similar.
- Ambos são agonistas do receptor de GLP-1 e têm indicação aprovada para o tratamento do diabetes tipo 2.
- A versão genérica, produzida pela farmacêutica EMS, não terá nome comercial, conforme as regras para esse tipo de medicamento. Já o similar, fabricado pelo laboratório Germed, será comercializado com o nome Semaclique.
- O lançamento dos novos produtos no mercado ainda depende de definições envolvendo o preço.
Como serão aplicados?
- Os medicamentos serão apresentados como solução injetável em canetas preenchidas, para aplicação semanal.
Apresentações aprovadas
A Anvisa autorizou quatro apresentações, sendo que todas contêm semaglutida 1,34 mg/ml:
- 1,5 ml: 1 caneta + 6 agulhas;
- 3 ml: 2 canetas + 10 agulhas;
- 1,5 ml: 1 caneta + 4 agulhas;
- 3 ml: 2 canetas + 8 agulhas.
Diferenças
- Medicamento de referência: é o produto original, desenvolvido após pesquisas e estudos que comprovaram sua qualidade, segurança e eficácia. Serve como parâmetro para outros medicamentos.
- Similar: também contém o mesmo princípio ativo e deve demonstrar eficácia e segurança equivalentes às do medicamento de referência. Possui nome comercial e marca própria.
- Genérico: tem o mesmo princípio ativo, dose, forma farmacêutica e indicação do medicamento de referência. Não possui marca comercial e deve comprovar equivalência terapêutica. Pela legislação, deve ser comercializado por preço pelo menos 35% inferior ao do medicamento de referência.
- Biológico: é produzido a partir de sistemas vivos, por processos biotecnológicos, e tem moléculas mais complexas. O Ozempic é um exemplo de medicamento biológico.
Outras aprovações
- OZIVY: foi aprovado em maio pela Anvisa e já chegou ao mercado. O medicamento, da EMS, foi a primeira semaglutida sintética brasileira a ser aprovada.
- Em julho foram aprovados: Owozy, da Ávita Care; Seemasun, da Sun Farmacêutica do Brasil; Zempneo, da Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica; Semavy, da Cosmed; Orsema, da Ranbaxy Farmacêutica.
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