Mães doaram mais de 2 mil litros de leite materno no ES
Doações aconteceram entre janeiro e junho deste ano no Estado. Apesar disso, estoques ainda estão abaixoda capacidade total
O aleitamento materno é uma das principais estratégias de proteção da saúde na primeira infância, e muitas mães encontraram uma forma de estender esse cuidado a outros recém-nascidos enquanto alimentam os próprios filhos.
No Espírito Santo, mais de 2 mil litros de leite materno já foram coletados entre janeiro e junho deste ano. Os dados são da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR), coordenada pelo Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz).
Entre as doadoras está a funcionária pública Aniely Tregnano, 36, que contribui todos os dias com o banco do Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), em Vila Velha.
Ela descobriu que estava produzindo mais leite do que sua filha, Beatriz, precisava e sentiu que poderia transformar esse excesso em um gesto de amor. “O que me motiva a continuar diariamente é justamente saber que, enquanto alimento a minha filha, também posso contribuir para a vida e a recuperação de outros bebês”, afirma.
A dentista Katja Luise Rocha, 36, mãe de Gabriel, também percebeu uma produção maior e buscou informações na internet para descobrir como doar.
“Por saber a importância do leite materno e dos nutrientes que ele possui, fico muito feliz em poder ajudar na recuperação desses bebês. Agradeço a Deus por permitir que a minha produção de leite esteja sendo dividida entre meu bebê e outros que estão internados”.
Segundo a enfermeira do banco de leite do Himaba Daniela Castro, bebês prematuros, recém-nascidos de baixo peso e crianças com cardiopatias são os mais beneficiados com o leite doado.
Estoque
Mesmo com muitos bons exemplos, os bancos de leite materno do Estado ainda operam com estoque abaixo da capacidade. O Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam), em Vitória, por exemplo, está atualmente com apenas 15% do volume total de armazenamento.
A nutricionista e responsável técnica pelo banco de leite humano do hospital, Letícia Rodrigues, explica que não há motivos para ter receio em doar. “A mama funciona como uma fábrica: quanto mais estimulada e esvaziada, mais leite ela produz. A doação não reduz a quantidade disponível para o filho; pelo contrário, estimula o aumento da produção.”
Fique por dentro
> O leite materno é considerado um alimento “padrão ouro” por ser o mais completo para o bebê e ser composto por nutrientes, células de defesa, DNA e célula-tronco.
> O mês de agosto é marcado pela campanha “Agosto Dourado”, que conscientiza sobre a importância do aleitamento materno.
> De janeiro a junho deste ano foram coletados 2.287,70 litros de leite materno no Espírito Santo.
> Durante esse período, o Estado registrou 807 doadoras e 1.249 receptores, além de 8.229 atendimentos individuais, 769 atendimentos em grupo e 2.555 visitas domiciliares.
> No estado, hospitais como o Himaba, Hucam e Hospital da Polícia Militar contam com bancos de leite.
> As doações são coletadas nas casas das doadoras após cadastro, orientações dos profissionais e exames.
Onde doar
- Hucam (Vitória): 3335-7515.
- Himaba (Vila Velha): 3636-3151.
- HPM (Vitória): 3636-6568.
- Pró-Matre (Vitória): 3025-0230.
- HMIS (Serra): 3500-1500.
- Hifa (Cachoeiro): (28) 2101-5604.
- São José (Colatina): 2102-2144.
Coleta em casa
“A coleta do leite doado acontece em domicílio, a doadora não precisa se deslocar até o BLH. É feito um cadastro, uma triagem de saúde com alguns exames, fornecido vidros e EPI’s. Essa doadora recebe orientações de como realizar a ordenha e armazenamento do leite e a partir daí, ela faz parte da nossa rota de coleta de leite humano no domicílio”, disse a capitã Ramyelle Mayse dos Santos, enfermeira do banco de leite materno do HPM.
Alimento essencial
“O leite materno é um tecido vivo, que tem células de defesa, DNA e célula-tronco, além de ser um alimento limpo. A campanha do Agosto Dourado este ano é “Um começo de vida sustentável”, pois o consumo de fórmulas também afeta o meio ambiente, com a pegada de carbono emitida e o consumo de água. Com o leite materno, temos um alimento essencial para os bebês”, afirmou Letícia Rodrigues, responsável técnica pelo banco de leite do Hucam.
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