Por que o câncer de mama está mais comum em jovens?
Casos envolvendo pacientes com menos de 35 anos subiu de 2% para 5%. Especialistas explicam as possíveis causas desse aumento
Após a neta do humorista Carlos Alberto de Nóbrega, Bruna Furlan, 24 anos, revelar o diagnóstico de câncer de mama, o debate sobre o avanço da doença entre mulheres jovens ganhou destaque. Convidados por A Tribuna, médicos explicam as possíveis causas desse aumento e orientam sobre prevenção e diagnóstico precoce.
Dados de 2022 da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) revelam que a incidência da doença em mulheres com menos de 35 anos agora representa 5% do total de casos, ante os 2% registrados anteriormente.
Segundo a oncologista Virgínia Altoé Sessa, ainda é difícil afirmar com certeza o que tem causado esse aumento, apesar de o estilo de vida menos saudável ser uma das grandes pistas.
“Na nossa sociedade, estamos vivendo sob maiores níveis de estresse, adotando hábitos mais sedentários e consumindo mais alimentos ultraprocessados. Esses fatores, juntos, podem contribuir para essa realidade”.
Além dos hábitos, a genética também tem um peso nos casos considerados precoces, como explica a oncologista da Unimed Vitória, Cintia Givigi.
“Quando falamos de mulheres diagnosticadas com menos de 40 anos, cerca de 25 a 40% têm casos de câncer de mama na família”.
A médica reforça que o histórico familiar requer que a investigação comece mais cedo.
“O rastreamento precoce é indicado quando existe um fator de risco, como histórico familiar importante ou mutações genéticas identificadas por um médico. Fora isso, infelizmente não há benefícios que comprovem que vale a pena rastrear mais cedo”.
Por isso, a oncologista do Ellas Oncologia, Caroline Secatto, diz que os casos fora desses fatores costumam ser diagnosticados quando a doença já está em estágio avançado.
“Muitas vezes, o câncer é descoberto apenas quando o nódulo já é palpável, o que pode significar um diagnóstico mais avançado. Além disso, mulheres jovens têm mamas mais densas, outro fator que dificulta fechar o diagnóstico”.
Para a oncologista do Vitória Apart e Oncomédica, Luana Pesculite, a orientação é conhecer o próprio corpo. “As mulheres precisam criar o hábito constante de se observar para identificar qualquer alteração nas mamas”.
Virgínia também diz que é importante reduzir riscos. “Ninguém está imune a um câncer. Por isso é essencial manter uma vida mais saudável e o acompanhamento médico regular”.
Rastreio deve ser feito a partir dos 40 anos
Mesmo com os casos em mulheres jovens, a orientação é iniciar o rastreio do câncer de mama aos 40 anos, já que a chance de desenvolver a doença aumenta com o tempo, exceto em casos excepcionais. O exame básico para o diagnóstico é a mamografia, uma radiografia das mamas.
O oncologista e mastologista Marcos Cecatto diz que a doença só é rastreada em mulheres mais jovens se for identificada a existência de histórico familiar ou de mutações genéticas.
“No caso de mulheres que têm na família parentes que já tiveram câncer de mama ou que apresentam uma série de mutações genéticas identificadas por um médico, a orientação é antecipar o rastreamento”.
Apesar de casos em mulheres jovens, o médico reforça que ainda não há evidências científicas suficientes que possam sustentar a mudança desse protocolo. Para as mulheres a partir de 40 anos, o rastreamento deve ser feito anualmente.
“Além do exame de mamografia, costumo indicar para as minhas pacientes a associação do exame de ressonância mamária, principalmente para aquelas que apresentam uma mama mais densa”, afirma o médico.
Marcos reforça que a realização do exame é indispensável. “Toda mulher na faixa etária indicada deve realizar o exame. Quanto mais cedo descobrimos um câncer, maiores as chances de cura”.
Entenda
Incidência aumenta a partir dos 40 anos
Câncer de mama
É a multiplicação desordenada de células anormais nas mamas, formando um tumor que pode invadir outros tecidos.
É o tipo mais comum de câncer entre mulheres, representando cerca de 25% dos casos.
As taxas de incidência aumentam a partir dos 40 anos. No Brasil, a média de idade ao diagnóstico é de 54 anos, segundo o Ministério da Saúde.
Em mulheres jovens
Em 2020, 21,8% das pacientes com esse câncer tinham menos de 40 anos, de acordo com dados do Instituto do Câncer.
Apesar de ser difícil afirmar os motivos para esse cenário, médicos apontam que o estilo de vida menos saudável pode ser um dos fatores.
A genética é outro fator relacionado aos casos precoces. Médicos apontam que 25 a 40% das mulheres diagnosticadas antes dos 40 anos apresentam histórico familiar.
Fatores de risco
Exposição hormonal: Menarca precoce, menopausa tardia e Terapia de Reposição Hormonal.
Estilo de vida: Obesidade, sedentarismo, álcool, tabagismo, estresse e alto consumo de alimentos ultraprocessados.
Genética: Histórico de casos de câncer de mama na família.
Idade: Risco aumenta com a idade, especialmente a partir dos 40 anos.
Rastreamento
No geral: Deve começar aos 40 anos, com a realização anual do exame de mamografia.
Casos específicos: Mulheres com histórico familiar ou com mutações genéticas devem começar mais cedo, seguindo orientação médica.
Cuidados
Estilo de vida: Manter alimentação saudável e a prática de atividades físicas.
Acompanhamento: Ir a consultas anuais com um ginecologista.
Autoconhecimento: Conhecer o corpo e observar a mama para reconhecer alterações.
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