Mais jovens buscam médicos por tratamentos para dores nas costas
Estilo de vida moderno, marcado pelo uso excessivo de telas e sedentarismo, está entre as causas em pessoas de até 28 anos
Dores na coluna estão se tornando uma condição mais frequente entre jovens, apontam especialistas. O estilo de vida moderno – marcado pelo sedentarismo, uso excessivo de telas, e má postura – está entre os fatores que intensificam esse problema em pessoas de até 28 anos.
“Os hábitos influenciam diretamente nesse problema. Ficar sentado curvado por horas na frente de uma tela e não fortalecer a musculatura da coluna eleva o risco de dores musculares e desenvolvimento de problemas que até poucos anos atrás eram considerados de pessoas idosas”, explica o ortopedista Nilo Neto.
Estudos recentes mostram aumento de dores nas costas, destaca o ortopedista Bruno Terra.
“Jovens de 15 a 29 anos têm relatado um aumento de até 40% nos casos de dor lombar e cervical nos últimos anos”, pontuou.
Atualmente, é comum trabalhar, por horas em frente a um computador. O engenheiro de dados Leandro Furlam, 27, além de trabalhar em casa, faz doutorado a distância. As longas horas sentado de forma incorreta ocasionaram dores na lombar e ele precisou procurar fisioterapia para obter ajuda.
“Eu ficava com a postura torta na cadeira, sentava por cima do pé. Depois de uns seis meses, comecei a sentir muita dor na lombar, e isso já foi há dois anos. Hoje faço fisioterapia e alongamento para fortalecer a musculatura das costas para aguentar o dia todo sentado”, conta Leandro.
Sentir dores nas costas e não procurar ajuda pode levar a consequências graves, como degeneração precoce dos discos da coluna, que é a hérnia de disco, destaca o ortopedista Jefferson Coelho.
“A hérnia de disco pode irradiar para a perna do paciente. O disco é afetado pela má postura e começa a “pinçar” os nervos. Tudo isso pode ser acelerado com maus hábitos em relação à coluna”, disse.
Leandro afirma que, após anos de fisioterapia e exercícios, sente melhora nas dores, mas precisa manter os alongamentos na rotina.
“Se eu não me mantiver fortalecido, a conta vem na semana seguinte. Eu volto a sentir dores na lombar e mal-estar por ficar sentado por muito tempo”, afirmou.
Fique por dentro
Sedentarismo piora o problema
Dores nas costas
Problema na coluna, a famosa “dor na costas”, está se tornando mais comum em consultórios médicos, apontam ortopedistas. O que antes era considerado um problema relacionado a pessoas de idade mais avançada está sendo associado também a jovens.
O que explica?
Mudanças no estilo de vida moderno, marcado pelo sedentarismo, explicam o aumento de casos clínicos de dores na coluna. Os especialistas apontam os seguintes fatores:
Ficar sentado por várias horas seguidas em frente a um computador durante o trabalho ou em uma postura incorreta mexendo no celular.
O Home Office também eleva as chances de aumento de dores na coluna. O profissional passa horas sentado, muitas vezes em uma cadeira inadequada, e não faz intervalos, aumentando a pressão entre os discos da coluna.
Excesso de carga em exercícios físicos também é um dos fatores que estão aumentando as dores nas costas de jovens. Muitos realizam séries de exercícios sem a supervisão adequada e acabam lesionando músculos e desgastando os discos da coluna.
Quais as consequências?
Se mantidos por muito tempo, esses hábitos podem levar a:
- Dores crônicas nas costas e no pescoço
- Hipercifose (corcunda)
- Escoliose funcional (por postura)
- Retificação cervical (perda da curvatura natural)
- Enfraquecimento muscular
- Tensão e espasmos musculares
- Hérnias de disco precoces
- Cefaleias cervicogênicas (dores de cabeça originadas na coluna cervical)
- Redução da mobilidade e flexibilidade
Como prevenir?
Manter o celular na altura dos olhos.
Ajustar mesa e cadeira de forma que as costas fiquem apoiadas, os pés fiquem apoiados no chão e os joelhos a 90 graus.
Evitar estudar na cama ou sofá por longos períodos.
Fazer pausas e se movimentar a cada 40 ou 60 minutos.
Levantar da cadeira, se alongar e caminhar.
Fazer pequenas rotações de ombro, alongamento de pescoço e lombar.
Praticar fortalecimento muscular na academia com orientação adequada.
Realizar atividades como pilates, natação ou treinamento funcional.
De cinco a 15 minutos de atividade diária já fazem diferença.
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