Ficar sem sexo ajuda a focar em outras áreas da vida?
Celebridades têm declarado a escolha pela abstinência sexual para mudar o foco, reacendendo debate sobre o tema
Aos 43 anos, a atriz Grazi Massafera resolveu adotar o celibato, e diz que está “sendo maravilhoso”. A cantora espanhola Rosalía, 33, se absteve do sexo de forma voluntária para lançar o álbum “Lux”. Celebridades têm declarado publicamente a escolha pela abstinência sexual para focar em outras áreas da vida, reacendendo o debate sobre o tema.
Em entrevista à revista Quem, publicada na semana passada, Massafera afirma que um dos motivos para escolher o celibato é para focar em outras questões.
“A energia sexual é muito potente e pode se transformar em potência criativa. Aquele furor dá uma baixada e faz você olhar a vida sob outras perspectivas”, disse ela.
Para o psicólogo e terapeuta sexual Dínerson Fiuza, essa canalização existe. “A libido geralmente é utilizada de forma sexual, mas pode ser usada de diversas formas, como no trabalho, na carreira, numa viagem”, explica.
“Quando usamos nossa libido em relações sexuais, a gente gasta essa energia. Vem aquele período de latência que nos deixa muito introspectivos”.
Já Laís Melq, psicóloga com atuação na área da sexualidade, acredita que, fisiologicamente, não funciona do mesmo jeito para todos. “A sexualidade é uma experiência pessoal. Se você acredita que dessa forma consegue ser mais criativa, ótimo”, afirma.
“Uma coisa é estar focada na carreira, na relação ou na família. Se você tem cinco coisas, tende a dividir a energia, fica menos para cada um”.
A psicóloga alerta que é importante entender o porquê da decisão, que pode ser uma forma de mascarar um problema, como traumas passados ou relacionamentos abusivos. “O celibato vem para me aproximar de mim mesma ou vem para me proteger do outro?”, questiona.
Pode ser ainda uma forma de evitar enfrentar uma situação para não se decepcionar, diz Melq.
“Às vezes, a pessoa não se sente adequada o suficiente e evita se colocar nessas relações para não aumentar sua vergonha com o corpo”.
A abstinência pode ser uma forma de regulação emocional, para o paciente se reorganizar e entender o que é importante para ele, afirma Melq.
“Quando percebo que, quando me conecto com o outro, isso me distrai, isso me desconcentra de um objetivo maior, o que pode ser vantajoso”, diz.
“Desejo sexual é igual para ambos”
A sexualidade não é vivida apenas pelo sexo, afirmam os psicólogos, e ninguém morre se ficar sem transar. Tampouco há diferenças no celibato para homens ou mulheres.
“O desejo sexual é igual para ambos. O homem tem é mais liberdade para exacerbar isso, por uma questão de educação e religião”, afirma Fiuza.
Para o terapeuta, um ponto negativo é o celibatário se sentir à margem da sociedade, enquanto outras pessoas ao seu redor estão interagindo, saindo e paquerando.
O celibatário pode ainda perder a oportunidade de gerar um vínculo íntimo com outras pessoas, afirma Melq.
“Há a fala de que alguém não precisa de sexo, não precisa do outro para se relacionar. É preciso aprender a customizar muito mais do que só se abster de tudo”, diz a psicóloga.
Grazi Massafera, em entrevista à revista Quem, garante que não está fechada para novos amores. E diz: “você não precisa fazer celibato. É a escolha de cada um, mas é o que estou fazendo nesse momento e está sendo maravilhoso”.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários