Golpe com IA usa imagem de Fernanda Montenegro e Fagundes para vender falso remédio
Propagandas enganosas que prometem a cura ou o alívio de sintomas do Alzheimer usam voz e imagem dos artistas
Fernanda Montenegro e Antonio Fagundes denunciaram o uso não autorizado de suas imagens em anúncios de medicamentos para Alzheimer, incluindo uma propaganda que prometia benefícios e até a cura da doença. Em vídeo publicado nesta quinta-feira (10) no Instagram, os dois artistas classificaram os anúncios como falsos e criminosos.
Os atores alertaram o público para o risco de ser enganado por propagandas que podem influenciar decisões relacionadas à saúde, especialmente quando associam nomes conhecidos a supostos tratamentos milagrosos. Eles reforçaram que não autorizaram o uso de imagem, voz ou qualquer vínculo com esses produtos.
Denúncia de uso indevido de imagem e voz
Em sua fala, Fernanda Montenegro destacou o uso abusivo de sua imagem e voz em uma peça publicitária que a colocava como se fosse usuária e locutora de um remédio para Alzheimer. O suposto medicamento era apresentado com promessas que iam além do alívio de sintomas, sugerindo até a cura da doença.
"Quero denunciar e protestar o uso agressivo, ofensivo da minha pessoa, usada como locutora e usuária de um tipo de remédio indicado até por um médico"
Segundo a atriz, o anúncio atribuía ao produto efeitos que iam além do alívio de sintomas e prometia, de forma enganosa, a cura da doença.
"Esse remédio, milagrosamente, não só alivia o desassossego físico dos idosos, como principalmente até cura os que têm Alzheimer. Esse falso anúncio é um ato criminoso"
Fagundes fala em crime e alerta para riscos à saúde
Antonio Fagundes também relatou o uso de sua imagem para a venda de medicamentos e reforçou que não autorizou a associação de seu nome aos produtos. Ele classificou a prática como enganosa e ofensiva, ressaltando o potencial dano à população.
"Uma empresa aí qualquer tem usado minha imagem para vender remédios. É falso, é mentiroso, é ofensivo, é criminoso"
O ator alertou que a situação pode ter consequências que vão além da violação do direito de imagem, especialmente quando uma pessoa conhecida é usada para transmitir uma falsa sensação de segurança sobre um produto de saúde.
"Essa atitude criminosa é mais grave ainda quando pode ameaçar a vida e a integridade de outras pessoas. Por favor, não se deixem enganar por falsas mensagens"
Promessas de cura para Alzheimer e dúvidas sobre remédios
No caso do Alzheimer, promessas de cura ou de efeitos milagrosos exigem atenção especial. A doença ainda não tem cura, e os tratamentos disponíveis têm objetivos específicos, que podem incluir o controle de sintomas ou o retardamento da progressão do declínio cognitivo em determinados pacientes.
Uma revisão publicada em maio na Cochrane Library, base internacional de análise de evidências científicas, questionou a relevância clínica de medicamentos desenvolvidos para reduzir as placas da proteína beta-amiloide no cérebro. Essa proteína é produzida naturalmente pelo organismo, mas pode se acumular de forma anormal entre os neurônios em pessoas com Alzheimer.
O processo prejudica a comunicação entre as células e está associado à degeneração cerebral característica da doença. A análise reuniu 17 ensaios clínicos sobre diferentes medicamentos que atuam sobre essas placas.
Segundo a revisão, embora os fármacos possam reduzir o acúmulo de beta-amiloide, não foi demonstrado impacto clinicamente relevante na capacidade dos pacientes de realizar atividades cotidianas. Os efeitos foram descritos pelos autores como pequenos, na melhor das hipóteses.
Especialistas também apontam limitações na revisão, mas reconhecem que os benefícios observados com essas terapias são modestos. Dois medicamentos dessa classe, donanemabe e lecanemabe, já foram aprovados para uso no Brasil.
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