Médicos buscam voluntários para testar tratamento e melhorar desempenho no sexo
Podem participar do estudo homens com 18 anos ou mais que apresentem queixas de disfunção erétil e ejaculação precoce
Falhar na “hora H” ou não conseguir fazer a relação sexual durar tanto tempo. Esses assuntos tendem a ser tabus para diversos homens. Apesar de pouco falado, cerca de 30% dos homens têm ejaculação precoce, enquanto 50%, com mais de 40 anos, apresentam algum grau de disfunção erétil no Brasil, segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).
As condições, porém, podem se associar, causando um impacto ainda mais expressivo na vida do homem. Mas médicos pesquisadores do Espírito Santo estão em busca de 264 pacientes para participarem de uma pesquisa clínica que testa uma nova combinação de medicamentos para tratar as duas condições.
O estudo, conduzido no Estado pelo centro de pesquisa clínica Cenders, é nacional e oferece acompanhamento médico, exames e tratamento sem custo aos participantes.
Podem participar homens heterossexuais com 18 anos ou mais, que estejam em relacionamento estável com uma parceira, tenham, pelo menos, uma relação sexual ou tentativa uma vez por semana e apresentem as duas queixas: disfunção erétil e ejaculação precoce.
Segundo o urologista e pesquisador Pedro Daher, as duas condições são diferentes, mas podem estar relacionadas.
A insegurança provocada pela dificuldade de manter a ereção, por exemplo, pode contribuir para uma ejaculação mais rápida. Nesse caso, pode ocorrer a chamada ejaculação precoce secundária.
“Temos critérios e questionários para avaliar se esse paciente é elegível para a pesquisa”, explicou.
Os pacientes serão acompanhados durante oito semanas, período em que farão uso de duas medicações associadas.
Combinação
“Estamos avaliando a associação de dois medicamentos que já existem, um voltado para a disfunção erétil e outro para a ejaculação precoce, para saber se essa combinação oferece uma resposta melhor para pacientes que apresentam as duas condições ao mesmo tempo”, explica a médica e pesquisadora Maria Clara de Castro e Caetano.
Hoje, de acordo com a médica, tem poucos medicamentos que estão efetivamente em bula para tratar a ejaculação precoce. “Há mais opções voltadas para a disfunção erétil. Por isso, a ejaculação precoce muitas vezes acaba ficando em segundo plano”.
Problema é sinal de alerta para a saúde cardiovascular
Uma dificuldade que muitos homens preferem esconder pode ser também um sinal de alerta para a saúde cardiovascular.
A disfunção erétil não afeta apenas a vida sexual: estudos mostram associação entre o problema e um risco maior de doenças cardiovasculares.
Segundo o urologista e pesquisador Pedro Daher, os sinais podem aparecer aproximadamente cinco anos antes de um evento cardiovascular.
Isso acontece porque a ereção depende do bom funcionamento dos vasos sanguíneos. Alterações vasculares que ainda não provocaram sintomas mais graves podem afetar primeiro os vasos do pênis, que são menores, tornando a dificuldade de ereção um possível marcador precoce de problemas circulatórios.
Daher explica que um homem que começa a apresentar disfunção erétil deve ter toda sua saúde avaliada. A evidência científica também aponta nessa direção.
Uma revisão publicada no Journal of Sexual Medicine, com 25 estudos e mais de 154 mil participantes, encontrou risco 43% maior de doença cardiovascular entre homens com disfunção erétil, além de aumento do risco de doença coronariana, AVC e mortalidade por todas as causas.
“A disfunção sexual também causa um transtorno psíquico, levando à piora da autoestima e um distanciamento do relacionamento, por isso deve ser tratada”, destaca.
Avaliação
Estudo rápido
“É uma avaliação de um medicamento para o tratamento tanto da disfunção erétil, que é a dificuldade de ereção, quanto da ejaculação precoce. Os participantes precisam ter as duas condições. É um medicamento semelhante à tadalafila, com outro composto que ajuda na ejaculação precoce.
É um estudo relativamente rápido, com duração de aproximadamente de dois a três meses”.
Fique por dentro
Disfunção erétil
- É a incapacidade do homem conseguir obter e manter uma ereção do pênis suficiente que possibilite uma atividade sexual satisfatória. Pode ser um sinal de doenças crônicas em atividade ou mesmo problemas psicológicos, afetando a qualidade de vida dos pacientes e de suas parceiras.
- Nem sempre o fato de não conseguir ter uma ereção adequada se traduz em disfunção erétil, porém se isso ocorrer de forma frequente, o ideal é consultar um médico urologista para uma avaliação adequada
Ejaculação precoce
- Prematura ou rápida, segundo a Sociedade Internacional de Medicina Sexual (ISSM) é a disfunção sexual masculina caracterizada pela ejaculação que ocorre sempre, ou quase sempre, quando o tempo desde a penetração até a ejaculação passa a ser insatisfatório para o homem ou para o casal.
- Estima-se que 100 milhões de homens no mundo apresentem disfunção erétil, sendo esta a mais comum disfunção sexual encontrada nessa população após os 40 anos. No Brasil, a prevalência se aproxima de 50% após os 40 anos, algo em torno de 16 milhões de homens.
- Sua incidência é considerada alta, ocorrendo em cerca de 30% dos homens.
Pesquisa
- Pesquisadores do Estado estão recrutando 264 homens para testar uma associação de dois medicamentos já conhecidos: um para disfunção erétil e outro para ejaculação precoce. A proposta é avaliar se a combinação apresenta resultado superior ao uso isolado.
Como funciona?
- O participante recebe a medicação antes da relação sexual. O estudo é duplo-cego, ou seja, nem o voluntário nem a equipe sabem inicialmente quem recebe a combinação ou o medicamento de controle.
Quanto tempo dura?
- Cerca de oito semanas, com duas a três consultas presenciais e acompanhamento complementar por telemedicina.
Quem pode participar?
- Homens com 18 anos ou mais, em relacionamento estável heterossexual, com atividade sexual ou tentativa de relação pelo menos uma vez por semana e que apresentem queixas compatíveis com disfunção erétil e ejaculação precoce.
Há custo?
- Não. Medicamentos, exames, como de sangue, de testosterona e avaliação cardíaca são oferecidos gratuitamente.
Contato
- Telefone: (27) 99311-5921 e www.cenders.com.br.
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