Crianças e adolescentes podem consumir whey protein?
Especialistas orientam que a alimentação natural é suficiente para garantir a ingestão proteica diária das crianças
O consumo de whey protein e creatina, antes restrito a atletas e adultos do universo fitness, tem chegado cada vez mais cedo à rotina de crianças e adolescentes, muitas vezes incentivado pela busca dos pais por hábitos considerados mais saudáveis.
O assunto ganhou ainda mais destaque após a influenciadora Carol Borba revelar que adiciona whey e creatina à mamadeira da filha de três anos. Mas será que crianças e adolescentes podem consumir esses suplementos?
Ainda que a proteína seja essencial no crescimento e no desenvolvimento de crianças e adolescentes, suplementá-la nesse público não é recomendado por médicos e nutricionistas.
Até a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) emitiu um comunicado aos pais, esta semana, sobre o assunto:
“O uso de suplementos proteicos à base de whey protein e de creatina não é indicado para crianças saudáveis e não deve ser adotado de forma rotineira na adolescência”, afirmou a nota da SBP.
Segundo a pediatra nutróloga Maria Carolina de Pinho Porto, do Departamento Científico de Nutrologia da SBP, o recomendável para todas as crianças saudáveis, que não têm nenhuma indicação, é a alimentação natural e saudável.
“As crianças alcançam facilmente a quantidade de proteína que elas têm de ingerir, somente com alimentação. Não indicamos pelas consequências que podem advir desse hábito que não é adequado, podendo, pelo excesso de proteína, ter uma sobrecarga renal e hepática”, adverte.
A ingestão proteica de uma criança, para atingir a necessidade do dia, é pequena, destaca a nutricionista materno-infantil Nicolle Fiorot.
“Por exemplo, uma criança de 10 quilos necessita de oito a nove gramas de proteína ao dia. Isso é facilmente atingido com uma alimentação variada e equilibrada”, pontuou a especialista.
Nicolle chama a atenção ainda quanto às bebidas proteicas vendidas em mercado, que são ricas em adoçantes e estão cada vez mais presentes nas lancheiras das crianças.
“Ao longo do dia, se a criança comer carnes, ovos, derivados do leite ou o próprio leite, ela já vai conseguir atingir as necessidades”, afirmou.
A nutróloga pediátrica Bruna Tanure ressalta que todo excesso tanto de proteína quanto de carboidrato vira um depósito de gordura no organismo.
“Isso pode virar obesidade, sobrecarregar os rins, se essa criança não tiver uma função renal adequada.”
Saiba mais
Whey protein e creatina
São suplementos alimentares muito conhecidos entre pessoas que praticam atividade física.
Whey protein: é uma proteína retirada do soro do leite e costuma ser divulgada para ganho de massa muscular.
Creatina: é uma substância produzida pelo próprio corpo e também encontrada em carnes e peixes. Ela ajuda na produção de energia dos músculos.
Crianças precisam de suplementação?
Na maioria dos casos, não. Em média, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a necessidade diária de proteína de crianças e adolescentes saudáveis varia entre 0,85 e 0,95 grama por quilo de peso corporal, o que normalmente já é alcançado sem dificuldade na rotina alimentar, com alimentação equilibrada.
Alimentos como carnes, ovos, leite e derivados, feijão, cereais, frutas, legumes e verduras já oferecem proteínas e outros nutrientes importantes para o crescimento saudável.
Na prática, segundo a SBP, muitos jovens já consomem proteína acima do necessário.
O consumo desses suplementos tem crescido entre crianças e adolescentes, muitas vezes sem orientação médica ou nutricional.
Quando a suplementação pode ser indicada?
O uso de suplementos proteicos é reservado para situações específicas, como desnutrição, doenças crônicas, problemas de absorção intestinal ou aumento importante da demanda nutricional. Mesmo nesses casos, a suplementação deve acontecer apenas com avaliação e acompanhamento profissional.
Riscos do consumo excessivo
O excesso de proteína pode sobrecarregar órgãos e sistemas do corpo, principalmente em crianças e adolescentes.
Entre os possíveis efeitos estão sobrecarga dos rins, aumento da produção de ureia, alterações no fígado, mudanças metabólicas, estímulo exagerado de hormônios ligados ao crescimento e maior risco de ganho de gordura corporal.
Além disso, muitos suplementos possuem corantes, conservantes, aromatizantes, adoçantes e emulsificantes.
Recomendação
A recomendação é priorizar: alimentação variada, comida de verdade, hábitos saudáveis e educação nutricional.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários