Brasileiros vivem mais, mas passam 12 anos com doenças
Problemas no coração e neurológicos estão entre os principais que podem comprometer a capacidade funcional de idosos no País
Os brasileiros nunca viveram tanto, mas também nunca passaram tantos anos doentes. Estudo publicado na revista científica The Lancet Public Health mostra que, em média, a população passa 12,5 anos da vida com alguma doença ou limitação.
A presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia no Estado (SBGG-ES), Fernanda Sperandio Cott Paiva, afirmou que, no Brasil, doenças cardiovasculares, osteomusculares, neurodegenerativas, condições metabólicas e transtornos mentais estão entre os principais problemas que podem comprometer a capacidade funcional dos idosos.
“É importante lembrar que em idosos o comprometimento da qualidade de vida muitas vezes não decorre de uma doença isolada, mas da multimorbidade — a combinação de várias doenças crônicas — e de suas consequências sobre mobilidade, cognição, autonomia e independência”.
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O imunologista e professor do Departamento de Patologia da Ufes, Daniel Gomes, salientou que, embora os efeitos do envelhecimento se tornem mais evidentes após os 60 a 65 anos, muitos dos processos biológicos que levam às doenças crônicas começam antes.
“Envelhecer com saúde não depende apenas da genética. Depende também do estilo de vida. Pequenas escolhas feitas de forma consistente têm um impacto muito maior do que mudanças radicais iniciadas apenas na velhice”.
A pós-doutora em Educação Física e integrante do Grupo de Estudos em Fisiologia Translacional Aplicada à Saúde, Esporte e Rendimento Humano da Ufes, Roberta Luksevicius Rica, frisou que envelhecer com qualidade é um processo que começa antes da terceira idade. “Hábitos saudáveis precisam ser incorporados ao longo de toda a vida e não apenas quando surgem doenças ou limitações”.
Para a especialista, embora a população conheça a importância da atividade física, alimentação equilibrada, sono adequado e de evitar o cigarro e o consumo excessivo de álcool, transformar esse conhecimento em rotina é um desafio.
“Incentivar a atividade física na 3ª idade exige mais do que orientação individual. É preciso criar ambientes acolhedores e cidades mais adaptadas para que os idosos consigam manter uma rotina ativa”.
Tratamento
Evitar cirurgia
A aposentada Gyslene Frizzera, de 65 anos, começou a fazer hidroginástica há dois anos, logo após ser diagnosticada com desgaste da cartilagem nos joelhos.
A prática foi recomendada pelo médico como parte do tratamento para aliviar os sintomas e tentar evitar uma cirurgia. Desde então, ela mantém a atividade regularmente. “Está sendo muito bom para aliviar as dores que sentia”, revelou.
Hidroginástica
“Faria todos os dias”
Há três anos, a aposentada Noemia Gomes Santos, 70, incorporou a hidroginástica à rotina após receber o diagnóstico de artrose.
Noemia começou a praticar a atividade quando ainda morava em Linhares e, desde julho, mantém as aulas em Vitória. Hoje, frequenta a hidroginástica três vezes por semana. “Se eu pudesse, faria todos os dias”.
Saiba Mais
Estudo
- Um estudo publicado na revista científica The Lancet Public Health – que analisou dados de 204 países e territórios entre 1990 e 2023 – apontou que o brasileiro está vivendo mais, mas uma fatia cada vez maior dessa vida é passada com algum problema de saúde.
- Segundo o levantamento, o tempo médio vivido com doença passou de 10,4 para 12,5 anos em pouco mais de 30 anos. Isso significa um aumento de 2,1 anos, ou 20%.
- O país aparece na 16ª posição entre os 204 países e territórios analisados, no ranking das nações com o maior número de anos vividos em más condições de saúde.
Anos vividos com doenças no País
Ano com doença
- 1990: 10,4 anos
- 2010: 11,2 anos
- 2020: 11,7 anos
- 2021: 11,4 anos
- 2022: 12,2 anos
- 2023: 12,5 anos
Expectativa de vida no País
- 76 anos, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Principais problemas de saúde apontados
O estudo destaca uma lista de doenças gerais que afetam pessoas no mundo todo e são responsáveis pela queda na qualidade de vida. As cinco causas respondem por 57,4% dos anos vividos com problemas de saúde:
- Distúrbios musculoesqueléticos, sobretudo dor lombar;
- Transtornos mentais, como depressão e ansiedade;
- Doenças relacionadas aos órgãos dos sentidos, como perda auditiva associada à idade;
- Lesões não intencionais, principalmente quedas;
- Outras doenças não transmissíveis.
- Entre os fatores de risco, os que mais contribuem para esse quadro no mundo são glicemia de jejum elevada, excesso de peso, desnutrição materno-infantil e tabagismo.
Onde se vive mais tempo com doenças
- 1º Estados Unidos (14 anos)
- 2º Austrália (13,9 anos)
- 3º Canadá (13,7 anos)
- 4º Nova Zelândia (13,1 anos)
- 5º Holanda (12,9 anos)
Onde se vive menos tempo com doenças
- 1º Nauru (6,9 anos)
- 2º Ilhas Salomão (7,3 anos)
- 3º Laos (7,4 anos)
- 4º Tuvalu (7,6 anos)
- 5º Madagascar (7,7 anos)
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