11 mil pessoas fizeram cirurgia de Roberto Carlos no Espírito Santo
Procedimento para retirada da vesícula geralmente ocorre por videolaparoscopia, mesma técnica usada na cirurgia do Rei
A cirurgia para retirada da vesícula (colecistectomia), à qual o cantor Roberto Carlos, de 85 anos, foi submetido, já foi realizada em 11.088 moradores do Espírito Santo em 2025.
Foram 6.892 procedimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e 4.196 pelos planos de saúde. Os dados foram extraídos do Datasus e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
No caso do artista, a operação foi feita por videolaparoscopia, técnica minimamente invasiva que hoje é considerada o padrão para esse tipo de procedimento.
O médico mestre em cirurgia digestiva José Afonso Sallet, do Instituto Sallet, explica que na cirurgia por videolaparoscopia são feitas três ou quatro pequenas incisões na pele. “Insuflamos a cavidade abdominal com um gás, colocamos uma microcâmera e operamos com material de microcirurgia”.
Segundo o médico, a grande diferença da videolaparoscopia para a cirurgia convencional é que se trata de um procedimento muito menos invasivo.
“Permite que a maioria dos pacientes seja internada no dia da cirurgia. O retorno às atividades habituais ocorre, na maioria dos casos, em dois a três dias, mas há situações mais complexas”.
Há também a opção de se fazer a videolaparoscopia com o uso da plataforma robótica, conforme destaca o cirurgião do aparelho digestivo Gustavo Peixoto, da Rede Meridional.
“Isso permite uma manobra mais complexa das mãos do cirurgião e melhor visualização do campo. Mas, normalmente o robô só tem vantagens sobre a laparoscopia convencional quando é uma colecistectomia difícil, como uma colecistite aguda grave (inflamação severa da vesícula), um paciente que já teve muitas crises e vai ter muitas aderências, ou quando há uma cirurgia associada”.
Em pacientes idosos, como é o caso do cantor, o cirurgião do aparelho digestivo Felipe Monge Vieira, da Unimed Vitória, explica que é preciso uma avaliação diferente.
“Se esses pacientes estiverem saudáveis, costumam evoluir bem. É uma cirurgia rápida, que normalmente não traz muitas intercorrências, e o paciente costuma ter alta precoce, justamente porque a técnica da videolaparoscopia permite uma recuperação mais rápida”.
Médicos explicam riscos para quem tem a doença
O que leva tantos pacientes a precisarem passar por uma cirurgia de vesícula? Formação de cálculos (pedras), a inflamação da vesícula (colecistite aguda) e os pólipos estão entre os motivos.
“Quando há cálculo na vesícula chamamos de colelitíase ou colecistolitíase. Quando essa vesícula inflama, temos a colecistite. Sendo que a formação de cálculos é fator de risco para surgimento de outras doenças, como câncer de vesícula e pancreatite aguda”, explica Felipe Monge Vieira, cirurgião do aparelho digestivo da Unimed Vitória.
Só que nem todo paciente com cálculo precisa operar. Grande parte dos pacientes que têm colelitíase — que, corresponde a cerca de 15% da população — é assintomática, segundo o médico. “Só que a chance de evoluir para uma colecistite, uma pancreatite aguda biliar ou uma coledocolitíase varia de 1% a 3% ao ano”.
Por isso, a depender do tamanho do cálculo, sintomas e comorbidades do paciente, deve-se avaliar a necessidade de cirurgia.
A pancreatite aguda biliar, conforme explica o médico mestre em cirurgia digestiva José Afonso Sallet, do Instituto Sallet, causa uma inflamação aguda no pâncreas, que é uma glândula muito sensível do aparelho digestivo.
“Ela pode evoluir de três formas: forma leve, que geralmente se resolve com tratamento de suporte; forma moderada, mais grave, que normalmente exige intervenção cirúrgica; e forma grave, a pancreatite necro-hemorrágica, que, apesar de toda a evolução da medicina, ainda apresenta índice de mortalidade acima de 30%. É algo que não dá para brincar”.
Quando o paciente apresenta sintomas de cólica biliar, geralmente é feito um ultrassom e, a partir daí, há indicação da cirurgia de forma eletiva, para evitar complicações.
De acordo com o cirurgião do aparelho digestivo Gustavo Peixoto, da Rede Meridional, há uma “epidemia” de casos de pedra na vesícula.
“Estamos vivendo uma verdadeira epidemia porque muitos pacientes que estão usando as canetas emagrecedoras desenvolvem pedra na vesícula. Isso tem causado um aumento desse tipo de cirurgia no mundo inteiro”.
Alterações no metabolismo
O que é a vesícula biliar?
- É um pequeno órgão localizado abaixo do fígado. Sua função é armazenar a bile, líquido produzido pelo fígado que ajuda na digestão, principalmente de gorduras e vitaminas lipossolúveis.
Quais doenças podem levar à retirada da vesícula?
As principais indicações para a cirurgia são:
- Pedras na vesícula (colelitíase), principalmente quando provocam sintomas;
- Inflamação da vesícula (colecistite aguda);
- Pancreatite biliar, causada pela migração de pedras para os canais biliares;
- Coledocolitíase, quando o cálculo fica preso no canal da bile;
- Pólipos na vesícula maiores que 1 centímetro ou em crescimento;
- Suspeita ou diagnóstico de câncer de vesícula.
Como surgem as pedras na vesícula?
- Os cálculos se formam principalmente por alterações no metabolismo do colesterol e dos sais biliares; dificuldade da vesícula em esvaziar a bile adequadamente.
- Também apresentam maior risco mulheres que tiveram mais de um filho; pessoas obesas; pacientes que perderam muito peso rapidamente, principalmente após cirurgia bariátrica ou uso de caneta emagrecedora.
Cirurgia
- O procedimento padrão é a videolaparoscopia, considerada minimamente invasiva. A técnica consiste em três ou quatro pequenas incisões; introdução de uma microcâmera na cavidade abdominal; retirada da vesícula com instrumentos delicados.
- A cirurgia aberta ficou restrita a situações específicas, como falta de infraestrutura e equipamentos ou contraindicações clínicas.
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