Suspeita de envenenar médico vai a júri popular na próxima segunda
Secretária é acusada de usar arsênio nas refeições do patrão, de 90 anos, e desviar dinheiro da clínica onde trabalhava
A secretária Bruna Garcia Barbosa Marinho, denunciada por envenenar o próprio chefe, o cardiologista Victor Murad, de 90 anos, vai a júri popular na segunda-feira no Fórum Criminal de Vitória.
Segundo o Ministério Público Estadual (MPES), a ré responde pelo crime de tentativa de homicídio qualificado cometido por motivo torpe, com emprego de veneno, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, para assegurar a impunidade ou vantagem de outro crime e contra pessoa idosa.
De acordo com a denúncia, o crime teria ocorrido ao longo de pelo menos um ano e três meses. Bruna atuava como secretária no consultório do médico desde 2013.
Responsável por administrar as finanças da clínica, a ré utilizava esse controle para desviar dinheiro em benefício próprio e teria desviado R$ 544 mil ao longo de 12 anos.
Em fevereiro deste ano, em entrevista ao jornal A Tribuna, o cardiologista Victor Murad tratou o episódio como “a maior decepção da minha vida”.
“Ela trabalhou para mim por 12 anos. Era uma pessoa que tinha minha completa confiança até então. Era filha de uma outra funcionária. A mãe dela trabalhava com a gente há mais de 20 anos. Eram tratadas como família.”
O crime veio à tona após a demissão de Bruna, em março de 2025. Na época, o advogado Waldyr Loureiro, que faz a defesa da família, disse que o médico tentou fazer um pagamento com cheque que voltou sem fundos.
O cardiologista e a mulher foram a dois bancos, perceberam que as contas estavam “estouradas”, constatando a existência de uma chave Pix registrada em nome dele, mas que até então era desconhecida.
Segundo Loureiro, uma auditoria detectou que a suspeita solicitava aos clientes que fizessem pagamentos no Pix dela, além de quitar contas próprias e da empresa do marido com os valores desviados. Após ser chamada para uma reunião sobre as finanças da clínica, Bruna Garcia não retornou ao trabalho.
A descoberta de um frasco de arsênio em um depósito da clínica, comprado em nome do marido de Bruna, bem como a confirmação de intoxicação contínua da vítima por pelo menos 15 meses, obtida por meio de análise toxicológica, culminou na prisão da ré, em outubro de 2025.
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