Polícia conclui inquérito sobre tribunal do crime em Viana
Inquérito da PM indica cinco envolvidos em tribunal do crime em Bom Pastor, com vítima amarrada em campo de futebol; quatro suspeitos estão presos.
A Polícia Militar concluiu o inquérito sobre uma tentativa de homicídio em formato de tribunal do crime, ocorrida em 13 de agosto deste ano no bairro Bom Pastor, em Viana. Segundo a investigação, cinco pessoas estariam envolvidas na ação que teve como vítima um homem de 27 anos.
Estão presos Manrik da Silva, de 26 anos; Régis do Rosário da Silva, de 35; Marcos Antonio Alves de Oliveira, de 17; e Julio César Jordão Moté, conhecido como Julinho, de 26. Já Carlos Alberto dos Santos Gonçalves Júnior, vulgo Bequinha, de 38 anos, segue foragido.
Flagra no campo de futebol e dinâmica do crime
De acordo com a tenente Milena, do 17º Batalhão da Polícia Militar (PM), a polícia foi acionada após uma denúncia anônima de que estaria acontecendo um tribunal do crime em um campo de futebol no bairro Bom Pastor. Ao chegar ao local, os militares avistaram uma aglomeração de pessoas.
Manrik ficou segurando e imobilizando a vítima, enquanto Julinho foi apontado como o responsável por adquirir as fitas adesivas e por “envelopar” ali a vítima, um homem de 27 anos. Já Régis seria o responsável por filmar toda a ação.Marcos Antonio, ao ver a viatura, gritou para os demais comparsas, que fugiram em seguida.
Os policiais avistaram a vítima com metade do corpo enrolado em fita, deitada no chão e gritando por socorro. Na busca pelos foragidos, a equipe conseguiu alcançar dois dos quatro homens que estavam no local.
Marcos Antonio e Régis foram conduzidos para a delegacia juntamente com a vítima, ainda na sequência do flagrante.
Ordem de “medida corretiva” e motivação do tribunal
Em depoimento, os três conduzidos afirmaram que uma chamada de vídeo foi feita com Bequinha, apontado como comandante de ações criminosas em Bom Pastor, para pedir autorização para assassinar a vítima.
Segundo os relatos, Bequinha não teria autorizado o assassinato, apenas uma “medida corretiva”, mandando deixar o homem amarrado no campo.
A motivação do tribunal seria um conflito afetivo. A vítima estaria tendo um caso com a ex-parceira, que seria a atual de Julinho. Ao mesmo tempo, Julinho também estaria tendo um caso com a atual parceira da vítima.
O encontro entre os dois homens teria sido marcado para que a vítima tirasse satisfação com Julinho, momento em que o crime teria acontecido.
Histórico criminal e prisões dos suspeitos
Segundo o delegado Cleudes Junior, chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Viana, todos os envolvidos, inclusive o homem que foi amarrado, têm passagens pela polícia e envolvimento com o tráfico de drogas.
Marcos Antonio e Régis foram presos no mesmo dia do delito, autuados em flagrante pelo crime de homicídio tentado. Manrik foi preso em flagrante em 18 de setembro por tráfico de drogas. Julinho foi detido no dia 10 deste mês, também por tráfico.
Bequinha segue foragido no Rio de Janeiro, de acordo com a apuração das autoridades.
Os cinco envolvidos foram indiciados pelos crimes de sequestro qualificado e associação criminosa. Até o momento, todos os quatro suspeitos diretamente ligados ao tribunal do crime estão presos preventivamente, sendo que dois deles também respondiam por tráfico de drogas, nos momentos em que foram detidos.
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