Piloto se aproveitava de vulnerabilidade financeira das vítimas, aponta delegada
Sérgio Antônio Lopes oferecia dinheiro para mulheres em troca de conteúdos sexuais de menores de idade
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O piloto Sérgio Antônio Lopes, preso em fevereiro acusado de chefiar uma rede de exploração sexual infantil, se aproveitava da vulnerabilidade financeira das vítimas, segundo a delegada Gabriela Enne, do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP) da Polícia Civil do Espírito Santo.
De acordo com as investigações, que se encaminham para a etapa final, o piloto oferecia dinheiro para mulheres em troca de conteúdos sexuais de menores de idade.
"O suspeito se aproveitava da situação de vulnerabilidade social e financeira das famílias das vítimas. Ele usava de valores financeiros para deixar as mulheres que praticavam os abusos 'presas' a ele. A cada pedido dele, as suspeitas julgavam os atos mais graves e pediam por quantias maiores em dinheiro. Ele percebia que o dinheiro enviado eram usados para necessidades das famílias, como compra de medicamentos, lazer, alimentos, e por isso elas estariam dependentes dele", explicou a delegada.
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Ainda segundo as diligências, apesar de diversos, os valores são irrisórios. Por se tratar de uma investigação sigilosa, as cifras exatas não foram divulgadas.
Foram identificadas sete vítimas, entre crianças e adolescentes, sendo uma no Espírito Santo e outras seis em São Paulo. Até o momento, foram presas temporariamente quatro mulheres que teriam aliciado os menores a pedido do piloto, sendo que três delas possuem vínculo familiar com as vítimas.
"Os aliciamentos eram através de conhecidos das vítimas que podiam ser familiares, amigos, conhecidos. Tem uma [presa] que aliciou a filha de uma amiga, então era pessoas conhecidas, mas sempre pessoas com vínculo de confiança", destacou a delegada Luciana Peixoto, da 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa, da Polícia Civil do Estado de São Paulo.
Os envolvidos no esquema criminoso serão indiciados pelos crimes de estupro de vulnerável, exploração sexual infantil, produção, compartilhamento, venda e armazenamento de pornografia infantil e aliciamento de menores.
Relembre o caso
Sérgio Antônio Lopes, de 62 anos, foi preso no dia 9 de fevereiro, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. No momento de sua prisão, ele admitiu que realizava pagamentos e favores para as famílias das vítimas em troca de imagens e vídeos sexuais das crianças. Ele também teria pago aluguéis, comprado remédios e eletrodomésticos em troca dos abusos.
Ao ser questionado, o piloto também admitiu que se encontrava com crianças e adolescentes em motéis espalhados pelo Brasil, além de manter conteúdos sexuais das vítimas no aparelho celular. A investigação apontou que o piloto teria conhecido uma das vítimas de quem tem registros no celular durante uma viagem ao Espírito Santo.
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