Operação no ES, RJ e MG mira 'operadores invisíveis' do tráfico de drogas e armas
Segundo a polícia, objetivo da ação é identificar e prender integrantes da facção que não possuíam passagens pela polícia nem anotações criminais
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Policiais civis do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais realizam, nesta quinta-feira (26), uma operação fora do habitual: diferentemente de ações tradicionais, que miram criminosos já conhecidos das forças de segurança, o objetivo da "Operação Fim da Rota" é identificar e prender os chamados operadores "invisíveis" do tráfico, que não possuem passagens pela polícia nem anotações criminais.
Somente em território capixaba, três pessoas foram presas pela corporação. Segundo o delegado Fabrício Dutra, chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), mais de 60 agentes estão nas ruas para cumprir cerca de 26 mandados em diferentes municípios do Estado.
"São mais de 26 mandados de busca e apreensão e de prisão sendo cumpridos no Espírito Santo — em Montanha, Guarapari, Serra, Vila Velha, Vitória, Cariacica, diversos lugares", explicou o investigador em entrevista à repórter Suzy Faria, da TV Tribuna/Band. De acordo com informações obtidas pela reportagem, entre os presos estão um videomaker, uma publicitária e uma cozinheira.
Durante a operação, policiais encontraram uma droga paquistanesa que é de díficil acesso no Espírito Santo e que tem a grama avaliada em R$ 300. A operação segue em andamento e novas informações devem ser divulgadas pela corporação ao decorrer do dia.
Entenda a investigação
De acordo com informações da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que comanda as investigações, o alvo da operação desta quarta-feira é um núcleo da facção Terceiro Comando Puro (TCP) voltado ao tráfico interestadual de drogas e armas, especialmente fuzis. Lá, a ação ocorre na capital fluminense, em São Gonçalo e Campos dos Goytacazes.
Segundo as investigações, os chamados operadores "invisíveis" são integrantes que vivem fora de comunidades dominadas pelo tráfico e que possuem uma rotina aparentemente lícita, o que dificulta sua identificação. Ainda segundo a corporação, as diligências revelaram uma estrutura hierarquizada, com divisão clara de tarefas e atuação coordenada entre integrantes do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais.
Foram mapeadas, ainda, movimentações suspeitas, inclusive com uso de criptoativos, empresas de fachada e contas de “laranjas” — o que permitiu que investigadores identificassem facilitadores financeiros e proprietários de bens usados para dar aparência de legalidade aos lucros do tráfico.
"As investigações também apontaram que o líder do grupo coordena as ações de dentro do Complexo da Maré. Para escapar da atuação das forças de segurança, o operador central fazia a ligação entre fornecedores no Rio e distribuidores em outros estados, utilizando fachada comercial para transportar fuzis do tipo AR-10 e grandes cargas de entorpecentes, além de recrutar novos integrantes para a cadeia logística", informou a corporação, por nota.
Para driblar a fiscalização, o esquema contava com comunicação criptografada e veículos adaptados com compartimentos ocultos para esconder drogas e armas. Na parte financeira, integrantes utilizavam principalmente transferências via Pix, depósitos em contas de pessoas físicas e jurídicas, empresas de fachada, agiotagem e fracionamento de valores, com o objetivo de tentar mascarar a origem ilícita dos recursos.
"A operação conta com o apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), do Departamento-Geral de Polícia do Interior (DGPI) e de policiais civis de Minas Gerais e Espírito Santo, que cumprem simultaneamente mandados de prisão e de busca e apreensão. A ofensiva busca atingir, de forma estratégica e simultânea, tanto a ponta armada quanto o braço financeiro do TCP", concluiu a polícia do Rio.
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