Operação no ES, RJ e MG mira 'operadores invisíveis' do tráfico de drogas e armas
Segundo a polícia, objetivo da ação é identificar e prender integrantes da facção que não possuíam passagens pela polícia nem anotações criminais
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Policiais civis do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais realizam, nesta quinta-feira (26), uma operação fora do habitual: diferentemente de ações tradicionais, que miram criminosos já conhecidos das forças de segurança, o objetivo da "Operação Fim da Rota" é identificar e prender os chamados operadores "invisíveis" do tráfico, que não possuem passagens pela polícia nem anotações criminais.
Somente em território capixaba, cinco pessoas foram presas pela corporação. Entre os presos estão um videomaker, 29 anos, uma publicitária, 27 anos, e uma cozinheira, 50 anos. Segundo o delegado Fabrício Dutra, chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), mais de 60 agentes estão nas ruas para cumprir cerca de 26 mandados em diferentes municípios do Estado.
"São mais de 26 mandados de busca e apreensão e de prisão sendo cumpridos no Espírito Santo — em Montanha, Guarapari, Serra, Vila Velha, Vitória, Cariacica, diversos lugares", explicou o investigador em entrevista à repórter Suzy Faria, da TV Tribuna/Band. De acordo com informações obtidas pela reportagem, entre os presos estão um videomaker, uma publicitária e uma cozinheira.
Durante a operação, policiais encontraram uma droga paquistanesa que é de díficil acesso no Espírito Santo e que tem a grama avaliada em R$ 300. A operação segue em andamento e novas informações devem ser divulgadas pela corporação ao decorrer do dia.
Entenda a investigação
De acordo com informações da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que comanda as investigações, o alvo da operação desta quarta-feira é um núcleo da facção Terceiro Comando Puro (TCP) voltado ao tráfico interestadual e internacional de drogas e armas, especialmente fuzis. Lá, a ação ocorre na capital fluminense, em São Gonçalo e Campos dos Goytacazes.
Segundo as investigações, os chamados operadores "invisíveis" são integrantes que vivem fora de comunidades dominadas pelo tráfico e que possuem uma rotina aparentemente lícita, o que dificulta sua identificação. Ainda segundo a corporação, as diligências revelaram uma estrutura hierarquizada, com divisão clara de tarefas e atuação coordenada entre integrantes do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais.
Foram mapeadas, ainda, movimentações suspeitas, inclusive com uso de criptoativos, empresas de fachada e contas de “laranjas” — o que permitiu que investigadores identificassem facilitadores financeiros e proprietários de bens usados para dar aparência de legalidade aos lucros do tráfico.
"As investigações também apontaram que o líder do grupo coordena as ações de dentro do Complexo da Maré. Para escapar da atuação das forças de segurança, o operador central fazia a ligação entre fornecedores no Rio e distribuidores em outros estados, utilizando fachada comercial para transportar fuzis do tipo AR-10 e grandes cargas de entorpecentes, além de recrutar novos integrantes para a cadeia logística", informou a corporação, por nota.
Para driblar a fiscalização, o esquema contava com comunicação criptografada e veículos adaptados com compartimentos ocultos para esconder drogas e armas. Na parte financeira, integrantes utilizavam principalmente transferências via Pix, depósitos em contas de pessoas físicas e jurídicas, empresas de fachada, agiotagem e fracionamento de valores, com o objetivo de tentar mascarar a origem ilícita dos recursos.
"A operação conta com o apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), do Departamento-Geral de Polícia do Interior (DGPI) e de policiais civis de Minas Gerais e Espírito Santo, que cumprem simultaneamente mandados de prisão e de busca e apreensão. A ofensiva busca atingir, de forma estratégica e simultânea, tanto a ponta armada quanto o braço financeiro do TCP", concluiu a polícia do Rio.
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