Hipócrates, o sábio
De meninas que despertam cantando a perdas de memória e mudanças de idioma, texto reúne episódios que o autor diz não terem explicação completa
Pedro Valls Feu Rosa
Pedro Valls Feu Rosa é desembargador ex-presidente do TJES e do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo. Bacharel em Direito pela UFES, é autor de obras jurídicas e idealizador de projetos inovadores como o “Botão do Pânico”, vencedor do Prêmio Innovare.
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Vou começar pelo caso de Layla Towsey, uma simpática menina de apenas 3 anos de idade. Ei-la, por um desses infortúnios da vida, em coma — vítima de meningite e septicemia. E eis que, cinco dias depois, a pequena criança acordou cantando a música “Mamma Mia”, retomando sua vida normal.
Um outro caso curioso foi o da menina Ya Wen, também de 3 anos de idade. Vítima de um acidente de trânsito e bastante machucada, ela entrou em coma. Uns cinco dias depois, ela acordou — do nada, viciada em cigarros, álcool e roupas de menino! Ela chega a chorar de desespero quando vê um cigarro pela frente!
Há também o caso da inglesa Liz Sykes, 23 anos de idade, que de um minuto para o outro ficou desorientada. Levada a um hospital, entrou em coma, estado no qual permaneceu umas três semanas. Quando acordou, constatou-se que sua memória havia sido totalmente apagada — ela não se lembrava de quem era, como andar, como falar, ou seja lá o que for.
Não menos surpreendente é a doença que acomete uma outra inglesa, de nome Wendy Richmond, com 53 anos de idade. A cada vez que ela repete para um de seus filhos a expressão “eu te amo”, entra em coma. Parece incrível, mas é isso mesmo: falou “eu te amo”, entrou em coma. Um caso similar é o de Kay Underwood, 20 anos de idade, que perde a consciência sempre que ri.
Não menos incrível foi o que aconteceu com Sandra Ralic, uma menina de 13 anos de idade lá da Croácia. Ela entrou em coma e, ao acordar, já não conseguia mais falar croata — passou a comunicar-se apenas em perfeito alemão.
Interessante também é a situação de Frail Angelo De Luca, um velhinho de 81 anos de idade. Ele sofreu uma queda em sua casa, na cidade de Biasca, Suíça, e ficou em coma durante alguns dias. Ao acordar, constatou-se que tinha se transformado em um tarado. Saiu do hospital e foi direto para um bordel, no qual gastou quase R$ 8 mil em um bacanal homérico. Atualmente ele está confinado em sua casa por ordem judicial, a pedido da família.
Há também as coincidências estranhas — aliás, seriam mesmo coincidências? Vejamos o caso de Terry Wallis, que entrou em coma durante uma sexta-feira 13. Ele permaneceu nesse estado durante inacreditáveis 19 anos, para acordar durante uma... sexta-feira 13!
É realmente surpreendente o nosso corpo. Que o diga Rhett Lamb, uma criança de 3 anos de idade que nunca dorme — fica acordado 24 horas por dia, 365 dias por ano. Ou Ashleigh Morris, que tem alergia a água — até suar a machuca. Ou Natalie Cooper, que fica gravemente doente se comer qualquer coisa — a única exceção são pastilhas Tic-Tac. Todo o resto de sua alimentação tem que ser ministrada por tubos. E encerro com Chris Sands, que a cada dois segundos soluça, 24 horas por dia. Ele soluça até dormindo.
Diante de todos estes casos, nenhum deles plenamente explicado pela ciência, fico a pensar na sabedoria milenar de Hipócrates, quando exclamou que “as forças naturais que se encontram dentro de nós são as que verdadeiramente curam nossas doenças”.
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