Jogo de xadrez entre Flamengo e Palmeiras pelo tetra da Libertadores
Decisão histórica opõe controle e velocidade. Quem ditar o ritmo da partida será o primeiro tetracampeão continental do Brasil
Flamengo e Palmeiras entram em campo nesse sábado (29), às 18 horas, no Monumental de Lima, para decidir quem será o primeiro brasileiro tetracampeão da Libertadores. Além do peso histórico, a final coloca frente a frente dois modelos táticos distintos, em um “jogo de xadrez” que promete ser o grande protagonista da noite.
Ao observar o Palmeiras de Abel Ferreira, fica evidente uma lógica peculiar: o time ataca com poucos jogadores e defende pressionando alto, invertendo funções tradicionais. A equipe busca um jogo de transições rápidas, o famoso “bater e voltar”, que privilegia velocidade e erro adversário. Para o Flamengo, a armadilha é clara: acelerar demais e cair exatamente no jogo que o rival deseja.
A resposta rubro-negra passa pela paciência. Controlar a posse, rodar a bola e explorar os espaços entre as linhas — especialmente quando os zagueiros palmeirenses avançam até o meio-campo — pode ser a chave. Jorginho e Arrascaeta têm capacidade para ocupar esses setores e ditar o ritmo.
A retomada física também pesa: a pressão alta do Palmeiras costuma cobrar seu preço na segunda etapa, e zagueiros como Gustavo Gómez sofrem mais em ações de velocidade.
Do outro lado, Abel deve reforçar a estrutura defensiva com três zagueiros, variando entre linha de cinco e saída apoiada. O esquema “revive” o pouco prestigiado 4-4-2, hoje sustentado por uma dupla ofensiva extremamente complementar. Flaco López e Vitor Roque, juntos, somam 44 gols na temporada e embalam o melhor ataque desta Libertadores, com 30 gols — mais de um terço deles anotados apenas pelos dois.
Enquanto Vitor Roque é o atacante rompedor, que busca profundidade e ataca as costas da defesa, Flaco se destaca pela articulação, aproximação e visão de jogo. Esse encaixe abriu espaço para o crescimento de Allan pela direita e para um Andreas Pereira mais participativo no centro.
No Flamengo, o modelo de Filipe Luís é claro: um 4-2-3-1 móvel, intenso e técnico. Sem Pedro, lesionado, os pontas ganham protagonismo ao alternar infiltrações, dribles e triangulações com os laterais, quase sempre buscando Arrascaeta, que vive uma temporada de protagonismo absoluto — 23 gols e 17 assistências.
Com estratégias tão contrastantes, o tetra será conquistado por quem souber impor seus conceitos sem se perder no jogo do adversário. É uma final de ideias, ajustes e detalhes, exatamente o tipo de batalha que faz a Libertadores ser o que é.
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