“Carnaval deixou de ser só festa, é missão de vida”, diz Durval Lelys
Aos 68 anos, Durval Lelys, ex-vocalista do Asa de Águia, atribui à família a base que sustenta a rotina de shows e viagens
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O Carnaval pode ser sinônimo de festa para milhões de foliões, mas, para Durval Lelys, de 68 anos, ele representa algo maior. Ao longo de mais de três décadas de carreira, o cantor baiano transformou o trio elétrico em palco de uma missão pessoal e artística, construída sobre memórias afetivas e valores que carrega fora dos holofotes.
Em conversa com a reportagem de A Tribuna, o artista – que esteve no Estado em meados de janeiro e arrastou multidões no Carnaval nacional – resume o caminho com frases que traduzem sua essência: a folia que virou propósito, a família como base e o Espírito Santo como ponto de partida de uma história marcante.
“O Carnaval deixou de ser só festa, é missão de vida”, define.
Durval costuma dizer que a folia deixou de ser apenas diversão quando percebeu que a música era mais do que vocação: era destino. Ainda jovem, na Bahia, ele participou da criação de blocos carnavalescos. O cenário mudou quando a arte começou a atrair público e abrir portas profissionais.
Foi nesse período que surgiram os contratos e a consolidação do Asa de Águia, banda que projetou seu nome para fora do Brasil. A partir dali, o Carnaval ganhou outro significado em sua vida. A festa popular se transformou em compromisso com o público e com a música que escolheu defender ao longo dos anos.
Embora o palco seja parte central da trajetória do artista, Durval afirma que o equilíbrio vem da vida pessoal. Casado com Thereza Cristina, chamada carinhosamente por ele de Thiara, e pai de Luma e Bob, ele atribui à família a base emocional que sustenta a rotina intensa de shows e viagens. “Ter família e saúde é ter tudo”, ressalta.
Outro capítulo importante da trajetória do cantor passa pelo Espírito Santo. O Vital, micareta que marcou gerações de capixabas, é lembrado pelo artista como um marco afetivo e profissional. “Minha história começou no Espírito Santo, com o Vital”.
“A família organiza a cabeça da gente”
A Tribuna - Em “Quebra Aê”, você canta “eu quero mais amor, eu quero mais paixão”. Depois de tantos anos de estrada, esse pedido ainda vale para a sua vida pessoal? O que hoje é amor e paixão fora do trio elétrico?
Durval Lelys - Amor e paixão são sentimentos que não saem do nosso coração. A vida inteira a gente precisa ser grato pelo que ela nos oferece, e esses dois sentimentos devem ser carregados como bandeira e como meta o tempo todo.
“Quebra Aê” me deu o título de melhor música do Carnaval, e tenho certeza de que foi justamente o amor e a paixão que a tornaram vencedora.
Em uma carreira marcada por estrada, trio elétrico e multidões, como a sua esposa e seus filhos te ajudam a manter os pés no chão? O que a paternidade mudou no Durval fora dos palcos?
A gente vai cumprindo o ciclo natural da vida. Cresce, estuda, trabalha, ama, vive, aprende… até chegar à fase primordial, que é casar e ter filhos. Essa é a ordem das coisas. A família organiza a cabeça da gente e dá sentido a tudo.
Sua filha mais velha, Luma, já mostrou talento musical, mas escolheu a Medicina. Em que momento você deixa de ser o artista e vira só o pai, observando a filha brilhar?
Encontrei o grande amor da minha vida com Thereza Cristina, minha esposa, que me deu dois filhos incríveis: Luma e Bob. Isso me realizou ainda mais como homem e como artista. A família é o maior combustível da nossa sobrevivência. Ter família e saúde é ter tudo.
A Luma é um brilho só. Ela está no terceiro ano de Medicina por escolha própria. É uma médica nata, cuidadora, extremamente humana.
Canta, dança, compõe e se parece muito comigo no jeito e na personalidade, mas levou a Medicina muito a sério. Isso nos surpreendeu, porque é uma profissão que exige precisão, dedicação e compromisso com a vida.
Meus amigos médicos dizem que ela tem tudo para ser uma grande profissional. Só posso agradecer a Deus por essa dádiva.
O Carnaval é quase um personagem da sua vida. Em que momento ele deixou de ser apenas festa e virou missão?
Meus testes vocacionais sempre apontaram para as artes. No início, aqui na Bahia, a gente criava blocos para se divertir, paquerar e celebrar. Fui um dos criadores do Bloco Pinel, como diretor artístico.
Estudava música clássica na UFBA, fazia curso de teoria, percepção musical e violão clássico. A música sempre esteve comigo.
Comecei com serenatas, luaus, rodas de violão e fui percebendo a força da música em atrair pessoas. A arte foi me puxando para o profissionalismo.
Do Bloco Pinel nasceu o Asa de Águia. Quando surgiram os contratos, entendi que o Carnaval deixava de ser só festa e virava missão. O profissionalismo começa quando o seu trabalho passa a ser solicitado e disputado.
Como você se prepara hoje, física e emocionalmente, para a maratona do Carnaval?
Eu me preparo com prazer, não por obrigação. Faço bike de três a cinco vezes por semana, cerca de 20 quilômetros por treino. Também nado na piscina de casa, faço musculação no condomínio e pratico ioga on-line.
A ioga pela internet evoluiu muito e funciona perfeitamente. Recomendo. Estar em movimento é essencial para manter corpo e mente equilibrados.
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