Luiz Trevisan nas ondas das crônicas da Ilha
Em seu novo livro, o jornalista e músico reúne textos inéditos, em que “belisca a ficção sem tirar os pés do chão”
“Acho que sou mais um repórter à procura de uma boa prosa do que alguma história ou fato que abra manchete”. A “confissão” do jornalista Luiz Trevisan já dá um spoiler do que o leitor vai encontrar em seu novo livro, “A Onda que Invade a Ilha”, uma deliciosa coletânea de crônicas inéditas que acaba de ser lançada pela editora Cousa.
Em suas 215 páginas, a obra aborda temas como meio ambiente, política, cultura, e ainda mostra facetas de famosos e anônimos por meio de uma prosa onde “a crítica e a poesia caminham sempre de mãos dadas”, conforme define sua filha Thaita, na apresentação do livro. Em bate-papo com o AT2, o autor conta sobre sua experiência no mundo da literatura.
AT2 — Qual a fonte de inspiração para suas crônicas?
Luiz Trevisan — Procuro traduzir o cotidiano, os fatos, pessoas famosas ou não, curiosidades e lugares marcantes, aqui e em todo lugar aonde cheguei um dia. Naturalmente, existem referências, mas buscando uma prosa que fale aos sentidos.
Existe algum assunto proibido na hora de escrever?
Acho que não deva haver censura, mas discernimento. Se você vai escrever crônica, que é o meu gênero neste livro, deve manter um pé na realidade. Não gosto de soluções fáceis, absurdas, fantasia delirante. Pode até levitar um pouco, beliscar a ficção, mas sem tirar os dois pés do chão.
Qual foi o critério da escolha do repertório das músicas que estão no livro?
Algumas por estarem ligadas ao tema da crônica. Num outro momento, a música é meio óbvia. Ou é escolhida para ajudar a criar clima.
É um saudosista ou consegue conciliar passado, presente e futuro?
Não sou saudosista, acho que o passado teve coisas boas e ruins, como agora, e como será no futuro. Simplesmente as pessoas, os valores e circunstâncias são diferentes. O que me incomoda é a distopia que vem em ondas, o ódio destilado nas redes digitais, as notícias manipuladas, falsas.
Quanto tem de jornalista na sua versão cronista?
Acho que tem 51% de jornalismo, estou sempre observando o cotidiano, os fatos, o comportamento geral. A outra parte se divide em influências e referências literárias, cinematográficas e musicais. Avalio que nem sempre uma boa história garante uma boa obra.
Serviço
“A Onda que Invade a Ilha”
- Autor: Luiz Trevisan
- Editora: Cousa
- Páginas: 215
- Preço: R$ 69
- Sorteio: A Tribuna vai sortear dois exemplares para assinantes.
Informações: (27) 99583-2597.
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