Rodrigo Santoro e Samuel L. Jackson nas estreias da semana no cinema
“O Último Azul”, que chega na quinta-feira (28) às telonas, traz um olhar sensível sobre o envelhecimento e que enfrenta de frente o etarismo
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Apresentando um olhar sensível sobre o envelhecimento e que enfrenta de frente o etarismo, “O Último Azul” estreia nesta quinta-feira (28) nas telonas do Espírito Santo levando para os cinemas o astro brasileiro Rodrigo Santoro.
Essa perspectiva é trazida a partir da história de Tereza (Denise Weinberg), uma mulher de 77 anos que embarca em uma jornada cheia de aventuras pela Amazônia para realizar um grande desejo.
O embarque nessa viagem de descobertas se dá quando ela se recusa a passar seus últimos anos de vida em uma colônia comandada pelo governo e isolada da sociedade, visto que é para lá que são enviados todos os idosos.
“Fazer a Tereza me fortaleceu como pessoa, porque mostra que você é capaz de continuar se movendo, saindo do sofá. Dizem os neurocientistas que você só envelhece quando perde a curiosidade. E é verdade”, afirmou Denise à revista Rolling Stone.
Aos 50 anos recém-completados, Rodrigo Santoro diz que o filme apresenta um ponto de vista que desafia a forma com que a sociedade enxerga os idosos atualmente, muitas vezes até invisibilizando essas pessoas.
“Vivemos num mundo em que todos querem ser jovens para sempre. E a reflexão que a gente propõe aqui é exatamente essa: o envelhecer como um processo natural. Acho que o filme fala sobre o direito que todos temos, inclusive os idosos, as crianças, de sonhar, de redescobrir a vida, de, sei lá, se aos 80 anos você quiser aprender a pintar, por que não?”, diz o ator.
Santoro interpreta o barqueiro Cadu, que leva a protagonista para uma viagem pelos rios do Amazonas. Antes de conhecer Tereza, seu personagem é um homem que vive de luto e com arrependimentos após ter perdido seu grande amor.
“A partir desse encontro, ele tem uma experiência encantada e sobrenatural na floresta amazônica. Eles vão descobrir os caminhos que devem seguir e, no caso do Cadu, é assumir as suas próprias fragilidades e ter que lidar com isso”.
Com direção do pernambucano Gabriel Mascaro, de “Boi Neon” (2015) e “Divino Amor” (2019), a nova produção ainda traz a atriz cubana Miriam Socarrás e o amazonense Adanilo.
“O Último Azul” tem se destacado nos festivais da indústria cinematográfica mundial, tendo conquistado o Urso de Prata do Grande Prêmio do Júri, em Berlim, e outras duas honrarias em Gadalajara, no México. No momento, o filme tem 100% de aprovação por parte da crítica do Rotten Tomatoes.
Assista ao trailer do filme "O Último Azul"
Crítica
Idosa em busca pela liberdade em filme
Não é bem de futuro que se trata em “O Último Azul”. Trata-se, antes, de uma alegoria, ou talvez de um desvio no presente que vivemos e conhecemos, ou ainda de um futuro fantástico, que fosse paralelo ao nosso mundo.
Sabemos que o presente exalta a ideia de liberdade tanto quanto a suprime. Não existe ato criminoso que não seja denunciado por uma câmera na rua, mas também não há intimidade que passe despercebida nesse mundo de desejos vigiados.
No filme, o governo toma uma iniciativa que leva o nome animador de “o futuro é para todos”. Ele consiste em recolher as pessoas com mais de 75 anos e confiná-las em abrigos onde disporão, é o que se diz, de conforto e tratamentos gratuitos.
Tereza (Denise Weinberg) não concorda com isso. Mas a vigilância é permanente e cerrada. Ela acaba aprisionada em um “cata-velho” (espécie de carrocinha que não leva cachorros, mas idosos). Daí por diante sua batalha pela liberdade será constante.
Para Tereza, a liberdade significa tomar suas próprias decisões, em vez de entrar no triste ônibus que levará os velhinhos ao asilo. Essa fuga é um dos temas do filme, e fugir significa embrenhar-se no desconhecido. O desconhecido também significa perigo. A liberdade é risco.
Estreias
“Ladrões”

A nova produção de Darren Aronofsky traz Austin Butle interpretando um ex-jogador de beisebol que é involuntariamente mergulhado em uma luta selvagem pela sobrevivência no submundo criminoso de Nova Iorque.
“Caçadores do Fim do Mundo”

Estrelado por Dave Bautista e Samuel L. Jackson, a trama se passa em um mundo pós-apocalíptico em que a sobrevivência depende da habilidade de cada ser humano. Olga Kurylenko e Kristofer Hivju também estão no filme.
“Rosario”

Elogiado pela crítica internacional, o novo terror explora heranças e tradições latinas em uma trama aterrorizante. A obra acompanha uma corretora de ações de Wall Street que retorna ao apartamento de sua avó, em Nova Iorque, após sua morte repentina.
“Interestelar”

Originalmente lançado em 2014, o filme de ficção científica retorna às telonas com a história de um grupo de astronautas que é enviado em uma missão para encontrar um novo planeta habitável. É vencedor do Oscar de Melhores Efeitos Visuais.
“Os Roses: Até Que a Morte os Separe”

Baseado no romance “A Guerra das Rosas”, de Warren Adler, a comédia acompanha um casal formado por Benedict Cumberbatch (“Doutor Estranho”) e Olivia Colman (“A Favorita”). Na trama, a personagem de Olivia vê sua carreira como chef de cozinha decolar.
“C.I.C. - Central de Inteligência Cearense”

Acompanha a saga de Wanderley (Edmilson Filho), conhecido como Agente Karkará, um agente secreto brasileiro que combate os criminosos mais perigosos do mundo representando a C.I.C. - Central de Inteligência Cearense.
“Bambi, uma Aventura na Floresta”

A produção adapta o livro “Bambi: A Life in the Woods”, de Felix Salten, e foi gravada integralmente com animais em ambientes naturais, sem o uso de Imagens geradas por computador. O roteiro é de Michel Fessler, de “A Marcha dos Pinguins”, que também é co-diretor.
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