Filme com Helen Mirren põe idosos para investigar crimes em uma vila de aposentados
Obra é de Chris Columbus, mesmo diretor dos primeiros filmes de "Harry Potter" e "Esqueceram de Mim"
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Quando soube que dirigiria os primeiros filmes de "Harry Potter", Chris Columbus procurou crianças que aparentassem destreza o suficiente para convencer o público de que resolveriam mistérios antes dos adultos. É mais ou menos o que ele fez antes em "Esqueceram de Mim", em que Macaulay Culkin interpreta um moleque esperto que deixa a polícia para trás ao enfrentar bandidos tapados.
Agora, em "O Clube do Crime das Quintas-Feiras", o cineasta repete a fórmula, mas parte do avesso. Em vez de crianças, são idosos que fazem as vezes de detetives, também mais sagazes que os policiais lerdos que os cercam.
Acostumados a reviver mistérios antigos, em reuniões semanais às quintas-feiras, o quarteto formado por Elizabeth, Ben, Ibrahim e Joyce fica eufórico quando um assassinato ocorre na comunidade de aposentados onde vivem. Eles imediatamente começam a investigar o delito, e se deparam com uma teia intrincada de crimes.
Os personagens são interpretados por astros do cinema europeu: Helen Mirren, 80, Pierce Brosnan, 72, Ben Kingsley, 81, e Celia Imrie, 73. "Eles somam uns 160 anos de experiência, então foi diferente de trabalhar com crianças inexperientes, porque eu tinha de virar professor e isso me exigia muita energia", diz Columbus.
Lançado na Netflix nesta quinta-feira, o filme tenta se afastar dos estereótipos que cercam personagens mais velhos. Os protagonistas jogam xadrez e fazem crochê, mas também correm atrás dos vilões e dão socos na cara deles.
Dificuldades comuns dessa fase da vida não são ignoradas pelo roteiro. Elizabeth, vivida por Helen Mirren, por exemplo, está sempre apertando os olhos para enxergar as letras miúdas dos arquivos que analisa. Quando chega em casa, cansada das investigações, tem de lidar com a progressão do Alzheimer do marido, personagem de Jonathan Pryce.
Famoso por encarnar o agente James Bond nos anos 1990, Pierce Brosnan diz ver no filme um belo bordado sobre a velhice. "Mostra que essas pessoas não existem só para definhar", diz ele, por videochamada, com os fios do cabelo e da barba perfeitamente alinhados.
Ao seu lado, Ben Kingsley, vencedor do Oscar de melhor ator por "Gandhi" acrescenta que a trama retrata o "deleite que é ficar mais velho". "Ouço falarem sobre fardos da população envelhecida, e isso é terrível. Envelhecer não é fardo. Estamos aqui porque o universo permitiu. Vamos celebrar, é uma época emocionante."
"O Clube do Crime das Quintas-Feiras" é uma adaptação do livro homônimo escrito por Richard Osman, famoso na Inglaterra por apresentar o programa Pointless, do canal BBC. Ele teve ideia para a história quando visitava a mãe em uma vila de aposentados, e notou que os vizinhos dela escondiam talentos inusitados.
A obra se tornou um best-seller no Reino Unido, e chegou ao Brasil há quatro anos pela editora Intrínseca. É mais uma adaptação literária para o currículo de Columbus, que também deu vida às páginas da saga "Percy Jackson" e do romance "Eu Te Amo, Beth Cooper", não tão elogiados quanto seus "Harry Potter".
"Meus filmes bem-sucedidos foram aqueles que me apaixonei por completo pelos livros. Os que não foram bem é porque eu sentia que precisava mudar algo na obra original", diz.
"O Clube do Crime das Quintas-Feiras" já ganhou três sequências nas livrarias e formou uma base enorme de fãs. A graça, dizem muitos deles, está na novidade que é ler histórias de detetives, que existem aos montes, mas com personagens mais velhos.
"Por que isso deveria ser tão surpreendente? Não deveriam notar esse tipo de contraste", questiona Kingsley. "As pessoas esquecem que antes delas existiu uma geração ainda viva, cheia de afeto, energia e ambição."
O clube do crime das quintas-feiras
Quando: Estreia nesta quinta-feira (28)
Classificação: 12 anos
Elenco: Ben Kinglsey, Helen Mirren e Pierce Brosnan
Produção: EUA, 2025Direção Chris Columbus
Onde ver: Netflix
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