Erick Jacquin: “Nunca trabalhei, só me diverti”
Para o chef Erick Jacquin, cozinhar é sinônimo de felicidade. Aliás, ele garante virar “outra pessoa” nos fogões
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Se você pensa que aquele Jacquin que aparece em frente às câmeras bravo, sisudo e, às vezes, até meio “ranzinza” é assim 24 horas por dia, está enganado.
Coloque o chef dentro de uma cozinha e peça para ele fazer uma receita que imediatamente outro Jacquin vai surgir na sua frente!
“Eu cozinhando sou outra pessoa. Quando cozinho, estou feliz”, contou em entrevista ao AT2. Ele também confessou um segredo: “Eu nunca trabalhei, eu só me diverti. Nunca foi um pesadelo para mim”.
E chegou a hora de matar a saudade do polêmico, mas adorável chef. Estreia terça-feira, na TV Tribuna/Band, a quinta temporada de “Pesadelo na Cozinha”, comandado por ele.
Desta vez, a edição amplia sua atuação e percorre restaurantes que se encontram perto do “fundo do poço” em quatro estados brasileiros.
A lista contempla Porto Seguro (BA), Belo Horizonte (MG), Foz do Iguaçu (PR), Santo André e São Bernardo do Campo (ABC Paulista), e a capital de São Paulo. O Espírito Santo ficou de fora.
Ao longo dos 12 episódios, Erick Jacquin vai apontar os principais problemas que estão deixando o empreendimento no vermelho e indicar possíveis soluções para que o estabelecimento retome os lucros e volte a ser um ambiente respeitado.
Mudanças
As mudanças vão desde os cardápios até as práticas de limpeza que, geralmente, passam longe do que é recomendado.
Só que até alcançar o resultado ideal, o chef terá que encarar muita desorganização, trabalhadores desmotivados e gestões frágeis.
Erick Jacquin chef e apresentador
“O pior pesadelo é me aguentar”
AT2 — Qual o momento mais tenso da nova temporada do “Pesadelo na Cozinha”?
Erick Jacquin — É muito difícil de falar isso, porque o meu dia é muito forte. Eu não sei o que vai acontecer, eu não sei como é o restaurante, eu não sei a personalidade da pessoa, eu não sei de nada. É muito complicado, sempre tem uma coisa diferente. Ninguém é igual ao outro.
O que tem de novidade nesta temporada?
Esse tipo de pergunta é muito pesada. São cinco temporadas e, em cada uma, eu falo: “Isso é uma novidade”. Assiste, que você vai ver! Desta vez, a gente vai viajar, vai conhecer um pouco mais do Brasil juntos.
Vieram em algum restaurante do Espírito Santo para gravar o programa?
Não.
Em todas essas temporadas, teve algum dono de restaurante que se recusou a seguir suas orientações?
Uma vez, estava o pai com o filho. O pai foi um militar. O restaurante fechou depois, o pai estava muito autoritário com o filho. Na maioria dos restaurantes, eu amei, eu gostei muito.
Suas dicas vêm de experiência própria?
Tudo que ensino, aprendi na minha vida. Eu comecei a trabalhar com 14 anos, meu pai falou para mim: “Você vai trabalhar no dia em que os outros vão se divertir”. Mas, na realidade, meu pai estava meio errado, porque eu nunca trabalhei, eu só me diverti. Nunca senti que trabalhei em minha vida. Ficando 13, 14 horas dentro de um restaurante, eu sempre me diverti, nunca foi um pesadelo para mim. Quando eu começo a cozinhar no restaurante, eu sou outra pessoa. Eu cozinhando sou outra pessoa. Quando cozinho, estou feliz. Antigamente, eu cantava, assobiava, eu cantava (cantarola “La vie en rose”). Hoje, eu canto menos, porque não sou mais cozinheiro, eu sou patrão. Patrão é a pior coisa dentro de um restaurante.
Qual o principal conselho para quem quer ter um restaurante de sucesso?
O sucesso de um restaurante, não dá para explicar. Às vezes, você tem na mesma rua dois restaurantes, um do lado do outro. Um está lotado e a comida é péssima. Do outro lado, a comida é maravilhosa, mas está vazio, está faltando uma coisa. É a história do boteco, o dono do boteco está lá, conversa com os clientes, conta uma piada, já está feito, todo mundo esquece tudo. No restaurante, precisa ter uma pessoa que está à frente. Quando eu não estou no meu restaurante, é muito diferente, todo mundo fala. Então, o sucesso de um restaurante é estar presente e saber administrar, obedecer o financeiro. Não desafie o dinheiro, obedeça a administração de seu restaurante, porque aí erra só uma vez.
Qual o pior pesadelo para um dono de restaurante?
O pior pesadelo é me aguentar, me deixar falar a verdade para ele, abrir os olhos e concluir: “Jacquin está certo”. Deve ser horrível. Eu não gostaria de passar por isso.
Qual o restaurante que te deu mais trabalho até hoje no programa?
Vou falar de fora do programa. Acho que o restaurante que mais me deu trabalho foi o meu, gente. Para não chegar no pesadelo, todo dia é uma luta, uma organização, uma coisa. Peguei os funcionários do meu restaurante Jojo e falei: “Devemos trabalhar juntos, senão não vai longe, não funciona”. Mas, no programa, cada um tem seus problemas, não existe o pior ou o melhor.
Qual a sensação de ver um restaurante que participou do programa funcionando bem novamente?
É extraordinário! Eu abri os olhos deles, eu não ensinei nada, eu só abri os olhos das pessoas. Mas tem gente que não quer ver a m. que faz. É muito bom abrir os olhos das pessoas.
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