Interesse da geração Z por livros impulsiona mercado literário
Literatura para jovens, as redes sociais, os influenciadores e os clubes de leitura são alguns dos fatores que promovem essa busca
O interesse da geração Z pelos livros vem ganhando espaço e ajudando a movimentar o mercado literário. Impulsionado por tendências nas redes sociais, como o fenômeno do BookTok, o hábito de leitura entre os jovens também se reflete na movimentação da Bienal do Livro, em São Paulo, que reúne leitores, editoras e autores em torno de um mercado em transformação.
Jovens adultos lideram o avanço da leitura
Para o vice-presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Luciano Monteiro, o jovem é um dos principais públicos do evento.
"As nossas pesquisas mostram exatamente isso: há mais jovens, especialmente de 18 a 34 anos, comprando livros"
A pesquisa Panorama do Consumo de Livros confirma esse movimento. Os leitores de 18 a 34 anos foram os que mais avançaram na leitura, com crescimento de 3,4 pontos percentuais em relação à última pesquisa, feita em 2024.
Luciano destaca que, para ele, esse fenômeno está relacionado a alguns aspectos.
"A literatura para jovens adultos, as redes sociais, os influenciadores e os clubes de leitura são alguns dos fatores que promovem essa presença e interesse dos jovens pelos livros"
Esses gêneros ganharam cada vez mais espaço no mercado editorial, especialmente entre as editoras voltadas ao público jovem adulto, explica Leonardo Neto, curador da Arena Cultural da Bienal do Livro.
Participação de crianças e famílias na Bienal
Por outro lado, as crianças também têm constituído boa parte do público da feira literária.
Raquel Oliveira é mãe de Lucas Emanuel, de 10 anos. Ela conta que o filho cresceu lendo.
"Sempre incentivei a leitura dentro de casa. Agora, esse interesse dele se transformou na vontade de vir à Bienal. A gente fica cansada, mas vale a pena ter esse momento"
Além do sucesso entre jovens e crianças, a Bienal do Livro também atrai pessoas de outras idades, consolidando-se como um espaço de encontro entre diferentes perfis de leitores.
Bienal reflete força do mercado editorial
Sevani Matos, presidente da CBL, destaca que a feira é um exemplo do grande crescimento do mercado editorial no Brasil.
"A Bienal do Livro é um grande ponto de encontro do ecossistema do livro. O crescimento da área comercial e a forte adesão do mercado demonstram sua importância como plataforma de negócios e conexão entre diferentes públicos"
Mais de 3 milhões de novos leitores em um ano
Em apenas um ano, mais de 3 milhões de brasileiros entraram para o grupo de consumidores de livros. O número faz parte da pesquisa Panorama do Consumo de Livros, da Câmara Brasileira do Livro, que aponta crescimento de 16% para 18% na parcela da população adulta que comprou ao menos um livro em 2025.
O aumento no número de leitores também se reflete no desempenho do mercado editorial. Para a curadora do espaço Papo de Mercado da Bienal do Livro de 2026, Talita Facchini, o crescimento do público consumidor ajuda a explicar o bom momento vivido pelo setor.
Segundo ela, as pesquisas de mercado mostram que, mês após mês, o faturamento tem superado os resultados do ano anterior.
Bienais e feiras como canais de venda
Esse movimento também pode ser observado nas bienais e feiras de livros, que já aparecem entre os principais canais de venda do subsetor de obras gerais. Para Talita, a presença das bienais nas pesquisas que analisam todo o mercado editorial demonstra a relevância desses eventos para o setor.
"Quando a gente vê que as bienais têm força de entrar numa pesquisa do setor, que analisa todo o mercado editorial, já é muito importante"
A relação entre público e mercado também aparece nos resultados das editoras durante a Bienal. Segundo Talita, o evento registra recordes de vendas ano após ano, impulsionado pela presença dos leitores. Para a curadora, o cenário beneficia toda a cadeia do livro.
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