Trégua na Guerra no Oriente Médio vai conter aumento de preços?
Economistas avaliam que redução do risco no mercado de petróleo tende a diminuir custos de combustíveis, fretes e logística
A trégua acordada entre Estados Unidos e Irã no último domingo para cessar os ataques no Oriente Médio promete reduzir preços no mercado global, com reflexos no Espírito Santo e no Brasil e impacto principalmente nos combustíveis. É o que avaliam economistas.
A trégua reduz o risco relacionado ao comércio de petróleo — impactado pelo fechamento do Estreito de Ormuz—, o que tem efeito nos fretes e na taxa de câmbio, comenta o economista-chefe do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-ES), Felipe Storch.
“Isso pode aliviar expectativas e diminuir a pressão sobre combustíveis e custos logísticos”, afirma.
A previsão é de que a queda apareça em algumas semanas, primeiro nas distribuidoras e depois nas bombas.
O preço do Brent (petróleo cru), ressalta Storch, caiu para perto de US$ 83 após o anúncio do acordo, com recuo de mais de 4%.
O economista explica que o Oriente Médio é central para o mercado de energia e que, quando há risco de guerra, o petróleo sobe por medo de interrupção de oferta. Com o petróleo mais caro, encarece a gasolina, o diesel, o transporte, os fertilizantes, as embalagens e os fretes.
“Isso se espalha para alimentos, indústria e serviços. A trégua reduz esse ‘prêmio de risco’, melhora expectativas e pode aliviar o câmbio, mas só vira inflação menor se o acordo se sustentar”, explica Storch.
Com o cenário de interrupção dos ataques se confirmando, a tendência é de desaceleração gradual da inflação ao longo dos próximos meses, desde que o cenário internacional permaneça relativamente estável e não ocorram novos choques de oferta, avalia o economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon-ES), Vaner Corrêa.
O preço da carne de boi e das refeições diárias também podem sofrer redução, mas indiretamente e de maneira mais lenta, avaliam os economistas. Para eles, o preço da carne depende muito mais do ciclo pecuário, dos custos de produção, do câmbio e das exportações.
“(Sobre as refeições), restaurantes enfrentam custos de aluguel, mão de obra, energia, tributos e alimentos. Mesmo que combustíveis e alguns insumos recuem, a redução dos preços ao consumidor costuma demorar mais e, muitas vezes, ocorre apenas na forma de reajustes menores”, diz Corrêa.
Inflação deve apenas desacelerar
Isoladamente, porém, a trégua não resolve problemas estruturais da inflação brasileira, que têm na inflação dos serviços, na taxa básica de juros e nos gastos públicos fatores internos que freiam a queda geral nos preços, avalia o economista Vaner Corrêa.
“A manutenção da taxa Selic em patamar elevado continua atuando como freio sobre o consumo e o crédito. Persistem fatores de preocupação, como o elevado gasto público, a expansão fiscal e a inflação de serviços, que costuma ser mais resistente à queda”, comenta.
O cenário mais provável, segundo Corrêa, não é de deflação, porém menos acelerada.
O economista-chefe do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças no Estado (Ibef-ES), Felipe Storch, também avalia que a trégua deve mais conter novas altas do que derrubar preços.
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ainda deve seguir pressionado no curto prazo, avalia o especialista. “Porque alimentos, serviços e alimentação fora de casa têm dinâmica mais lenta. Em maio, o IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4,72%, acima do teto de 4,5% da meta”.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários