Após bater US$ 100, petróleo desacelera com extensão do cessar-fogo entre EUA e Irã
Última vez que o Brent superou os US$ 100 foi em 13 de abril, após o fracasso da primeira rodada de negociações entre EUA e Irã
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O petróleo desacelerou nesta terça-feira (21), após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que irá estender o cessar-fogo com o Irã até que uma proposta iraniana seja apresentada, e as negociações sejam concluídas.
Por volta das 17h32, o Brent, referência global, avançava 3,61%, a US$ 98,84 -na máxima do pregão, a commodity chegou a US$ 101,10.
A última vez que o Brent superou os US$ 100 foi em 13 de abril, após o fracasso da primeira rodada de negociações entre EUA e Irã.
Durante o dia, analistas adotaram uma postura mais cautelosa diante da proximidade do fim do cessar-fogo temporário entre os países, o que fez com que os preços do petróleo subissem.
Segundo a TV estatal iraniana, a trégua terminaria na noite desta terça-feira (21h em Brasília) -o presidente dos EUA, Donald Trump, dizia que o cessar-fogo vai até quarta-feira (22) à noite.
No fim da tarde, Trumo anunciou que iria prorrogar a trégua indefinidamente. Ele afirmou ter recebido um pedido do Paquistão, que tenta mediar o fim da guerra, para suspender quaisquer ataques.
"Determinei que nossas forças armadas continuem o bloqueio e, em todos os demais aspectos, permaneçam prontas e em condições de agir, e assim estendo o cessar-fogo até que a proposta seja submetida e as discussões sejam concluídas, de um jeito ou de outro", escreveu Trump no Truth Social.
O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, lidera uma delegação no Paquistão para retomar as negociações. Ele já havia participado das conversas no início de abril, que terminaram sem acordo.
Enquanto o impasse persiste, o tráfego marítimo no estreito de Hormuz -por onde passa cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás natural liquefeito- permanece praticamente paralisado nesta terça-feira.
Segundo dados de navegação, apenas três navios passaram pela via nas últimas 24 horas. O volume representa uma fração da média de 140 embarcações que transitavam diariamente pelo estreito antes do início do conflito entre EUA, Israel e Irã, em 28 de fevereiro.
Para analistas, as incertezas nas negociações é principal fator por trás da nova alta dos preços.
"Houve aumento do prêmio de risco geopolítico no Oriente Médio. Isso reflete tanto a frustração com as tentativas de negociação em Islamabad quanto a proximidade do fim da trégua. O mercado começa a precificar maior dificuldade na retomada dos fluxos de petróleo pelo estreito de Hormuz", diz Bruno Cordeiro, especialista em energia da StoneX.
Segundo ele, a falta de avanço nas negociações aponta para a indisponibilidade de produtos. "Os sinais de escassez ficam mais claros, e isso se reflete nos preços. Há indícios de disrupção na oferta de combustível de aviação e queda dos estoques globais de petróleo."
Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, reforça que novas restrições no estreito voltaram a pressionar as cotações, após a reabertura da via na sexta-feira (17) terem derrubado os preços. "Nas últimas semanas, não houve novas notícias de confronto armado, mas isso pode mudar agora. Como não há clareza sobre o fim da guerra, o estresse retorna."
Para a XP, o cenário é de incerteza. " Mesmo com um cessar-fogo em vigor, o processo de normalização tende a ser longo e incerto. O equilíbrio político permanece frágil e a oferta de petróleo não deve se recompor rapidamente".
A guerra, agora em sua oitava semana, tem pressionado os preços da commodity. Desde o início do conflito, o Brent acumula alta de cerca de 38%.
BOLSAS CAEM COM INCERTEZA E AVERSÃO GLOBAL AO RISCO
Com o cenário geopolítico incerto, Bolsas globais recuaram nesta terça com uma maior aversão global ao risco. O pregão no Brasil ficou fechado em função do feriado de Tiradentes.
Nos EUA, os índices S&P 500, Nasdaq e Dow Jones fecharam em queda de 0,63%, 0,59% e 0,21%, respectivamente. Na Europa, a Bolsa EuroStoxx, referência do continente, recuou 1,01%.
O dólar, considerado um ativo de segurança, avançou. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda frente a uma cesta de seis divisas fortes, subia 0,28% por volta das 17h30.
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