Força-tarefa para garantir investimentos de R$ 5,4 bilhões para o ES
Governo do Espírito Santo e setor produtivo criam grupo de trabalho para se preparar de olho no descomissionamento de plataformas
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Uma força-tarefa foi montada pelo governo do ES para aumentar as chances de o Espírito Santo atrair investimentos na desmontagem de navios-plataforma, mercado que promete movimentar R$ 5,4 bilhões.
Uma portaria foi publicada no Diário Oficial do ES (DOE), no início do mês, criando um grupo de trabalho que terá a finalidade de “entender a fundo e preparar mais ainda o ambiente” de negócios, comentou o secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume.
A fala ocorreu no lançamento do Anuário do Petróleo e Gás Natural de 2026, da Findes, na terça-feira (15), no Palácio Anchieta, com a presença do governador Ricardo Ferraço.
A força-tarefa é integrada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento (Sedes), pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) e pela Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), com a Findes.
O foco é reunir esforços para desenvolver a indústria de bens e serviços que atua para a desmontagem dos navios, e pensar na questão regulatória. “Precisamos trabalhar as questões tributárias, logísticas, ambientais. Estamos envolvidos nesse projeto, para que a gente possa transformar o Estado no principal polo de descomissionamento no Brasil”, disse Salume.
Uma das demandas é o setor tecnológico, comenta o presidente da Findes, Paulo Baraona. Segundo ele, a complexidade desse tipo de operação exige a atração de empresas de fora, que possuam o conhecimento específico.
Salume concorda, destacando o potencial de atração de investimentos para o Espírito Santo. “A gente já aprendeu que não precisa começar do zero. A gente pode começar com o 'know-how' de outras pessoas. Podemos atrair outras empresas para nos ajudar aqui”, diz.
Para Ricardo Ferraço, a experiência e infraestrutura portuária coloca o ES à frente de outras localidades. “Isso é o início de um novo ciclo previsto, contratado, e que estamos nos organizando para atrair essa atividade econômica geradora de oportunidades”, disse.
Esse trabalho exige tempo e esforço contínuo, com projetos previstos para daqui a 5 anos já sendo articulados com potenciais investidores no presente, segundo o vice-presidente da Findes, Luis Cordeiro.
Diferentemente dos investimentos em produção, o descomissionamento é obrigatório, já está previsto e não pode ser retirado dos planos das petrolíferas. Assim, a atração de empresas para viabilizar projetos de desmontagem de plataformas tende a assegurar, com maior previsibilidade, a entrada de recursos e o estímulo à economia.
Cinco mil empregos e salários de até 40 mil reais
A indústria de desmontagem de plataformas de petróleo promete criar 5 mil empregos diretos e indiretos nos próximos anos no Espírito Santo, com salários que podem chegar a R$ 40 mil — como publicou A Tribuna em março.
Isso ocorre porque há uma série de estruturas da Petrobras em alto-mar que precisam ser retiradas.
Atualmente, 26 projetos de descomissionamento estão aprovados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que juntos representam investimentos de R$ 4,8 bilhões.
O Espírito Santo figura em terceiro lugar em volume de recursos previstos para esse tipo de operação, atrás apenas do Rio de Janeiro e de Sergipe, segundo o anuário elaborado pela Federação das Indústrias do Estado (Findes) sobre o setor do petróleo e do gás natural.
Até 2029, cerca de R$ 49 bilhões (US$ 9,8 bilhões) serão investidos nesse mercado e no abandono permanente de poços, com a Bacia do Espírito Santo representando um percentual significativo.
Espírito Santo já tem 652 indústrias envolvidas no segmento
O Espírito Santo possui 652 empresas envolvidas na cadeia produtiva do petróleo e gás, apontam dados do Ministério do Trabalho e Emprego, apresentados no Anuário do Petróleo e Gás Natural e divulgados ontem pela Federação das Indústrias do ES (Findes).
Juntas, essas indústrias geram 17,2 mil empregos formais diretos, com salário médio de R$ 7.954,70.
A perspectiva é de que sejam criados mais 5 mil empregos nos próximos anos com a atração de indústrias para participar dos projetos de descomissionamento de plataformas de petróleo e gás, afirmou o presidente da Findes, Paulo Baraona.
A execução desses projetos é prevista para ter início por volta de 2028, quando deve ocorrer um “declínio natural” da produção nos campos capixabas.
“Nos próximos anos, muitas plataformas encerrarão suas atividades. É nesse cenário que surge a oportunidade de sermos o primeiro estado brasileiro a estruturar, de forma sistemática, a cadeia de descomissionamento offshore”, diz Baraona.
Saiba Mais
Aumento de produção
O próximo pico de produção de petróleo e gás natural no Espírito Santo deve ocorrer em 2027. Os dados fazem parte da 9ª edição do Anuário da Indústria de Petróleo e Gás Natural no ES, lançado ontem pela Federação das Indústrias (Findes).
O documento reúne os principais dados e análises do setor, além de apresentar projeções de investimentos e de produção de óleo e gás no Espírito Santo.
De acordo com o Anuário, entre 2025 e 2027 a produção de petróleo e gás no Estado deve crescer, em média, 13,5% ao ano, chegando a 248,4 mil barris de óleo por dia e 6,2 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural por dia.
O destaque é a produção offshore (no mar), que terá incremento anual de 13,8%.
Descomissionamento
Já a partir de 2028, é previsto o início de um processo de declínio natural da produção dos campos capixabas, o que resultará na redução da produção.
Com os campos de petróleo “amadurecendo” — ou seja, reduzindo a quantidade de óleo e gás extraídos —, nos próximos anos muitas plataformas encerrarão as atividades, cenário que cria oportunidades para indústrias no Estado.
Atualmente, 26 projetos de descomissionamento estão aprovados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Juntos, representam investimentos de R$ 4,8 bilhões.
Panorama do setor
O setor de Petróleo e gás (P&G) passou a empregar 17.228 trabalhadores no Espírito Santo, com a criação de 2.120 empregos com carteira assinada no ES em 2024, últimos dados consolidados pela Federação das Indústrias (Findes).
O dado representa um crescimento de 14% frente ao ano anterior. Nesse mesmo período, o número de empresas da cadeia de P&G no Espírito Santo cresceu 6,5%, alcançando 652 estabelecimentos formais.
Com a abertura líquida de 40 novos estabelecimentos em 2024, o Estado respondeu por 2,2% de todas as empresas do setor no País.
Empregos
Já com relação aos empregos, a cadeia de P&G no Espírito Santo respondeu por 3,3% dos vínculos com carteira assinada criados pelas mesmas atividades em todo o Brasil.
O número de jovens de 18 a 29 anos empregados no setor cresceu 22,4%, desempenho significativamente superior ao crescimento registrado em nível nacional no mesmo período, que ficou em 4,2%.
Com esse crescimento, os jovens representaram 26,1% do total de vínculos no Estado, resultado que sugere um movimento de maior incorporação de trabalhadores mais jovens no mercado de trabalho do setor.
Os com idade entre 30 e 49 anos permaneceram, no entanto, como o principal contingente da força de trabalho, representando 58,2% dos vínculos.
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