Faturamento este ano com venda de bike elétrica já superou 2025 inteiro no ES
Vendas de bicicletas elétricas no Espírito Santo atingem R$ 197 milhões de janeiro a julho e já superam em R$ 42 milhões todo o faturamento de 2025
As bicicletas elétricas caíram no gosto popular e suas vendas vêm crescendo de forma expressiva no mercado capixaba. Este ano, o faturamento no setor superou em R$ 42 milhões o valor total das vendas de 2025.
Os dados são da Secretaria de Estado da Fazenda do Espírito Santo (Sefaz-ES) e dizem respeito apenas ao número de bicicletas elétricas comercializadas, a partir das informações declaradas nos documentos fiscais. Número que não inclui, por exemplo, venda de peças e outros serviços como manutenção.
De janeiro a julho, foram registradas vendas que somam aproximadamente R$ 197 milhões, correspondentes a 26.827 unidades. Em 2025, foram R$ 155 milhões e 19.308 bikes vendidas.
Segundo a Sefaz-ES, as operações de venda foram realizadas por 603 empresas estabelecidas no Estado, além de 363 empresas de outras unidades da Federação.
Consultor de vendas da loja Multibike, Lucas Hasntenreiter tem observado esse crescimento na prática. “Elas crescem cada vez mais dentro do Estado devido ao próprio Estado proporcionar essa locomoção. Os bairros são próximos e dá para usá-las para se locomover com muito mais facilidade e agilidade, sem pegar trânsito, sem poluir e economizando”, diz.
Ele entende bem já que, antes de começar a vender, já tinha comprado a sua própria.
Segundo ele, a maior parte das vendas de bike da Multibike está em torno de modelos com preço próximo a R$ 7 mil.
Paulo Carvalho, gerente da LAF — Life and Freedom de Vitória, descreve o mercado como “promissor”. A marca também tem atuação no interior, mas diz que a maior parte das vendas ocorre na Grande Vitória.
“A população está mais familiarizada e a geografia da região influencia e ajuda no desenvolvimento do setor por ter mais ciclovias e condições de tráfego com segurança.”
No Brasil o mercado está crescendo “fortemente” e tem potencial “muito grande” para continuar, destaca Pierre de Tarde Lamiot, CEO da S2 Bicycle Industries, empresa que engloba as marcas Sense Bike e Swift Bicycles e, segundo ele, uma das primeiras a trazer e produzir bikes elétricas urbanas no Brasil. “Hoje apenas uma pequena parcela da população a usa. O Brasil é um país continental. A expectativa é muito boa.”
Preço ainda é uma barreira para total popularização
As bicicletas elétricas devem se tornar um meio de locomoção massivo. Mas o preço ainda é um desafio para essa popularização. É o que diz Marcos Ribeiro, diretor de marketing da Caloi. Já receios por conta de chuva se tornou mais um entrave psicológico.
“O primeiro entrave é o dinheiro. Mesmo uma de qualidade duvidosa ainda custa uns R$ 3 mil. Para um item que ainda não é de primeira necessidade para a população, isso é alto”, destaca.
Mas, segundo ele, os preços devem abaixar nos próximos anos. “Vai cair porque você começa a sensibilizar a tecnologia. Hoje, qualquer produto elétrico, em torno de 65% do custo é bateria e motor. O motor tem cada vez se tornado mais acessível; a dificuldade é a bateria porque entra uma questão de periculosidade”, diz.
Sobre chuvas, Marcos explica já haver modelos de bicicleta elétrica, como os da Canon, cuja bateria tem resistência à agua que, mesmo ao percorrer um rio, tem proteção.
“A questão da água não é um problema para o pessoal do elétrico como já foi no passado. A chuva é muito mais um empencilho psicológico”, explica Marcos.
Isso não significa que todos os modelos a venda tenham o mesmo nível de resistência. A orientação de Marisa Carvalho, da loja Celeito Bike Shop, é não utilizar em locais alagados ou durante chuvas intensas. “Possuem resistência à água mas não são à prova d'água.”
Além da chuva e do preço, há outros desafios. Luiz Saldanha, diretor executivo da Aliança Bike, aponta a falta de infraestrutura e a segurança viária. Além disso, explica que, embora haja uma legislação federal, a maioria dos municípios não tem regras próprias, o que causa insegurança jurídica e incerteza para quem poderia comprar uma bicicleta elétrica.
“Precisaria melhorar segurança viária e jurídica, permitindo que a pessoa saiba que pode usar seu veículo e onde”, diz.
“Eu me arrependi de comprar”, diz enfermeiro
Nem sempre comprar uma bicicleta elétrica termina com um final feliz. Para Marlos Braun, um enfermeiro de 48 anos, se tornou um arrependimento. “Eu me arrependi de comprar”, conta.
Marlos comprou em outubro de 2024 de uma loja no Espírito Santo por R$ 10.990. Ele conta que seu objetivo era ir ao trabalho com ela. Mas quatro dias depois de comprar, começou a apresentar defeitos.
Continuou tentando usá-la, até que, em julho de 2025, sofreu um acidente. A causa, diz, foi a queda da bateria.
No final daquele mês, entrou com um processo contra a loja pedindo o ressarcimento do valor da bike e danos morais de R$ 10 mil. “Estou aqui com ela toda quebrada sem poder usar.”
Ele conta que uma das alegações da empresa foi que a bike era chinesa e isso dificultava o reparo. “Diziam que não tem como consertar porque ela é fabricada na China.” O manual, diz Marlos, também não era traduzido.
O que saber para comprar uma bike
A escolha certa
Segundo especialistas, o primeiro passo ao comprar uma bike elétrica é saber qual uso vai fazer dela. É para passeio? Trabalho? Esportes radicais? Vai passear com os filhos ou sozinho? Tudo isso impacta no modelo e no preço da bike.
Ambiente
Também é importante conhecer as leis do seu município, como locais onde a bike elétrica pode circular e a que velocidade. Parques, por exemplo, têm regras próprias.
Na hora da compra, também é preciso entender seu ambiente. Isso significa, por exemplo, saber as regras do seu prédio: permite que a bike seja transportada até o apartamento ou é limitada a garagem? Tem onde carregar? O tamanho da sua casa, cabe o modelo?
Bateria
A vida útil varia de acordo com o material utilizado. Segundo as lojas consultadas pela reportagem, baterias de lítio duram entre três e cinco anos, enquanto as de chumbo têm vida útil de um a três anos. Cuidados, frequência de utilização e forma de carregamento e armazenamento também interferem na durabilidade. Uma bateria nova pode custar R$ 3 mil.
Os carregadores podem ser utilizados em tomadas comuns. A possibilidade de retirar a bateria depende do modelo. Algumas são fixas, mas a maioria permite que a bateria seja retirada e carregada em outro local. Há também modelos que permitem o carregamento diretamente na bicicleta. O custo médio de uma carga completa, segundo a loja Celeiro Bike Shop é de R$ 0,50.
Nota fiscal e pós-venda
Verifique a procedência da bicicleta. A nota fiscal é importante para garantir seus direitos e facilitar o acesso ao suporte em caso de necessidade. Também vale pesquisar a loja, saber há quanto tempo está no mercado e, principalmente, se oferece assistência no pós-venda.
Antes da compra, verifique ainda se há peças de reposição para o modelo. Isso é especialmente importante no caso de bicicletas importadas, que podem ter peças de reposição menos disponíveis ou de difícil acesso.
Cuidado com o veículo
Diferentemente de uma bicicleta convencional, a elétrica exige cuidados específicos. A falta de revisões e de manutenção preventiva pode acelerar o desgaste dos componentes e provocar problemas nas partes elétrica e mecânica. Pastilhas de freio e pneus, por exemplo, sofrem desgaste natural e precisam ser substituídos
Manutenção
A loja faz manutenção? Ou sabe indicar quem faça? Assim como outros veículos, bicicletas elétricas precisam de manutenção periódica para evitar problemas.
Segundo as lojas consultadas pela reportagem, uma orientação é fazer a primeira revisão após 1.000 km ou três meses de uso, o que ocorrer primeiro. O serviço no Estado custa entre R$ 250 e R$ 550, dependendo do modelo e dos serviços necessários.
Depois da primeira revisão, um mecânico poderá indicar os próximos períodos de manutenção, de acordo com a frequência de uso e as condições do veículo.
Ladeiras
Qual será o trajeto feito? Ladeiras podem aumentar o consumo da bateria e interferir na autonomia.
Peso e capacidade
Vai transportar outra pessoa? Confira a capacidade de carga e o desenho do modelo. Há bicicletas que permitem levar passageiros, enquanto outras são projetadas para apenas uma pessoa.
Seguros
Um conselho é adquirir um seguro para a sua bike. Hoje eles já tem condições próprias para esse tipo de veículo e fornecem assistência quando necessário.
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