Governo destina R$ 4 bi em crédito subsidiado a fertilizantes e minerais críticos
Setores de fertilizantes e minerais críticos receberão R$ 4 bi em crédito subsidiado no Brasil Soberano, em meio ao tarifaço dos EUA
O governo destinou R$ 4 bilhões em crédito subsidiado para os setores de fertilizantes e minerais críticos dentro da terceira fase do programa Brasil Soberano, lançado em resposta ao novo tarifaço de 37,5% aplicado pelos Estados Unidos no mês de julho.
Embora não estejam tarifados pelos EUA, os setores de adubos, fertilizantes e minerais críticos contarão com R$ 4 bilhões dentro dos R$ 13,5 bilhões destinados pelo Tesouro ao programa, ou cerca de 29% dos recursos disponibilizados pelo governo para a linha.
Os exportadores e fornecedores diretamente afetados pelas tarifas americanas –madeira processada, calçados, máquinas e equipamentos, entre outros–, ficaram com outros R$ 5 bilhões (37%). Os R$ 4,5 bilhões restantes se dividirão entre os exportadores afetados pelo fechamento do estreito de Hormuz (R$ 3,5 bi) e outros setores considerados estratégicos para a balança comercial (R$ 1 bi).
A linha ainda depende de resolução do CMN (Conselho Monetário Nacional) para começar a rodar. O governo projeta juros de 3% a 9,8%, em geral melhores que os encontrados no mercado. Linhas de capital de giro, por exemplo, terão juros maiores, enquanto a de minerais críticos terá a menor taxa do programa.
Anunciado como uma resposta ao tarifaço, o Brasil Soberano inclui também setores identificados como estratégicos para a transição à economia de baixo carbono em função de objetivos de segurança econômica, energética ou geopolítica.
No caso específico dos fertilizantes, os importadores brasileiros enfrentam escassez e altos preços no mercado internacional após o fechamento do estreito de Hormuz e a Guerra da Ucrânia. O governo tenta impulsionar a fabricação em solo nacional, reduzindo a crônica dependência desses insumos, que são essenciais para agricultura.
Além dos R$ 13,5 bilhões regulamentados, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) também destinará R$ 5 bilhões em recursos próprios para o Brasil Soberano, totalizando R$ 18,5 bi.
Em julho, a Casa Branca anunciou uma nova rodada de tarifas punitivas de 25% contra as exportações brasileiras. Essa sobretaxa, embora tenha exceções, deve atingir 18% das exportações brasileiras aos EUA, ou cerca de US$ 7,4 bilhões (R$ 38 bilhões), considerando dados de 2024.
Ainda no mês passado, o governo americano aplicou outra sobretaxa, desta vez de 12,5% e com base na suposta falha do Brasil em combater a importação de produtos produzidos por trabalho forçado. Essa tarifa atinge um grupo muito semelhante de produtos e substitui uma outra sobretaxa de 10% que estava em vigor anteriormente.
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