Devolução de até R$ 250 mil a correntistas do Will Bank será mais rápida
Número de investidores é menor do que do Banco Master, e parte dos clientes da instituição já foi ressarcida
A devolução de R$ 250 mil aos correntistas do Will Bank – cuja liquidação foi decretada ontem pelo Banco Central – deve ser mais rápida do que a que está ocorrendo no caso do Banco Master, que demorou dois meses para iniciar os pagamentos, segundo especialistas do setor e o Fundo Garantido de Crédito (FGC).
Esse cenário ocorre porque o volume de ativos do Will Bank é bem menor do que o da instituição principal de Daniel Vorcaro.
Outro motivo apontado é o fato de que clientes do Will Bank que já foram ressarcidos pelo FGC na liquidação do Banco Master e que tenham atingido o limite de garantia do fundo, de R$ 250 mil, não devem receber nenhum valor adicional.
“Caso o credor já tenha recebido o valor limite da garantia de R$ 250 mil na liquidação das instituições Banco Master, Banco Master de Investimento ou Letsbank, não haverá valores adicionais a receber do FGC, uma vez que todas as instituições pertencem ao mesmo conglomerado financeiro”, diz o FGC em nota.
O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional e atua na manutenção da estabilidade do sistema, na prevenção de crises bancárias e na proteção de depositantes e investidores.
Na prática, funciona como um fundo privado que atua como um seguro. É ele quem garante que os recursos depositados ou investidos em um banco permaneçam protegidos caso a instituição financeira enfrente alguma crise ou dificuldade.
Segundo o FGC, os clientes que adquiriram produtos elegíveis à garantia do fundo antes da aquisição do Will Bank pelo Master, em 21 de agosto de 2024, terão os pagamentos preservados.
O Will Bank foi criado no Espírito Santo, em 2017, como uma fintech, sob o nome Meu Pag!, e foi comprado pelo Banco Master em 2024. Originalmente, ele tinha como proposta ampliar a inclusão financeira, oferecendo produtos como cartão de crédito sem anuidade a clientes fora do sistema bancário tradicional.
Após ser integrado ao conglomerado do Banco Master, o Will Bank chegou a 12 milhões de clientes em todo o País – e, com a liquidação decretada, tem cerca de R$ 6,5 bilhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) a pagar, segundo dados do Banco Central. Cada correntista poderá receber até R$ 250 mil, que é o teto previsto pelo FGC.
Os Números
R$ 6,5 bi em CDBs a pagar tem o Will Bank
12 milhões de clientes chegou a ter no País
2017 ano em que o Will Bank foi criado
Fraude apontada em 2024
Desde 2024, a Justiça brasileira já havia apontado que o Will Bank praticava “engenharia financeira fraudulenta”. Documentos de processos trabalhistas mostram que o Will Bank utilizava o dinheiro depositado nas contas de pagamento pelos seus clientes para adquirir CDBs (Certificados de Depósito Bancário) da financeira do mesmo grupo econômico.
Na prática, o dinheiro girava na própria estrutura da instituição, inflando artificialmente os números. O dinheiro era aplicado sem conhecimento e autorização dos clientes, segundo relatos de ex-funcionários nos processos judiciais.
De acordo com informações do Banco Central referentes a setembro do ano passado, o Will Bank tem R$ 6,508 bilhões em CDBs a pagar. CDB é um investimento de renda fixa onde um cliente “empresta” dinheiro a um banco, e a instituição devolve o valor ao cliente com juros após um prazo, funcionando como uma forma de captar recursos para financiar suas operações de crédito.
Quando o Will Bank investe o dinheiro dos clientes em CDBs, consegue usá-lo para financiar suas principais atividades, que são oferecer crédito rotativo e empréstimos pessoais a seus próprios clientes, realizando autoempréstimo.
O Will Bank abre uma conta em sua própria instituição financeira para cada cliente, sem conhecimento dele, transfere o dinheiro dos clientes para essa conta e adquire CDBs em seus nomes.
Os documentos judiciais indicam também que um dos CNPJs do Will Bank, a Will S.A., opera sob o disfarce jurídico de Instituição de Pagamento (IP) para fugir da regulação bancária rígida, enquanto atua, na prática, como banco.
Em novembro de 2025, quando o Banco Central liquidou o Master, o Will Bank foi preservado porque havia a possibilidade de a instituição ser comprada por investidores, o que acabou não ocorrendo.
Saiba Mais
Origem
O Will Bank foi criado no Espírito Santo, em 2017, como uma fintech, sob o nome Meu Pag!, e foi comprado pelo Banco Master em 2024. Originalmente, ele tinha como proposta ampliar a inclusão financeira, oferecendo produtos como cartão de crédito sem anuidade a clientes fora do sistema bancário tradicional.
Após ser integrado ao conglomerado do Banco Master, o Will Bank chegou à marca de 12 milhões de clientes em todo o País.
Liquidações
Em novembro do ano passado, quando o Banco Central liquidou o Banco Master, o Will Bank foi preservado porque havia a possibilidade de a instituição ser comprada por investidores, o que acabou não ocorrendo.
Na última terça-feira (20), a bandeira de cartão de crédito Mastercard suspendeu a aceitação de cartões emitidos pelo Will Bank depois de o banco não honrar pagamentos.
A bandeira também tinha executado garantias ligadas a dívidas do Will Bank, e passou a deter participações relevantes na varejista de móveis Westwing e no BRB (Banco de Brasília).
O anúncio da Mastercard motivou a decisão do Banco Central de liquidar, na quarta-feira (21), o Will Bank.
Seguro
Segundo o FGC, os clientes que adquiriram produtos elegíveis à garantia do fundo antes da aquisição do Will Bank pelo Master, em 21 de agosto de 2024, terão os pagamentos preservados.
O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional e atua na manutenção da estabilidade do sistema, na prevenção de crises bancárias e na proteção de depositantes e investidores.
Na prática, funciona como um fundo privado que atua como um seguro. É ele quem garante que os recursos depositados ou investidos em um banco permaneçam protegidos caso a instituição financeira enfrente alguma crise ou dificuldade.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários