Como vai funcionar o fundo para transição energética, que vai investir R$ 1 bilhão
Banco assinou acordo com o governo do Estado para aplicar montante de R$ 400 milhões no Fundo de Descarbonização
O Banco de Desenvolvimento do Estado (Bandes) lançou ontem o Fundo de Descarbonização, que terá valor de investimentos na ordem de R$ 1 bilhão, voltados para a transição energética no Espírito Santo. A gestora de fundos de investimentos BTG Pactual Asset Management, braço do banco privado, assinou um acordo com o governo do Estado e vai aplicar R$ 400 milhões no fundo.
Além dos valor colocado pelo banco privado, o fundo já conta com outros R$ 500 milhões do Fundo Soberano do Estado, uma espécie de poupança em que grande parte dos recursos vem dos royalties de petróleo, pagos pelas petrolíferas ao governo devido a explorações na Bacia de Campos, no litoral Sul do Estado.
A iniciativa, voltada para financiar projetos que ajudam a eliminar gases do efeito estufa em indústrias e atividades industriais — como transporte de cargas —, é a primeira do Brasil que une recursos públicos e privados.
O objetivo é que as indústrias tenham acesso ao dinheiro para realizarem a transição energética. Além disso, podem ser financiados pelo fundo iniciativas e projetos que criem mecanismo para que essa transição aconteça.
“O foco é eficiência energética, eletrificação de processos, tecnologia limpa, combustíveis renováveis, redução comprovada de emissões e ganhos estruturais nas cadeias produtivas do Estado”, afirma o sócio da BTG, Marcelo Fiorellini.
Entre os projetos financiáveis estão iniciativas de produção de biogás a partir de resíduos.
“Com o financiamento, as empresas que fazem a gestão de resíduos podem canalizar esse gás e transformá-lo em gás que possa ser lançado no sistema de rede de gás do Estado”, destaca o governador Renato Casagrande.
Outra medida, segundo Casagrande, é modificar a frota de ônibus para utilizar combustíveis menos poluentes. “Você tem ônibus não a combustão, mas elétrico, ou ônibus a biogás, utilizando esse gás produzido de resíduos para poder movimentar esses ônibus”.
Outros R$ 100 milhões serão captados pela BTG Pactual Asset, também gestora do fundo de descarbonização, junto a companhias privadas, conta Fiorelli.
A agência de atração de investimentos do Estado, a NovaES, também participa do processo.
“Vamos dialogar com empresários, investidores e grandes projetos para transformar essa iniciativa em oportunidades concretas de desenvolvimento sustentável”, diz o secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume.
Saiba mais
Descarbonização
O Fundo de Descarbonização foi oficialmente colocado em prática a partir da assinatura da parceria entre o Banco de Desenvolvimento do Estado (Bandes) e a BTG Pactual Asset Management, empresa vencedora da licitação.
Ele começa com um volume inicial de R$ 1 bilhão e tem como objetivo financiar a transição energética no Espírito Santo, dentro de um plano de descarbonização apresentado pelo governo do Estado.
Origem dos recursos
Os recursos são provenientes do Fundo Soberano do Estado, formado a partir dos royalties do petróleo.
Trata-se de uma riqueza gerada por um combustível fóssil, que passa a ser utilizada para financiar a transição energética, permitindo a substituição de fontes fósseis por medidas mais eficientes e por fontes renováveis de energia.
Metas ambientais
O plano de descarbonização prevê a necessidade de um montante de quase R$ 5 bilhões em investimentos até 2030.
A meta estabelecida é reduzir em 27% as emissões de gases de efeito estufa até esse prazo, com o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050.
Financiamento
A proposta do fundo é oferecer crédito ao setor privado com custo e juros menores do que os normalmente praticados no mercado, criando incentivos econômicos para que as empresas invistam em projetos de descarbonização.
Os detalhes sobre os critérios de enquadramento, as condições operacionais e os procedimentos para acesso aos recursos serão divulgados em breve.
Ampliação do fundo
A estrutura do fundo permite a entrada de novos investidores além dos recursos iniciais do Fundo Soberano.
Empresas e instituições financeiras do Brasil e do exterior poderão aportar recursos, seguindo os critérios e taxas do fundo, ampliando a capacidade de financiamento e o impacto das ações.
Exemplos de financiamentos
Entre os projetos financiáveis estão iniciativas de produção de biogás a partir de resíduos.
Esse gás, que antes era queimado e liberava gases de efeito estufa na atmosfera, pode ser captado, tratado e transformado em energia, inclusive com possibilidade de inserção na rede de gás do Espírito Santo.
É possível financiar também projetos de mobilidade sustentável, como a substituição de ônibus movidos a combustão por veículos elétricos ou movidos a gás e biogás.
O uso do biogás produzido a partir de resíduos permite integrar soluções ambientais à mobilidade urbana, reduzindo emissões e ampliando a eficiência do sistema de transporte.
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