3 Origens cafeeiras e um destino
Encontro em 20 e 21 de agosto, no Cais das Artes, conecta produção, indústria, porto e mercados globais do café
Marcus e Matheus Magalhães
Marcus e Matheus Magalhães são Analistas do Mercado Agro
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Quando reunimos em Vitória representantes do Brasil, do Vietnã e da Colômbia, os 3 maiores produtores de café do mundo, colocamos o Espírito Santo diante de uma oportunidade maior que um bom evento.
O Vitória Coffee Summit chega à 3ª edição nos dias 20 e 21 de agosto, no Cais das Artes, com painéis e encontros entre produtores, exportadores, indústrias, cooperativas e pesquisadores. A intenção é clara: queremos discutir o café a partir de um estado que conhece a lavoura, o comércio, a indústria e o porto.
Durante muito tempo, medimos nossa força pelo volume produzido. E temos motivos para reconhecer esse peso. Lideramos a produção brasileira de conilon, movimentamos uma cadeia extensa e participamos das exportações nacionais. Essa escala gerou renda e deu ao Espírito Santo um lugar central no setor.
Agora, precisamos acrescentar outra medida: nossa capacidade de influenciar as conversas que moldam o mercado.
O café responde cada vez mais a fatores que nascem longe da propriedade. Quando acompanhamos uma safra, também acompanhamos clima, câmbio, juros, conflitos internacionais, frete e mudanças no consumo. Uma decisão tomada em outro país pode alterar a renda no interior capixaba, o preço na indústria, o fluxo nos portos e o valor pago pela xícara.
É aí que o Summit ganha sentido. Aproximamos quem produz de quem compra, financia, transporta e transforma. Comparamos experiências, antecipamos riscos e organizamos respostas. O palco ajuda, mas o resultado real aparece depois, nas parcerias, nos contratos e na qualidade das decisões.
Também precisamos olhar para dentro. Quanto mais projeção conquistamos, maior fica nossa responsabilidade com pesquisa, qualidade, infraestrutura, sucessão familiar e renda no campo. O reconhecimento internacional só se sustenta quando chega a quem acorda cedo, cuida da lavoura e carrega boa parte do risco da atividade.
A presença das 3 maiores origens reforça essa dimensão. Cada uma tem sua história e seus desafios, mas todas convivem com um mercado sensível ao clima, à política e ao comportamento do consumidor. Escutar essas diferenças a partir de Vitória amplia nossa leitura e ajuda a defender melhor nossos interesses.
Ao escolhermos Vitória para essa conversa, afirmamos algo construído ao longo de décadas. O Espírito Santo ocupa um lugar central no café brasileiro e pode ampliar sua presença nas decisões do setor. Produzir muito nos trouxe até aqui. Transformar conhecimento e reputação em influência será o passo seguinte.
Em agosto, teremos uma vitrine dessa ambição. Depois, caberá a nós medir o que ficou além das fotografias e dos painéis. A força de um evento aparece quando consegue se desdobrar. E a voz do Espírito Santo ficará maior se transformar visibilidade em resultado concreto.
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Coluna assinada por Marcus e Matheus Magalhães