Espírito Santo: Um estado em evolução
Estado anda em várias direções ao mesmo tempo, e todas parecem estar dando certo
Marcus e Matheus Magalhães
Marcus e Matheus Magalhães são Analistas do Mercado Agro
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Os últimos dias começaram cedo e acabaram tarde, e não foram num lugar só. Passamos por uma empresa de distribuição de gás natural, por terminal logístico portuário, por uma feira lotada na Praça do Papa e por uma sala de aula com cheiro de café. No fim de sete dias assim, dá para sentir uma coisa que número nenhum mostra sozinho: o Espírito Santo anda em várias direções ao mesmo tempo, e todas parecem estar dando certo.
Foi nesse mesmo ritmo que a GWM lançou a pedra fundamental da fábrica em Aracruz. O Espírito Santo disputou o investimento com outros cinco estados e ainda outros países. E venceu. Serão R$ 4,6 bilhões na primeira fase, até 200 mil veículos por ano, o primeiro projeto da montadora chinesa fora da Ásia, com elétrico, híbrido e combustão saindo da mesma linha. Em ritmo pleno, a partir de 2029, a promessa é de até 10 mil empregos diretos e indiretos.
Assim, seguimos nossa própria rota pelo Estado. Na ES Gás, ouvimos sobre os planos de biometano e a meta de carbono zero, que caminham lado a lado com a expansão das linhas de gás encanado. Depois, no TVV, pela Login, vimos de perto o porto em pleno movimento: contêiner empilhado, guindaste trabalhando, rumo a uma expansão de 286 mil para 368 mil TEUs por ano, com contrato de arrendamento renovado até 2048. Na Praça do Papa, a Feira Sabores da Terra reunia 178 produtores da agricultura familiar, numa vitrine que já virou tradição em Vitória. E para fechar a semana, um de nós sentou em sala de aula outra vez: curso sobre café, parceria entre a Coffes e o Coffee Design, do plantio ao cupping.
Nada disso é isolado. O Espírito Santo já viveu duas fases econômicas: o café, por quase um século, e depois a industrialização pesada dos anos 1970, com o Complexo de Tubarão. O que vemos agora, com a GWM somada ao gás, ao porto, à feira e ao próprio café se profissionalizando, tem cara de terceira fase, com setores diferentes amadurecendo juntos.
A GWM escolheu o Espírito Santo depois de comparar outros cinco estados, porque encontrou infraestrutura energética, porto em expansão e segurança jurídica construídas ao longo de anos. É a mesma base que permite à ES Gás testar biometano, ao porto ampliar capacidade, à feira virar vitrine estruturada e a um curso formar gente em classificação e prova. Muda o setor, muda o produto. A base é a mesma.
Para quem vive do café, isso significa, cada vez mais, avanço. Porto mais eficiente para escoar o grão, feira que atrai comprador, curso técnico formando gente qualificada, energia se modernizando por trás de tudo. Isolados, seriam notícias de rodapé. Juntos, formam o chão onde o negócio do produtor se sustenta.
Não sabemos se o Espírito Santo vai virar case de congresso de economia. Isso importa menos do que parece à primeira vista. O que vimos nessa semana, da linha de montagem em Aracruz até a xícara de cupping numa sala de aula, foi um estado que parou de apostar tudo numa carta só e aprendeu a jogar em várias mesas ao mesmo tempo, com fichas cada vez maiores e capacitadas.
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