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Tribuna Livre

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Leitores do Jornal A Tribuna

Novidade velha

Poderosas empresas do ramo de transportes e petróleo se uniram para varrer do planeta o carro elétrico

Pedro Valls Feu Rosa | 29/05/2023, 15:02 15:02 h | Atualizado em 29/05/2023, 15:02

Imagem ilustrativa da imagem Novidade velha
Pedro Valls Feu Rosa é desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo |  Foto: Arquivo AT

Nos últimos anos temos visto o entusiasmo da raça humana com os veículos elétricos, que são silenciosos, de manutenção mais barata e não poluem. A alegria é justificável: a poluição do ar mata cerca de 3,5 milhões de pessoas a cada ano. 

Não há, porém, novidade alguma. Por incrível que pareça, os carros elétricos foram como os dinossauros: habitaram este planeta durante muito tempo até desaparecerem misteriosamente. 

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É esta incrível história que o jornalista norte-americano Edwin Black relata em seu livro “Combustão Interna”. Nesta obra demonstra como poderosas empresas do ramo de transportes e petróleo se uniram para varrer do planeta o carro elétrico, abrindo caminho para os poluentes motores a gasolina e óleo diesel. 

Segundo consta o carro elétrico foi inventado no já distante ano de 1830. Por volta do ano 1900 inacreditáveis 90% dos táxis que rodavam na cidade de Nova Iorque eram elétricos, como também eram elétricos os bondes utilizados no transporte público.

Eis que algumas grandes empresas perceberam que veículos a gasolina poderiam render lucros mais elevados. 

Segundo o autor declarou, em entrevista à revista Superinteressante, “o plano era vender os carros a combustão a um valor alto, só para os ricos. Até que um fabricante de Detroit resolveu seguir seu próprio caminho. Era Henry Ford, que planejava produzir carros a combustão baratos. Ford teve de enfrentar anos de batalhas judiciais contra os cartéis para conquistar o direito de produzir seus automóveis. Mas, quando finalmente ganhou a guerra nos tribunais, percebeu que os EUA estavam se tornando um lugar sujo com a fuligem gerada pelos motores a gasolina”. 

O autor, destacando que nos EUA, já em 1912, algumas revistas e alguns jornais advertiam para os problemas ambientais dos carros a gasolina, registra que houve então nova reviravolta: Ford se uniu ao cientista Thomas Edison em um projeto para produção de um carro elétrico barato e acessível a todos. 

Perguntado sobre o que causou o fracasso deste projeto, o autor deu uma chocante resposta: “Uma aparente sabotagem nas baterias. Elas saíam em boa condição da fábrica de Edison, em Nova Jersey, mas não funcionavam quando chegavam à Ford, em Detroit. Em 1914, quando tentava fazer uma bateria à prova de manipulações, seus laboratórios foram destruídos por um misterioso incêndio”. 

Sobre o transporte público o autor revela que em 1925 as vias elétricas já transportavam 15 milhões de passageiros por ano nos EUA. Até que em 1935 um conglomerado de poderosas empresas criou uma tal NCL, ou “National City Lines”. 

E eis que esta NCL começou imediatamente a comprar as empresas de transporte que utilizavam veículos elétricos. Após comprá-las, os ônibus elétricos eram queimados, a fim de que não pudessem mais ser utilizados, e substituídos por modelos a gasolina. Segundo denuncia o autor isto aconteceu em 40 cidades norte-americanas até que houve uma acusação de conspiração, reconhecida pelo Poder Judiciário daquele país – mas aí já era tarde demais!

Pedro Valls Feu Rosa é desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo

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