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Tribuna Livre

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Câncer de pele e os perigos à luz do sol

12/01/2022 11:50:31 min. de leitura

A maioria dos brasileiros vive uma história de amor com o sol. Num país tropical, é comum que as pessoas tenham hábitos praianos, incluindo banhos de mar, esportes aquáticos, passeios de barcos e tudo que envolve essa estreita relação.

Isso porque essas são atividades de lazer que remetem às mais prazerosas sensações de bem-estar e liberdade. E quando falo em brasileiros, incluo os capixabas num grupo bem especial. Afinal, as belezas das nossas praias, rios e cachoeiras dispensam explicações para tais preferências.

Mas essa relação com o sol, que muitas vezes começa na infância, também pode pecar pelo exagero e, assim, trazer complicações à saúde ao longo da vida. Todos os anos, são realizadas campanhas e encabeçados movimentos para alertar a população sobre os perigos da exposição ao sol sem os devidos cuidados. 

Contudo, às vezes, o problema não está na falta de informação, mas na resistência em romper com hábitos que, embora nocivos, boa parte dos casos não traz comprometimentos graves à saúde a curto prazo. E, na cabeça de muitos, nunca irá trazer. 

Vale lembrar que o câncer de pele não melanoma é o mais frequente no Brasil e corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no País. Apresenta altas chances de cura quando detectado e tratado precocemente, mas pode deixar sequelas estéticas e até funcionais, dependendo da área afetada.

Apesar de ser mais comum em pessoas com mais de 40 anos, a constante exposição dos mais jovens aos raios solares sem proteção (ou protegidos incorretamente) tem contribuído para a queda da idade média dos casos.

Como a exposição solar tem efeito cumulativo, cada vez que o indivíduo se desprotege, aumentam-se as chances da doença surgir em algum momento da vida.

Na sociedade ocidental, a cor bronzeada tornou-se sinônimo de beleza e até saúde, mas a prevalência de câncer de pele no Brasil mostrou claramente que um bronzeamento descuidado é sinal de problema. 

Mais do que a mudança de hábitos, o desafio está em entender as consequências desse processo devastador. Tomar sol com sol com moderação, filtro solar e no horário adequado não faz mal. A exposição moderada e com proteção até traz benefícios, como o fortalecimento da estrutura óssea, por exemplo. No entanto, o exagero pode aumentar as estatísticas já altas dos casos de tumores cutâneos.

A mudança de hábitos também ajuda a mudar a cultura, com exemplos saudáveis a serem copiados pelas nossas crianças e jovens. Que eles aprendam a priorizar a saúde também durante as férias, na alegria dos dias na praia, na piscina ou onde quer que queiram estar saboreando as delícias da alta estação. Evitar o câncer (e também outras doenças) requer hábitos saudáveis no dia a dia.

Que os dias ensolarados sejam apenas sinônimo de lazer, boas lembranças e a espera saudável de aproveitar todos os próximos verões com saúde.

Virgínia Altoé Sessa é médica oncologista

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