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PAPO DE FAMÍLIA

O boletim escolar do seu filho

Rendimento escolar ruim pode ser alerta de questões emocionais, familiares e relacionais que vão além do conteúdo aprendido em sala

Cláudio Miranda | 29/06/2026, 08:08 h | Atualizado em 29/06/2026, 08:08
Papo de Família, por Cláudio Miranda

Cláudio Miranda

Claudio Miranda é terapeuta individual e familiar, psicopedagogo clínico, pós-graduado pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP


          Imagem ilustrativa da imagem O boletim escolar do seu filho
Cláudio Miranda é da Diretoria da ATEFES (Associação de Terapia Familiar do ES), Terapeuta de Família, Psicopedagogo Clínico, Pós-graduado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto USP. |  Foto: Reprodução/Jornal A Tribuna

Ao longo da educação de um filho, uma das grandes preocupações dos pais é o sucesso acadêmico e o rendimento escolar. É muito comum buscarem a terapia com um boletim do filho cheio de notas baixas. Você também tem essa preocupação?

Ir bem nos estudos é, de fato, um dos caminhos mais importantes para se construir o futuro de uma criança. No entanto, não se pode reduzir a vida de um aluno a uma relação de notas referente a conteúdos escolares.

Um filho com notas ruins pode causar preocupação e é importante buscar ajuda para ele. O problema real está acontecendo em outro lugar que passa despercebido pela família e pela escola.

Mas ao longo de mais de 30 anos atendendo crianças, adolescentes e famílias, aprendi uma coisa: muitas vezes o boletim é apenas o mensageiro.

O que está por trás dele pode ser ansiedade, conflitos familiares, dificuldades emocionais ou questões de relacionamento que merecem atenção.

Por isso, quando uma criança apresenta dificuldades na escola, precisamos olhar além das notas.

Me lembro de uma garota com baixo rendimento escolar que, ao iniciar a terapia, dizia se sentir muito triste por ver os pais brigando constantemente por qualquer coisa.

Outra vez, um rapaz de 16 anos, com sucessivas reprovações, dizia-se burro e incapaz de aprender. O outro não era valorizado pelo pai. E assim vai, uma lista grande de problemas de aprendizagem existentes nas escolas por aí.

As notas baixas no boletim, na verdade, podem ser uma denúncia de como está a vida familiar dessa criança e desse aluno. Pode ser um indicativo de como anda a saúde mental e emocional desse aluno.

É assim que um rendimento escolar ruim pode estar mostrando mais que um mero problema cognitivo e de aprendizagem, mas um problema mais profundo, fundo emocional e relacional.

Quantos alunos eu vi que, depois de iniciar um processo terapêutico, apresentam melhoras significativas na escola. Em muitos casos, o problema estava na baixa autoestima, no desamparo e desestrutura emocional da família.

Há pais e mães que cobram da escola um cuidado do filho que eles próprios não proporcionam. A relação da família com a escola deve ser de confiança e a mais próxima possível.

Quando pais e professores conseguem construir uma parceria, torna-se mais fácil compreender as dificuldades do aluno e pensar, juntos, em estratégias que favoreçam seu crescimento.

A escola tem um papel fundamental, mas não pode assumir sozinha a responsabilidade que também pertence ao ambiente familiar. Da mesma forma, a família não deve enxergar a escola apenas como um lugar de cobrança por resultados, mas como uma aliada na formação e cuidado integral dos filhos.

Ao se perceber uma dificuldade escolar do filho, os pais devem ter a disponibilidade para olhar para si e avaliar o modo como têm caminhado as relações nessa família.

A mudança da dinâmica familiar e o nível de cuidado que cada um dispensa ao outro deve ser considerado.

O baixo rendimento escolar pode ser um alerta que pede uma reflexão sobre como se manifesta o amor e o cuidado no ambiente da casa.

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