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PAPO DE FAMÍLIA

Aprenda a deixar ir

Aceitar partidas reduz a dependência emocional, alivia o sofrimento e abre espaço para novos vínculos com mais leveza

Cláudio Miranda | 22/06/2026, 12:32 h | Atualizado em 22/06/2026, 12:32
Papo de Família, por Cláudio Miranda

Cláudio Miranda

Claudio Miranda é terapeuta individual e familiar, psicopedagogo clínico, pós-graduado pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP


          Imagem ilustrativa da imagem Aprenda a deixar ir
Cláudio Miranda é da Diretoria da ATEFES (Associação de Terapia Familiar do ES), Terapeuta de Família, Psicopedagogo Clínico, Pós-graduado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto USP. |  Foto: Reprodução/Jornal A Tribuna

No nosso círculo de convívio e relacionamento, nos apegamos mais ou menos às pessoas a nossa volta. A cada pessoa com quem convivemos, desenvolvemos um tipo de ligação ou de dependência. Pessoas entram e saem o tempo todo em nossas vidas.

Cada uma tem um nível de importância e de influência na nossa história e construção pessoal. Você já sofreu por alguém que deixou de se relacionar com você?

No dinamismo da vida as pessoas partem, cada uma por um motivo. Umas morrem, outras viajam ou se mudam para mais longe, e há aquelas que simplesmente optam por não mais se relacionar conosco.

Conforme a pessoa que sai, nós podemos sofrer mais ou sentir menos. Às vezes é muito difícil deixar alguém partir.

Uma das lições mais difíceis e dolorosas que aprendemos na vida é que devemos deixar as coisas serem como elas são e deixar as pessoas irem embora sem pedir explicação para elas.

Precisamos aceitar que nem tudo depende de nós e que nem tudo precisa ter um desfecho perfeito. Não lutar por um final que talvez nunca venha e não implorar por respostas que algumas pessoas simplesmente não têm ou não querem dar.

Há pessoas que se vão da nossa vida e não há o que fazer, porque foi uma decisão delas e devem ter tido um motivo para isso para ter partido.

Às vezes perder alguém pode ter efeito de uma poda, como acontece na jardinagem. Existem podas que fazem as plantas produzirem mais. Tem vez que parte o marido ou a esposa, às vezes se vai um filho ou um amigo. Cada um tem uma história e um motivo.

Nós mesmos podemos ter partido da vida de várias pessoas. Podemos ter gerado dores e desconfortos para alguém e alguém causado o mesmo em nós.

Alguns podem ir e depois voltar. Uns causam mais dor, outros menos, conforme o apego que tínhamos ou a ligação emocional que desenvolvemos.

A verdade é que nós podemos aprender a superar e ficar bem, senão, perpetuaremos em vão aquele sofrimento.

Descobrimos que há uma beleza sutil em soltar e deixar ir mesmo quando dói. A verdadeira força não está em aprender, mas em aceitar, compreender e seguir em frente porque no fim a paz vem para quem aprende a soltar. Isso pode ser muito difícil e doído, mas é o melhor a se fazer.

Quem não consegue superar a ausência de alguém se torna prisioneiro por anos a fio de uma dependência emocional daquele que não voltará mais ou de quem não te quer mais por perto.

Não fique refém de quem não esteja disposto a ficar próximo de você. Valorize a si próprio e desenvolva o desapego como um momento e não como um fim.

Esteja disponível para as outras pessoas que chegarão à sua vida com outros ares, com outros conhecimentos e energias.

Não se apegue a nada nem a ninguém, por mais que o ame e queira ter para sempre com você.

Quando perdemos o medo de perder alguém passamos a viver de uma forma mais feliz e verdadeira. As coisas vêm e vão o tempo todo.

Quando aprendemos que não somos donos e nem pertencemos a ninguém, nossa vida ganha mais leveza e autenticidade.

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