Login

Esqueci minha senha

Não tem conta? Acesse e saiba como!

Atualize seus dados

ASSINE
Pernambuco
arrow-icon
  • gps-icon Pernambuco
  • gps-icon Espírito Santo
Pernambuco
arrow-icon
  • gps-icon Pernambuco
  • gps-icon Espírito Santo
ASSINE
Espírito Santo
arrow-icon
  • gps-icon Pernambuco
  • gps-icon Espírito Santo
Assine A Tribuna
Espírito Santo
arrow-icon
  • gps-icon Pernambuco
  • gps-icon Espírito Santo

OPINIÃO INTERNACIONAL

Efeitos da guerra no sistema de segurança coletiva

Escalada no conflito com o Irã expõe fragilidade da liderança dos EUA e acelera mudanças na ordem global

José Vicente de Sá Pimentel | 30/03/2026, 13:39 h | Atualizado em 30/03/2026, 13:39
Opinião Internacional

José Vicente de Sá Pimentel

Siga o Tribuna Online no Google

Google icon

          Imagem ilustrativa da imagem Efeitos da guerra no sistema de segurança coletiva
José Vicente de Sá Pimentel. |  Foto: Divulgação

Como era de se prever, a resiliência do Irã está desafiando a ofensiva israelo-americana. A guerra prossegue, agora com a possibilidade de invasão terrestre. Se isso ocorrer, se converterá numa calamidade humanitária e numa ameaça permanente não só para a região.

O perigo de ampliação dos combates cresce na razão inversa da probabilidade de negociações entre as partes, dada a diferença de expectativas dos governos de Israel e EUA. Trump espera que uma vitória militar melhore o clima político interno, que está se voltando contra ele; por isso, e considerando a sua característica imprevisibilidade, não seria impossível que ele, de uma hora para outra, declarasse vitória e dissesse que terminou mais uma guerra. Mas isso não bate com os planos de Netanyahu, que vem há muito tempo planejando a aniquilação do regime iraniano; nada menos lhe interessa.

Do ponto de vista das relações internacionais, há pelo menos dois aspectos que chamam a atenção. Um deles são os ganhos de imagem auferidos pela China, que desponta como o parceiro confiável, diante da inconstância americana. Essa percepção, que vinha se afirmando nos anos recentes, torna-se mais relevante agora, devido, inclusive, ao estímulo dado por Xi Jinping para que o governo iraniano aceite negociar a paz. Caso os iranianos decidam sentar-se à mesa de negociações, a interferência chinesa se afirmará como construtiva e providencial.

Uma outra consequência da crise é seu impacto sobre a rede de segurança mundial, criada em 1945, que se esboroa agora em tempo real. A meu ver, a aliança estratégica tecida ao longo de oito décadas era mais importante para a percepção do poder dos EUA do que a capacidade militar americana por si mesma. A aliança de mais de cinquenta países fortalecia a visão de um Ocidente imbatível, e os EUA eram o único país que, ao longo de gerações, capitaneava o sistema de segurança global.

A aliança era decerto dispendiosa para os cofres americanos. No entanto, o fato de gastar mais com a segurança assegurava aos EUA a capacidade de arregimentar aliados mesmo diante de crises controversas. Na guerra do Iraque, por exemplo, a inexistência das armas de destruição em massa não impediu que cerca de quarenta países enviassem tropas para participar da coalizão organizada pelo governo Bush.

O contraste com o momento atual é digno de nota. Ao pedir a ajuda da OTAN para manter o trânsito de cargueiros no Estreito de Ormuz, Trump recebeu um sonoro "não" de Alemanha, Espanha e Itália. O Canadá recusou-se a participar de operações ofensivas. Austrália, Coreia do Sul, França e Japão negaram navios de guerra. O Reino Unido encaminhou o assunto para discussão no Parlamento, onde continua pendente de decisão. Os aliados de ontem sentem-se desconfortáveis com a liderança americana, o que não é difícil de entender, considerando os ataques verbais à Europa, proferidos por Trump e JD Vance nos pódios da ONU e de Davos, entre outros. Nesses foros de alta visibilidade, os americanos trataram a OTAN como um fardo, e não como um trunfo.

Claro que houve desentendimentos antes. A novidade é que os europeus estão realmente furando a aliança. Em vez de coordenar uma posição comum, tentam negociações diretas com o Irã. Ao atuar em separado, erodem a estratégia de segurança coletiva e causam a fragmentação da aliança. Se essas negociações forem bem-sucedidas, as repercussões sobre o sistema de segurança global serão inevitáveis.

A arquitetura da OTAN foi construída por sucessivas gerações. A fragmentação se verifica depois de um ano de ofensas verbais e provocações feitas pelo presidente americano nos foros mais prestigiosos do planeta. Se os EUA perderem o controle do sistema de segurança, seu poder decrescerá e a segurança coletiva terá de ser redesenhada.

Mas negociar é preciso, e cada vez mais urgente, à luz dos males causados pela guerra à economia mundial. É preciso parar essa guerra, cujos efeitos sobre a economia global se tornam a cada dia mais perniciosos. As negociações que podem encerrá-la parecem, contudo, improváveis a curto prazo, a menos que a intervenção da China seja eficaz. A aliança atlântica se fragmenta e a iniciativa de liderar o mundo em benefício do bem comum escorrega pelos dedos de Trump. Estamos vendo o nascimento de um novo mundo, não mais organizado sob a hegemonia americana.

MATÉRIAS RELACIONADAS:

SUGERIMOS PARA VOCÊ:

Opinião Internacional

Opinião Internacional, por José Vicente de Sá Pimentel

ACESSAR Mais sobre o autor
Opinião Internacional

Opinião Internacional,por José Vicente de Sá Pimentel

Opinião Internacional

José Vicente de Sá Pimentel

PÁGINA DO AUTOR

Opinião Internacional