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OPINIÃO ECONÔMICA

Crédito que transforma: sustentabilidade e inovação

Crédito sustentável e inovação se consolidam como pilares do desenvolvimento regional e da competitividade econômica

Marcelo Saintive | 25/05/2026, 12:47 h | Atualizado em 25/05/2026, 12:47
Opinião Econômica


          Imagem ilustrativa da imagem Crédito que transforma: sustentabilidade e inovação
Marcelo Saintive, diretor-presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) |  Foto: Fábio Nunes/AT

O desenvolvimento regional é resultado da combinação entre capacidade de investimento, acesso a financiamento e fortalecimento das bases produtivas dos territórios. Mais do que a execução de obras ou expansão da infraestrutura, esse processo se consolida quando empresas conseguem ampliar competitividade, pequenos negócios acessam crédito, cadeias produtivas se modernizam e as cidades aumentam sua capacidade de responder às transformações econômicas e ambientais em curso.

Nesse contexto, regiões competitivas são aquelas capazes de integrar infraestrutura, inovação e instrumentos financeiros voltados ao crescimento sustentável. Segundo o Banco Mundial, localidades que estruturam mecanismos de financiamento direcionados à transição econômica e climática tendem a atrair mais investimentos, elevar produtividade e gerar empregos de maior qualidade. Não por acaso, o financiamento verde passou a ocupar posição estratégica na economia global.

Dados da Climate Policy Initiative mostram que os investimentos mundiais em transição climática ultrapassaram US$ 1,5 trilhão em 2023, impulsionados principalmente por energia renovável, eficiência energética e infraestrutura resiliente. Ao mesmo tempo, empresas alinhadas às práticas sustentáveis passaram a acessar novos mercados, reduzir riscos e conquistar melhores condições de financiamento.

A lógica econômica mudou. Sustentabilidade deixou de ser apenas uma pauta ambiental para se tornar diferencial competitivo. Cadeias produtivas adaptadas às novas exigências climáticas tendem a aumentar produtividade, atrair investidores e ganhar espaço em mercados.

Os bancos de desenvolvimento assumem papel estratégico. Mais do que oferecer crédito, são indutores do crescimento econômico, ajudando regiões a transformar potencial em desenvolvimento concreto e viabilizando projetos que o mercado tradicional ainda considera complexos ou de longo prazo.

No Espírito Santo, esse movimento ganha força por meio da atuação do Bandes, que vem ampliando investimentos em inovação, modernização industrial, energias renováveis e fortalecimento das cadeias produtivas locais.

O exemplo mais emblemático dessa agenda é o Fundo de Descarbonização, estruturado pelo banco e lançado neste ano. A iniciativa, pioneira no Brasil, foi criada para financiar projetos ligados à economia de baixo carbono e nasce com aporte inicial de R$ 500 milhões do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses), com potencial de mobilizar mais de R$ 1 bilhão em investimentos.

O diferencial do Fundo está justamente em sua governança. O modelo adota critérios técnicos rigorosos, mecanismos permanentes de acompanhamento e diretrizes alinhadas às normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da ANBIMA.

A estrutura contempla setores estratégicos como energia renovável, biocombustíveis, eletrificação, agricultura sustentável, eficiência energética e tecnologias limpas. Mais do que uma agenda ambiental, é uma estratégia econômica para aumento da competitividade regional.

No fim das contas, desenvolvimento regional depende da existência de instrumentos capazes de financiar transformação, acelerar inovação e conectar crescimento a futuro. Porque, na prática, onde o crédito estruturado chega, o desenvolvimento acontece.

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