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OLHARES COTIDIANOS

NR-1 não é favor ao trabalhador

Nova NR-1 reforça impacto da saúde mental na produtividade e nos custos das empresas

Sátina Pimenta | 28/05/2026, 13:02 h | Atualizado em 28/05/2026, 13:02
Olhares Cotidianos, por Sátina Pimenta

Sátina Pimenta

Satina Pimenta é psicóloga, advogada e mestre em Administração, com atuação na interface entre Direito, Psicologia e Gestão. Docente, coordenadora acadêmica e pesquisadora, é Pró-Reitora e Coordenadora de Psicologia no Centro Universitário Estácio Vitória. Palestrante em saúde mental, lidera projetos acadêmicos e idealizou o app EmocionCare.


          Imagem ilustrativa da imagem NR-1 não é favor ao trabalhador
Sátina Pimenta é psicóloga clínica, advogada e professora universitária |  Foto: Acervo pessoal

Estão tentando convencer o empresariado de que a atualização da NR-1 é apenas mais uma burocracia trabalhista, mais um custo e mais uma obrigação criada “em favor do funcionário”. E, sinceramente, se ela for tratada apenas como um documento para cumprir exigência legal, realmente será dinheiro jogado fora. Porque uma planilha não muda empresa nenhuma, um gráfico não transforma cultura organizacional e um questionário, sozinho, não reduz adoecimento.

Dados sem ação são apenas dados. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 passou a exigir que as empresas incluam os riscos psicossociais dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

Isso significa olhar para fatores como excesso de pressão, liderança despreparada, metas abusivas, ausência de reconhecimento, conflitos constantes, insegurança psicológica e ambientes tóxicos.

E não porque o governo decidiu “proteger demais” o trabalhador, mas porque o adoecimento mental já se tornou um problema econômico e produtivo extremamente caro para as empresas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, ansiedade e depressão geram perda de aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho por ano no mundo, causando prejuízo superior a 1 trilhão de dólares em produtividade.

No Brasil, os afastamentos por transtornos mentais crescem continuamente e já estão entre as principais causas de licenças pelo INSS. E alguém paga essa conta. O problema é que muitos empresários ainda não perceberam que são eles próprios.

Vamos pensar de forma prática. Um funcionário contratado por R$ 3 mil não custa apenas R$ 3 mil. Existe recrutamento, seleção, treinamento, adaptação, baixa produtividade inicial e tempo de outros colaboradores ensinando processos.

Quando esse trabalhador entra em um ambiente emocionalmente adoecido, começam os erros, os conflitos, os atestados, as faltas e a queda de produtividade. Outro funcionário deixa de executar sua função para cobrir o problema, o fluxo da empresa é comprometido, o retrabalho aumenta e o prejuízo silencioso começa a crescer.

Se houver afastamento e, posteriormente, comprovação de nexo entre adoecimento e ambiente laboral, o problema deixa de ser apenas operacional e passa a ser também jurídico.

A Constituição Federal já garante a redução dos riscos inerentes ao trabalho e a própria CLT determina que a empresa deve oferecer um ambiente seguro aos trabalhadores.

A NR-1 apenas tornou explícito algo que já vinha sendo ignorado há anos: saúde mental também faz parte da segurança no trabalho. E isso muda tudo, porque agora não basta ter um PGR bonito salvo em PDF.

A lógica da norma é identificar os riscos, agir sobre eles e acompanhar se houve mudança. Se daqui um ano os mesmos problemas continuarem acontecendo dentro da empresa, não haverá mais como dizer que ninguém sabia.

Talvez a pergunta mais importante não seja quanto custa implementar ações relacionadas aos riscos psicossociais, mas quanto custa manter uma empresa emocionalmente desorganizada. Porque empresários também adoecem.

O empresário que trabalha 14 horas por dia, que não consegue tirar férias, que não confia na equipe, que perde bons funcionários constantemente e vive apagando incêndios também está inserido em uma empresa adoecida. E empresas adoecidas se tornam improdutivas, instáveis e caras.

A NR-1 não é um favor ao trabalhador. Ela é um alerta ao empresariado de que o modelo baseado em desgaste humano está ficando financeiramente insustentável.

Funcionários saudáveis produzem melhor, faltam menos, permanecem mais tempo nas empresas e contribuem para ambientes mais eficientes.

No fim, a decisão continua sendo do empresário: tratar a saúde mental como exagero e continuar acumulando prejuízos silenciosos, ou entender que cuidar dos riscos psicossociais é cuidar da sustentabilidade e do futuro da própria empresa.

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Satina Pimenta é psicóloga, advogada e mestre em Administração, com atuação na interface entre Direito, Psicologia e Gestão. Docente, coordenadora acadêmica e pesquisadora, é Pró-Reitora e Coordenadora de Psicologia no Centro Universitário Estácio Vitória. Palestrante em saúde mental, lidera projetos acadêmicos e idealizou o app EmocionCare.

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Satina Pimenta é psicóloga, advogada e mestre em Administração, com atuação na interface entre Direito, Psicologia e Gestão. Docente, coordenadora acadêmica e pesquisadora, é Pró-Reitora e Coordenadora de Psicologia no Centro Universitário Estácio Vitória. Palestrante em saúde mental, lidera projetos acadêmicos e idealizou o app EmocionCare.

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