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JOSÉ ANTÔNIO MARTINUZZO

A perversão manda notícias sem parar

Artigo analisa notícias recentes como reflexo de uma sociedade marcada pelo excesso, pela compulsão e pela perda de limites

José Antônio Martinuzzo | 09/03/2026, 12:17 h | Atualizado em 09/03/2026, 12:17
José Antônio Martinuzzo

Pós Doutor em Psicanálise, doutor em Comunicação e professor titular da Ufes

José Antonio Martinuzzo é Professor Titular da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Graduado em Jornalismo, é mestre e doutor em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense, com pós-doutorado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Pesquisa mídia, política, comunicação organizacional, redes digitais e psicanálise, sendo autor de diversos livros na área.

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          Imagem ilustrativa da imagem A perversão manda notícias sem parar
José Antônio Martinuzzo é pós-doutor em Psicanálise (UERJ), doutor em Comunicação (UFF) e professor titular da Ufes |  Foto: Divulgação

Jovem desvia R$ 200 mil da empresa em que trabalhava para sustentar vício em jogos on-line. Sessenta acidentes de bikes elétricas nos dois primeiros meses de 2026, triplicando o número do mesmo período do ano passado. Prisão de ex-banqueiro e suicídio na cadeia de seu capanga-mor.

O que essas notícias têm em comum, além de estarem nas páginas de uma mesma edição deste jornal, em 5 de março último? Acerta quem cravar: são sintomas de uma mesma sociabilidade perversa.

Perversão pervasiva que, aliás, semeia guerras e conflitos mundo afora – o que também estava em destaque em A Tribuna na mesma edição, com a guerra mais recente, a de Estados Unidos e Israel contra o Irã.

A sociabilidade perversa se expande sobre o consolidado terreno da neurose, que organizou os séculos XIX e XX.

Se o que antes estruturalmente presidia os laços eram os limites, os pudores, as culpas, as contenções pulsionais – não sem um alto custo psíquico –, o que agora rege a vida é o exato contrário.

Vivemos um tempo de deslimite como regra geral. Dany-Robert Dufour fala de um universo demarcado por uma perversão de segunda ordem, não aquela que subverte a Lei, estabelecendo com esta uma relação (primeira ordem, típica dos tempos da neurose reinante), mas aquela que rompe com a Lei, dando lugar ao império do sem-limite.

Nesse contexto, conforme aponta Charles Melman, há o imperativo do gozo. Não importa o gozo, existir deve ser gozar. Importante registrar que gozar aqui, dentre as várias acepções que este significante pode ter no campo da psicanálise e no senso comum, não equivale exatamente a ter prazer.

Gozar, aqui, é, psicanaliticamente falando, cumprir uma determinação sintomática de comportamentos impositivos, o que pode, inclusive, estar além do prazer, colocando-se mesmo como uma servidão à repetição, uma obsessão difícil de se superar. Na origem, o comando compulsivo da pulsão de morte, turbinado por uma era em que contenções parecem abusivas ou meras miragens.

Goze no vício, ainda que custe um crime. Goze no trânsito, ainda que a custo de um homicídio. Goze na corrupção, ainda que custe a ruína dos fundamentos da república.

Goze no aniquilamento despudorado do outro, ainda que custe sangue da massiva morte fratricida e cumulativos retrocessos à civilização humanística.

Não importa o preço. O que vale é a imposição feroz de um gozo mortífero, nas mais variadas facetas que a pulsão de morte pode assumir na feição de um indivíduo ou no perfil de uma sociabilidade inteira.

Melman, assertivamente, observa: “A nova moral é que cada um tem o direito de satisfazer plenamente seu gozo, sejam quais forem suas modalidades. Há mesmo leis para proteger as diversas formas de gozo que ontem eram tidas como perversas ou ilegais. [...] Em relação a isso, todos estamos, mais ou menos em estado de adição”.

Nas páginas do jornal, a notícia da desorientação calamitosa da vida, via compulsão ao gozo perverso, do nível mais comezinho, como o transitar pelas ruas, ao grau mais elevado da articulação planetária, com mais uma guerra que incrementa um tempo de aterradora banalidade da desumanidade. Triste retrato.

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José Antônio Martinuzzo,por Pós Doutor em Psicanálise, doutor em Comunicação e professor titular da Ufes

José Antonio Martinuzzo é Professor Titular da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Graduado em Jornalismo, é mestre e doutor em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense, com pós-doutorado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Pesquisa mídia, política, comunicação organizacional, redes digitais e psicanálise, sendo autor de diversos livros na área.

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Pós Doutor em Psicanálise, doutor em Comunicação e professor titular da Ufes

José Antonio Martinuzzo é Professor Titular da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Graduado em Jornalismo, é mestre e doutor em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense, com pós-doutorado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Pesquisa mídia, política, comunicação organizacional, redes digitais e psicanálise, sendo autor de diversos livros na área.

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