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INOVAÇÃO E MERCADO

O valor compartilhado pela ArcelorMittal e o LTF

O conceito, lançado por Michael Porter, sucedeu as iniciativas de filantropia e responsabilidade social e vinculou definitivamente a atuação social

Evandro Milet | 12/07/2026, 09:12 h | Atualizado em 12/07/2026, 09:12
Inovação e Mercado

Evandro Milet

Valor compartilhado pode ser definido como as políticas e práticas que aumentam a competitividade de uma empresa enquanto, simultaneamente, fazem avançar as condições sociais e econômicas das comunidades onde ela opera. O conceito, lançado por Michael Porter, sucedeu as iniciativas de filantropia e responsabilidade social e vinculou definitivamente a atuação social ao negócio, se contrapondo ao clássico comentário de Milton Friedman, para quem responsabilidade social da empresa era gerar lucro porque gerava empregos e girava a economia.

Grandes empresas têm utilizado o conceito para desenvolver produtos ou serviços que demandem menos recursos naturais como água ou energia, utilizem insumos produzidos em comunidades carentes, aproveitem resíduos dos processos para transformá-los em coprodutos ou gerem energia com resíduos produzidos pela sociedade. O que era considerado custo ou obrigação, agora utilizando novas tecnologias ou métodos gerenciais, se transforma em lucro, com redução de custos e aumento de competitividade. Bom exemplo disso é o patrocínio de corridas de stock car pela ArcelorMittal, testando aços especiais de alta resistência em “safety cages” ou “santo antônios” para proteger os pilotos.

As grandes empresas, em geral, provocam externalidades nos ambientes e nas comunidades onde se instalam, seja nos países, estados, cidades ou vizinhanças próximas.

Essa influência pode ser positiva ou muito positiva, dependendo dos compromissos e da postura geral da empresa. No Espírito Santo, das grandes plantas da indústria de base que se instalaram, a Arcelor Mittal é reconhecidamente a que mais tem mantido um compromisso com a sociedade capixaba, com um grande envolvimento nas questões que interessam à sua população em geral ou à comunidade empresarial.

Começa com o seu lema de aço verde para as pessoas e o planeta, passando pela contratação de fornecedores locais, a abertura para startups com o programa iNO.VC, o desenvolvimento de coprodutos com a escória de aciaria, projetos de dessalinização de água do mar e aproveitamento de água de reuso de esgoto - para não disputar consumo de água com a comunidade.

Além das atitudes explícitas como essas, há todo um conjunto de externalidades que não são visíveis à primeira vista, mas que têm um efeito extraordinário. Por exemplo, na formação de gente e no espalhamento de competências pelo estado e depois pelo país e o exterior. Há egressos de Tubarão na planta de Vega em Santa Catarina, em Pecém no Ceará, em BH na Aços Longos ou em Luxemburgo, na sede mundial da empresa. Há egressos professores nas universidades ou empresários de startups.

Grandes empresas, em particular as de atuação internacional, contribuem decisivamente para elevar o nível de fornecedores, com suas exigências formais para contratação, e para elevar o nível dos seus empregados lidando com logísticas sofisticadas, parceiros de tecnologia de ponta, negociações internacionais, definições políticas de alto nível, inovações constantes e marketing sofisticado. Quem fornece para uma ArcelorMittal cria competência para fornecer para qualquer empresa, como aliás aconteceu com muitos fornecedores capixabas. Essa competência se espalha pela sociedade na participação em entidades empresariais, nas exigências de serviços de alto nível para atender empregados, executivos e parceiros visitantes, no patrocínio de eventos relevantes e na participação em entidades empresariais.

No momento atual, o maior efeito multiplicador potencial da Arcelormittal é o seu projeto do LTF - Laminador de Tiras a Frio e da linha de galvanização, a serem implantados em Tubarão, com consequências extraordinárias para atração de indústrias automotivas, linha branca(geladeiras, fogões, microondas, lavadoras, secadoras) e seus subcomponentes. Além disso, cria novas demandas de logística em ferrovias e portos, novas oportunidades para contratações de pessoal e ampliação de fornecedores locais , com repercussão nos serviços(hotéis, restaurantes, moradias, educação, saúde, diversão, turismo e lazer) e no PIB capixaba.

O projeto está atualmente com seu Relatório de Controle Ambiental (RCA) em análise no Iema, mas certamente, pelos impactos positivos para a economia capixaba e pelo histórico de atuação responsável da empresa em sustentabilidade, não deve demorar para ser aprovado. Vem se juntar à nova fábrica da GWM, ao Porto da Imetame, ao Porto Central, à EF-118, à duplicação da BR101 e da BR262 e à expansão da ESGas no novo ciclo de desenvolvimento do Estado.

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