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DOUTOR JOÃO RESPONDE

Uma seleção de partir o coração

Derrotas despertam somatização, estresse e tristeza no torcedor; entender sintomas ajuda a atravessar a frustração

João Evangelista Teixeira Lima | 07/07/2026, 12:40 h | Atualizado em 07/07/2026, 12:40
Doutor João Responde

Dr. João Evangelista

João Evangelista Teixeira Lima é médico formado pela Emescam, com pós-graduação pela PUC-RJ. Especialista em Gastroenterologia e Clínica Geral, é colunista de A Tribuna e do Tribuna Online, onde também apresenta o quadro “Doutor João Responde” na TV Tribuna, abordando saúde e prevenção com linguagem simples.


          Imagem ilustrativa da imagem Uma seleção de partir o coração
João Evangelista Teixeira Lima é clínico geral e gastroenterologista |  Foto: Divulgação

Torcemos pelo Brasil, com paixão. Infelizmente, sobrou decepção. Se a paixão estava errada, paciência. O excesso de expectativa sempre foi o caminho mais curto para a frustração. Baseada na projeção de um resultado idealizado, a expectativa gera alegria ou tristeza.

Ah, Ancelotti! Contusões e joelhos ralados doem menos que corações machucados!

Diante de uma iminente derrota, surgem os sintomas. E por mais que tentamos esquecê-los, eles permanecem.

Concebidas em situações de tensão, emoções negativas podem causar ou agravar doenças.

Acalentada pelo coração, o rompimento da esperança pode ser devastador para a saúde física e mental. Desesperança abre espaço para doenças como depressão, ansiedade, compulsões, entre outras enfermidades psíquicas, as quais podem progredir em sintomas físicos.

Durante os jogos da Copa do Mundo, o torcedor sente aquele “frio na barriga”, gerado pelo estresse e pela ansiedade. Esse tipo de reação é denominado somatização. Apesar de comum e normal, quando esses sintomas vêm acompanhados de outros desconfortos, podem gerar uma sobrecarga no cérebro, levando a manifestações mentais e orgânicas.

Nessas situações, o corpo libera hormônios, como o cortisol e a adrenalina. Quando essas substâncias são geradas de forma constante, elas causam desequilíbrio no organismo.

A região do sistema nervoso que recebe informações emocionais está situada no mesmo local de quando sentimos dor física. Assim sendo, a dor emocional se assemelha à dor de uma pancada ou ferimento, ou seja, a uma dor física.

Sendo provocada por sofrimento psicológico, a somatização deixa o indivíduo incapacitado de lidar com seus pensamentos negativos. Com as emoções descontroladas, ele pode desenvolver sintomas físicos, como dores generalizadas, falta de ar, manchas na pele, formigamento, tremores nas extremidades, insônia, desinteresse por atividades rotineiras, falta de concentração, irritabilidade, esgotamento profissional, negativismo e autocobrança, entre outras manifestações clínicas.

A Copa do Mundo vem provocando dor emocional no povo brasileiro, de maneira intercalada, desce 1950, quando perdemos o quarto campeonato mundial de futebol.

Desde então, geramos novas expectativas na Seleção Brasileira, acreditando que o nosso futebol continua sendo o melhor do mundo. Infelizmente, temos que enfrentar a realidade, por mais difícil e dolorosa que possa parecer, que o futebol brasileiro não é mais o mesmo de outrora.

Apesar disso, não devemos abandonar os sentimentos, sejam alegres ou tristes, pois eles são o tempero da vida.

O tempo é capaz de curar nossas dores, pois permite acalmar as emoções, reestruturar suas bases e encontrar o aprendizado, por trás da desilusão.

Decepção é algo inevitável. A vida é um constante movimento de lembrar e esquecer. Não podemos escolher o que sentimos, mas podemos fazer algo a respeito. Basta continuar amando o impossível, pois ele é o último que pode nos decepcionar.

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João Evangelista Teixeira Lima é médico formado pela Emescam, com pós-graduação pela PUC-RJ. Especialista em Gastroenterologia e Clínica Geral, é colunista de A Tribuna e do Tribuna Online, onde também apresenta o quadro “Doutor João Responde” na TV Tribuna, abordando saúde e prevenção com linguagem simples.

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A coluna “Doutor João Responde” é publicada todas as terças-feiras no Jornal A Tribuna e no Tribuna Online. O espaço trata de saúde e prevenção em linguagem acessível, onde esclarece dúvidas do público e comenta temas de saúde que estão em destaque no Espírito Santo.