Abuso de vitamina B12
Crônicas e dicas do doutor João Evangelista, que compartilha sua grande experiência na área médica
Dr. João Evangelista
João Evangelista Teixeira Lima é médico formado pela Emescam, com pós-graduação pela PUC-RJ. Especialista em Gastroenterologia e Clínica Geral, é colunista de A Tribuna e do Tribuna Online, onde também apresenta o quadro “Doutor João Responde” na TV Tribuna, abordando saúde e prevenção com linguagem simples.
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Mingau de aveia, maisena com leite, vitamina de abacate, suco de frutas, entre outros, caracterizam alimentos ricos em vitaminas. Gozando de prestígio, esses nutrientes são símbolos de saúde.
Desde criança, somos incentivados a consumi-los, acreditando que quanto mais ingerirmos vitaminas, melhor. Não é verdade. Saúde é o equilíbrio entre a carência e o excesso.
Embora o uso de vitaminas contidas nesses alimentos seja segura, a ingestão dessas substancias, como fármacos, apresenta riscos.
Os nutrientes de que o corpo necessita para funcionar corretamente vêm dos alimentos que integram a dieta.
Quando estes não são ingeridos nas doses certas, a saúde se torna prejudicada. É o caso da falta de vitamina B12.
Além de ser incapaz de produzi-la, nosso organismo também não consegue armazena-la por muito tempo, pelo que o seu consumo por meio da alimentação deve ser feito de forma regular.
Além de ser responsável pela formação de neurotransmissores, construção do DNA e reparo celular, a vitamina B12 tem um papel essencial na fabricação da bainha de mielina do sistema nervoso e produção de hemácias.
Muitos dos sintomas associados à carência desse nutriente devem-se à alteração de células saudáveis do sangue.
O corpo precisa de muitas dessas células para transportar oxigênio e manter a vitalidade dos órgãos.
Contudo, quem abusa de vitaminas acaba participando de um banquete de consequências. O uso exagerado de vitamina B12 pode gerar efeitos colaterais.
Alguns deles são considerados leves, como dor ou desconforto no local da aplicação (injeção intramuscular), rubor facial transitório, náusea ou irritação gástrica (via oral), cefaleia, ansiedade e agitação. Reações alérgicas (coceira, urticária) são incomuns, mas podem surgir.
Convém lembrar que maioria desses efeitos costuma ser de pouca intensidade e transitória, raramente exigindo interrupção do tratamento.
Efeitos adversos graves também podem acontecer, como reações alérgicas anafiláticas, queda dos níveis de potássio, especialmente quando uma anemia grave está sendo corrigida rapidamente, causando aumento abrupto na produção celular da medula óssea. Casos de trombose venosa também podem ser desencadeados com o uso parenteral.
Embora quantidades altas sejam consideradas geralmente seguras, devido à excreção renal rápida, doses excessivas crônicas (uso prolongado e desnecessariamente elevado) podem causar alguns sintomas ou sinais, como alterações dermatológicas, presença de acne facial ou torácica, descrita após suplementação prolongada, urticária ou prurido persistente, sintomas gastrointestinais leves (mais comuns com doses orais excessivas), náuseas e desconforto abdominal persistente, sintomas neuropsiquiátricos (em doses muito elevadas e prolongadas), ansiedade, inquietação e insônia.
O conhecimento é o grande antídoto do veneno da ignorância e da obsessão.
A luz clareia, mas seu excesso ofusca. Saúde, se em demasia, adoece do próprio excesso.
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PÁGINA DO AUTORDoutor João Responde
A coluna “Doutor João Responde” é publicada todas as terças-feiras no Jornal A Tribuna e no Tribuna Online. O espaço trata de saúde e prevenção em linguagem acessível, onde esclarece dúvidas do público e comenta temas de saúde que estão em destaque no Espírito Santo.