Os efeitos colaterais de um assalto
Crônicas e dicas do doutor João Evangelista, que compartilha sua grande experiência na área médica
Dr. João Evangelista
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O sol na Praia da Costa, de amor a faz esquentar. À noite, também ela é linda, faz ciúme até no luar. Enquanto as tardes de chuva, que são lágrimas de seu pranto, assistem a violência que cresce, quebrando todo encanto.
Semana passada, eu estacionei o carro ao lado de um restaurante, esperando alguns minutos, antes de entrar para almoçar. Faltavam apenas dois minutos para o estabelecimento abrir quando fui assaltado.
Através das câmeras do restaurante, analisadas posteriormente, constatei que um meliante havia parado sua bicicleta na esquina e, percebendo minha imprudente distração, pedalou rapidamente em minha direção, tomando-me o celular, sem que eu me desse conta.
Nesse momento, o cérebro veio ao meu socorro. Movido pela adrenalina, levantei bruscamente e tentei correr atrás do criminoso. Sedentário, sem o vigor da juventude, meus músculos receberam uma ordem que eu não poderia cumprir. Mal tentei dar alguns passos, a musculatura da coxa distendeu, as pernas falharam e eu caí, batendo o tórax no chão.
Além de perder o aparelho, ganhei um estiramento muscular e uma fratura na costela.
O instinto de luta e fuga, administrado pela adrenalina, não tem tempo para raciocinar. Atitudes intempestivas, geradas pelo estresse, tanto podem auxiliar como atrapalhar.
A resposta ao estresse é uma reação automática do sistema nervoso simpático à percepção de ameaças, preparando o corpo para enfrentar o perigo, através da liberação de adrenalina e cortisol. Ela aumenta a frequência cardíaca, a respiração e a tensão muscular, enquanto reduz a digestão para direcionar energia aos músculos.
Posteriormente, o sistema nervoso parassimpático volta a atuar, visando acalmar o corpo e restaurar o estado de repouso.
A contusão, tecnicamente conhecida como distensão muscular, é uma lesão que ocorre quando os músculos se esticam além de sua capacidade, o que pode resultar em rupturas de fibras e inflamação.
Os sintomas podem variar em intensidade, mas geralmente se manifestam de forma súbita e localizada.
Minutos depois da agressão, apresentei forte dor na parte posterior da coxa, Inchaço, vermelhidão, dificuldade para caminhar e esticar a perna e formação de hematomas no local.
A laceração da musculatura da coxa ocorreu quando meus músculos posteriores foram esticados além de sua capacidade, resultando em uma ruptura das fibras musculares. Falta de aquecimento e sobrecarga muscular, aliados ao fato de eu ter 74 anos, facilitaram o quadro de injúria.
Fratura de costela é uma quebra ou fissura em um dos ossos da caixa torácica, geralmente causada por trauma direto, como quedas, acidentes automobilísticos ou tosse intensa.
Meus principais sintomas incluíram dispneia e dor no peito, que aumentava quando eu respirava fundo, tossia ou movimentava o tronco.
Apesar disso, levantei, sacudi a poeira e dei volta por cima. Contra traumas e tribulações que a vida nos impõe, o melhor remédio é continuar sonhando.
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