Misturar remédio com álcool faz mal à saúde
Redação jornal A Tribuna
Não ingerir bebida alcoólica quando estiver tomando remédios é uma recomendação frequentemente passada por médicos aos seus pacientes. Ainda assim, há pessoas que questionam se há algum mal na mistura. Para tirar de vez essa dúvida, aí vai a resposta: as consequências podem ir além de cortar o efeito do medicamento.
A associação no consumo pode piorar o quadro do paciente, elevar o risco de efeitos colaterais e até prejudicar o funcionamento do cérebro, provocando coma e morte.
A gastroenterologista Maria da Penha Zago Gomes explicou ao AT em Família o que ocorre no organismo após a ingestão do álcool e as consequências da mistura com medicamentos.
A médica é professora do Departamento de Clínica Médica do curso de Medicina da Ufes, coordenadora do Programa de Atendimento ao Alcoolista do Hospital Universitário Cassiano Antonio de Moraes (Hucam) e doutora em Ciências Fisiológicas.
AT em Família – Misturar remédio com álcool faz mal?
Maria da Penha Zago Gomes – Sim, pode fazer muito mal. É preciso entender como ocorre a metabolização de drogas no organismo, pois os remédios e o álcool são drogas.
O que ocorre?
Quem primeiro faz o trabalho de metabolização é o fígado, que funciona como uma grande fábrica: quando chega uma substância, ele transforma em outra. Tem vários locais de metabolização, como uma fábrica com muitas máquinas. Algumas drogas usam a mesma máquina para se transformar. Assim, enquanto a máquina está sendo usada por uma substância, a outra acaba acumulando esperando a sua vez.
O álcool usa um local de metabolização que vários medicamentos também usam. Assim, quando se bebe álcool e toma remédios, vai haver competição pelo local de metabolização e não haverá o correto funcionamento do remédio.
Há duas consequências: uma é quando o medicamento está na forma ativa (pronto para agir) e o local está ocupado, então há maior quantia de medicamento circulante (superdosagem), o que eleva os efeitos colaterais.
No segundo caso, o medicamento ainda precisa ser metabolizado para atingir sua forma ativa. Se o local já estiver ocupado, ele não conseguirá metabolizar suficientemente o remédio; então a quantidade será inferior ao pretendido e não fará o efeito desejado.
Quais as possíveis consequências?
As piores são o medicamento não fazer efeito ou ter efeitos colaterais graves. Lembrando que o álcool é uma droga psicotrópica. Ou seja, a ação dele é no cérebro como um depressor do sistema nervoso central. Se o álcool for consumido com medicações que também atuam no cérebro (tranquilizantes, remédios que evitam convulsões ou que tratam doenças psiquiátricas), sua ação pode ser somada e então ocorrer piora grave do quadro, podendo chegar até a morte.
Quais órgãos podem ser afetados?
Os maiores riscos estão no funcionamento do cérebro, quando o álcool interage com os medicamentos de ação central, porque pode piorar o funcionamento do cérebro, provocando coma e morte.
Porém, não deixa de ser menos grave quando um medicamento utilizado não funciona ou se o nível do medicamento aumenta no sangue e causa efeito colateral grave.
Que outras substâncias interferem na ação dos remédios?
O uso concomitante de dois ou mais medicamentos pode provocar ações inversas (anulando a ação da medicação) ou sinérgica (tornando a droga mais potente).
Outro modo de interferência é na excreção pelo rim, que pode ser modificada por ação de remédios.
Que tipo de remédio o paciente deve sempre informar ao médico que está usando?
O paciente precisa informar todos os medicamentos que usa, inclusive chás, fitoterápicos, vitaminas e os utilizados em forma de cremes ou de emplasto. Esses medicamentos funcionam, então é porque eles são absorvidos. Ser de origem natural não é sinônimo de não causar problemas.
SUGERIMOS PARA VOCÊ:
AT em Família,por Redação jornal A Tribuna