Rio Itapemirim atinge mais de 1,6 metro acima do nível
Chuvas elevam nível do rio Itapemirim e mantêm Cachoeiro em estado de alerta
O rio Itapemirim atingiu ontem 1,64 metro acima do nível normal. A elevação mantém a Defesa Civil em estado de alerta, diante do risco de deslizamentos e de nova alta provocada pelas chuvas em Cachoeiro de Itapemirim, na região Sul do Espírito Santo.
Segundo a Defesa Civil, o monitoramento do rio ocorre desde domingo. Ao longo do dia, o nível apresentou oscilações significativas, passando de 1,18 metro pela manhã para 1,41 metro à meia-noite, sem registrar recuo nas horas seguintes.
O cenário enquadra o município no Plano Preventivo de Defesa Civil, Nível 2, que indica estado de atenção média. Esse estágio é caracterizado por precipitações entre 20 e 50 milímetros por hora e pela elevação do rio Itapemirim entre 1 e 2 metros acima do nível normal.
As chuvas também provocaram danos em diferentes pontos da cidade. Um deslizamento de encosta foi registrado no bairro Alto Novo Parque, espalhando terra, pedras, cascalhos e parte da vegetação sobre a via.
Diante do risco iminente de deslizamento de uma grande rocha, a prefeitura interditou a avenida Jerônimo Ribeiro, no bairro Amarelo. De acordo com o município, a interdição é total, já que as chuvas intensas dos últimos dias agravaram a situação e colocam em risco pedestres e motoristas.
A Defesa Civil mantém o acompanhamento permanente da situação.
Alerta de tempestade até amanhã
As chuvas no Estado devem continuar nos próximos dias. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Espírito Santo segue com alerta laranja para tempestades e amarelo para chuvas intensas até amanhã, com previsão de volumes entre 50 e 100 milímetros por dia.
O meteorologista do Inmet, Wendell Fialho, explica que o risco tende a diminuir gradualmente, mas as condições ainda exigem atenção, principalmente nos municípios do Norte capixaba.
“A partir de agora, o alerta que era vermelho perde intensidade, passando para o nível laranja, que é menos severo, mas ainda exige atenção.”
Apesar da redução na classificação de risco, o Estado permanece em situação de alerta. O tenente Josué Alves dos Santos, do Departamento de Preparação e Resposta da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil, reforça que, entre hoje e amanhã, há previsão de chuva também no litoral capixaba.
“A previsão é de chuva para todo o território, incluindo a região Norte, como Linhares, São Mateus e municípios vizinhos. Neste momento, especialmente na região costeira, há também indicativos de tempestades com raios e trovões”.
Entre domingo e ontem, o Espírito Santo já registrou volumes expressivos de chuva. Em Linhares, por exemplo, o acumulado chegou a cerca de 100 milímetros. Wendell explica que o ocorrido se deve a influência da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS).
“A ZCAS é um fenômeno típico do verão, mais comum entre os meses de novembro e março. Esse sistema favorece a formação de chuvas frequentes e persistentes”, ressalta.
Principalmente nas regiões mais afetadas pelas chuvas, o tenente Josué reforça que é importante tomar alguns cuidados, devido ao risco de deslizamentos e enchentes.
“Como o solo já está encharcado, até uma chuva moderada pode provocar deslizamentos. Dentro de casa, rachaduras nas paredes, deslocamento de estruturas ou inclinação de paredes são sinais de alerta. Além disso, nunca atravessar áreas alagadas ou enxurradas, seja a pé ou de carro”.
Em situações de risco, a orientação é acionar a Defesa Civil Municipal ou então o Corpo de Bombeiros, pelo número 193.
“O ideal é aguardar em local seguro e protegido e seguir as orientações das autoridades até que a situação normalize”, conclui o tenente.
Investimentos para se adaptar ao clima
Para lidar com as mudanças climáticas, o governo do Estado tem investido em obras para diminuir os efeitos negativos dos eventos extremos por meio do Fundo Cidades - Adaptação às Mudanças Climáticas, desde 2023.
A secretária de Estado do Governo e gestora do Fundo Cidades, Emanuela Pedroso, explica que o governo repassa valores aos municípios após uma avaliação técnica.
“As propostas passam por uma análise técnica da Defesa Civil, que avalia o grau de risco das áreas. As obras são priorizadas de acordo com essa classificação, especialmente aquelas enquadradas nos níveis três e quatro, que representam maior perigo à população”, afirma.
As intervenções incluem obras de drenagem urbana, construção de barragens e muros de contenção. Segundo a secretária, já foram executados mais de R$ 600 milhões em obras, com outros R$ 600 milhões em execução. “Esses investimentos fazem parte de um pacote que ultrapassa R$ 2,5 bilhões, dentro do chamado orçamento climático”, destaca.
Somente neste ano, o Estado já autorizou mais R$ 150 milhões em obras com recursos do fundo, além de outras que devem ser entregues nos próximos meses. “Temos diversas obras em andamento em municípios como Alfredo Chaves, Muniz Freire, Cariacica e Vila Velha”, pontua.
O fundo é uma iniciativa pioneira no País e, segundo Emanuela, é essencial para pensar novos modelos urbanos.
“Hoje, qualquer obra de pavimentação precisa ser pensada considerando volumes extremos de chuva. Muitos problemas atuais existem porque no passado as cidades cresceram sem planejamento adequado”.
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